Banda Rotentix se apresentando ao vivo em um show, com três membros no palco. O vocalista toca guitarra à frente, enquanto o baixista e o baterista estão atrás. Um telão ao fundo exibe o nome da banda em letras grandes. A cena é iluminada com luzes de palco coloridas, criando uma atmosfera energética.

Abrir um show para uma figura icônica do horror punk como Michael Graves não é tarefa simples. Ainda mais quando a noite começa com um baque emocional: a Rotentix subiu ao palco reduzida a power trio, após a ausência do baixista Felipe por uma perda familiar. Ninguém ali precisava justificar nada — mas a atitude falou mais alto que qualquer explicação.

E falar que a banda “se virou” seria injusto.

Eles atropelaram.

Logo nas primeiras notas, ficou claro que a Rotentix não estava ali para ser coadjuvante. O vocalista, agora também empunhando o baixo, trouxe uma postura crua — aquela energia urgente e nervosa que só o punk old-school entende.

Riffs Cortantes de Thiago.

Bumbo de Alex acelerado, sem piedade.

Voz áspera de Douglas , cuspida, cheia de rua.

A banda não buscou perfeição: buscou verdade — e encontrou.

O setlist, colado no chão com fita como manda o manual do underground, ia de clássicos próprios a ataques diretos e humor ácido. Hinos como:

  • Assustador
  • Cemitério
  • Olheiras
  • Ele Te Explorou
  • Surfex
  • Punk Rock 4 Fun
  • Fucking Cretin
  • Rotenseddedos
  • Estou Fora

E outros petardos curtos, rápidos e cheios de sarcasmo e cotidiano sujo.

Sem intervalos, sem enfeite — 1, 2, 3, 4 e toma-lhe pancada sonora.

O punk não espera, e a Rotentix entende isso bem.

Na guitarra, ataques secos e precisos — sem firula.

Na bateria, velocidade, pegada e presença.

No baixo/vocal, raiva catalisada em ritmo e microfone.

O trio ocupou o palco inteiro, compensando a ausência de um integrante com sangue, grito e atitude. Não teve pena, não teve lamento — teve punk trabalhando com o que tem, transformando dor em barulho.

Como sempre foi.

Como sempre deve ser.

A Rotentix fez o que o punk manda: não desmarcar, não fraquejar, não abaixar a cabeça. Em uma noite grande, diante de um público vindo para ver um nome histórico, eles entregaram um show honesto, barulhento e fiel às origens do estilo.

O palco foi deles.

O barulho foi deles.

A mensagem foi clara:

No punk, a gente não desiste — a gente sobe no palco e faz doer junto.

Texto e fotos: Giovanni Maglia (@gmaglia)

Cobertura: Cogumelo em Cena

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