A rua é deles — e agora, também, a Europa.

A banda brasileira Asfixia Social está quebrando fronteiras (e muros) com sua poderosa turnê europeia “Walls Won’t Make You Safe”, um grito punk-reggae-rap que ecoa dos porões de Berlim aos pubs de Londres. Desde o dia 10 de julho, o grupo vem espalhando sua sonoridade urbana, política e visceral em uma maratona de mais de 20 shows por seis países, reafirmando seu compromisso com a resistência cultural, o groove pesado e a mensagem afiada.

‘Walls Won’t Make You Safe’ fala sobre as barreiras físicas e ideológicas criadas pra controle social”, explica Kaneda. “Guerras, fome, fascismo, genocídio… Muitos acham que dentro de seus condomínios estão a salvo, mas quem será o próximo alvo se não lutarmos por justiça para todos?

A tour começou com força total na Alemanha, passando por cidades como Berlim, Hamburgo, Düsseldorf e Köln. Em seguida, seguiram para Amsterdam e Nieuwegein (Holanda), Concarneau e Chambéry (França), além de marcar presença no Festival Rock Im Daal, em Idar-Oberstein, dividindo espaço com nomes do underground europeu. Outro destaque foi o D’Kréiennascht Festival, em Petange, Luxemburgo.

Os shows têm sido cabulosos! Muita gente com nossas camisetas de outras tours e cantando as músicas novas. A energia tá lá em cima!”, destacam.

A passagem por Portugal teve momentos marcantes e controversos, com apresentações no Ferro Bar (Porto) e no Rocketmen Festival, em Coimbra. Apesar dos desafios, a conexão com o público lusófono e a comunidade brasileira foi intensa e acolhedora.

A próxima parada é o Reino Unido, onde a banda se apresenta em Londres, Liverpool, Hastings, Sheffield, Nottingham, Bristol, e no lendário Rebellion Festival, em Blackpool — um dos maiores eventos punk do mundo. “É uma honra tocar num dos principais palcos do Rebellion. Nosso som tem ido pra um lado pesado, eclético e dançante. Depois de 20 e poucos shows, vamos chegar na máxima energia por lá!

Com passagens anteriores pela Europa , o Asfixia Social comemora o crescimento do público internacional e o fortalecimento das conexões culturais. “O que mais nos surpreendeu positivamente foi o crescimento do nosso público por aqui. Estamos muito honrados em fortalecer as conexões da cultura de rua brasileira com outros povos.”

Ao longo da tour, a banda também criou laços com grupos locais e coletivos independentes. “Tocamos com bandas incríveis como a Pigeons (DE), Hobo Jobos (NL), Psycho Squatt (FR), e contamos com o apoio de coletivos como CDP, Deadsounds, Bring Your Nun e muitos outros. A cena underground europeia é muito receptiva e estruturada.”

Mesmo com a agenda intensa, o discurso político segue firme. “É corrido, mas a energia se renova com os shows. Levamos ao palco a realidade das ruas do Brasil e o que estamos vivenciando aqui na Europa. Nossas lutas são locais, mas também são globais.”

E o impacto dessa experiência já se reflete nas novas composições. “Hoje o nosso show é uma mistura de estilos e idiomas, muito pela vivência aqui fora. Em 2024 lançamos nosso primeiro álbum majoritariamente em inglês, sem perder nossa essência brasileira.”

Mais do que shows, o Asfixia entrega vivência, troca e resistência. E o que querem deixar com o público europeu? Eles respondem:

A energia pra gritar contra as injustiças, o ímpeto pra sermos mais coletivos e sintonizar a música pra libertar mentes.”

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