
Simbólico, agressivo e fúnebre, 7 Palmos é o EP que reafirma o Carniça de Bode como uma entidade fiel à podridão sonora que sempre propôs, mas agora com ainda mais coesão, peso e intenção. Lançado em novembro do ano passado, o trabalho soa como um manifesto curto, direto e violento exatamente como o bom metal extremo deve ser.

Me chamou bastante atenção o cuidado que cada musica faz a deixa para a próxima, não chega a ser exatamente um pot-pourri tradicional, mas tive a impressão que a mixagem se propôs a buscar a próxima faixa no final da antecessora, um excelente trabalho, desde a Introdução a la José Mojica o clima é de um verdadeiro funeral; uma ambientação mórbida que prepara o terreno para a sequência de faixas que não dão trégua. Quando “Filho de Satanás”, faixa essa já apresentada anteriormente, fica claro que o EP não busca inovação gratuita, mas sim refinar a brutalidade. Os riffs são sujos, a bateria é seca e agressiva, e os vocais carregam ódio e ironia em igual medida.
Acompanhada por “Piloto do Diabo” e “Espíritos do Mal” , o trabalho da banda mostra uma execução confortável dentro do caos que cria. A execução é direta, sem firulas, remetendo ao espírito do hardcore e do metal extremo dos anos 80 e 90, mas sem soar datada. O som é cru, porém bem resolvido, passando longe da desorganização, a sujeira se demonstra como estética, não como descuido, os caras sabem de fato o que estão fazendo, conjunto relativamente harmônico, tudo parece estar no lugar, confesso que senti menos algumas linhas do baixo, mas ainda estão lá.
“Seita Hostil” pra mim, funciona como um dos pontos altos do EP, tanto pela agressividade quanto pela atmosfera de confronto ideológico que a banda sempre soube explorar, um verdadeiro ode a agressividade direcionada, cadenciada e forte, de fato “bem vindos a loucura”, isso ao vivo deve ser um espetáculo sangrento de socos e pontapés. Já a faixa-título, “7 Palmos”, encerra o trabalho de forma pesada e quase ritualística, deixando a sensação de que o ouvinte foi enterrado junto com o disco.
No geral, 7 Palmos é um prelúdio de selvageria que não se propõe a dialogar com tendências modernas, segue a fórmula underground, mecânica e que funciona muito bem, fudido, gostoso de ouvir, é áspero e seco, agrada quem conhece hardcore extremo. Ele existe para firmar posição, mantendo viva uma linguagem extrema, anticristã e marginal, pilares que sustentam o Carniça de Bode desde sua origem. É um EP curto, mas denso, que reforça a identidade da banda e prova que, mesmo sem reinventar a roda, ainda há muito impacto em fazê-la girar sobre ossos.
Um lançamento recomendado para quem busca peso, honestidade e desprezo por convenções, para finalizar em plena blasfêmia, no dia 25 de dezembro a banda lançou o video clipe da faixa Seita Hostil, muito bem produzida e que vale a conferida.








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