O último domingo, o Bar Ocidente se transformou em um território de fúria, riffs e resistência. O evento Riffs de Resistência, organizado pelo coletivo Preto no Metal, reuniu três bandas que, cada uma à sua maneira, expressam a urgência e o poder da música extrema no Brasil atual. O público compareceu em peso, mostrando que a cena segue viva, pulsante e politizada.
Paylester – Hardcore direto ao ponto
A noite começou com a Paylester, que abriu com “In My Shoes” e, a partir daí, não deixou espaço para respiro. O setlist foi uma pancada atrás da outra, passando por “Mind in Speed of Light”, “Strength to Survive” e a espiritualidade pesada de “Sadhus”.

A sequência com “Renegados” e “21st Century Suicide Note” levantou a galera, preparando o terreno para o clímax com “Batalha dos Dias”, “The Society” e “The Warriors Way”. Um show direto, sincero e explosivo – perfeito para abrir a noite.
Código Penal – Rapcore de protesto
Na sequência, a Código Penal trouxe sua mistura de rap, hardcore e influências eletrônicas, transformando cada faixa em denúncia social. O setlist foi um manifesto de rua, começando com “Terra de Ninguém” e “Chove Bala”, seguidas pela crítica afiada de “Apologia” e “Marginalizado”.

Com “Manifesto Público”, “Bomba H” e “Justiça Injusta”, a banda incendiou o público, que respondia com intensidade a cada refrão. A reta final com “Perímetro Criminal”, “Nada Valerá”, “Sexo nas Ruas” e “Uzi Além” foi um retrato cru da realidade urbana, mostrando porque o Código Penal é uma voz tão necessária na cena.
Desalmado – Brutalidade como catarse
Encerrando a noite, a Desalmado transformou o Ocidente em um verdadeiro campo de batalha sonoro. O setlist foi extenso, agressivo e devastador: abriram com “Trauma Bond”, “Hidra”, “Privilege”, “Dead Propaganda” e “Alone”, já impondo um ritmo avassalador.

A sequência com “Anger”, “No Peace, Only Death”, “Blood Thorns” e “Deaf” foi uma descarga de brutalidade e urgência, que o público absorveu em rodas intensas.
Na parte final, vieram “Monopoly”, “Across” e “Pig Killer”, seguidos pela poderosa dobradinha “Unity” e “Bridges”, faixas que equilibram peso e mensagem. Para encerrar, o bis com “Sofrer” foi a catarse definitiva: brutal, mas ao mesmo tempo libertador, como só o grindcore da Desalmado consegue ser.
Mais do que música: resistência
O Riffs de Resistência reafirmou a importância do underground como espaço de luta e expressão coletiva. Mais do que um festival, foi um ato político, um manifesto em forma de som. O coletivo Preto no Metal segue pavimentando caminhos para que a diversidade e a representatividade estejam no centro da cena.
Naquela noite, ficou claro que cada banda, cada grito e cada riff carregavam um mesmo propósito:
resistir, transformar e unir.
Texto e Fotos Gmaglia
















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