Banda se apresentando em palco, com músicos tocando instrumentos e cantando, em um ambiente decorado com grafite.

Entre o fim de janeiro e o início de fevereiro, a Código Penal viveu uma experiência que vai além da estrada e do palco. A banda esteve em São Paulo participando de uma imersão cultural e artística na Nave Coletiva, sede da Mídia Ninja, no bairro do Cambuci, como parte do projeto Som do RS, que reuniu 56 artistas gaúchos em circulação nacional.

A viagem começou em Porto Alegre, no dia 29 de janeiro, com destino a um dos espaços mais simbólicos da produção cultural independente no Brasil contemporâneo. Ainda no trajeto de ônibus, a proposta já se fazia sentir: troca, escuta, conversa e conexão entre artistas de diferentes linguagens, trajetórias e territórios. A estrada, mais uma vez, cumpria seu papel formador.
A chegada à Nave Coletiva, na sexta-feira, foi marcada por acolhimento e estrutura. O espaço — que mistura residência artística, centro de mídia, palco, alojamento e ponto de encontro — respira liberdade criativa, diversidade e engajamento político. Um lugar onde arte não é ornamento, mas ferramenta de transformação. A banda conheceu de perto a dinâmica da Nave e da Mídia Ninja, em uma apresentação institucional que ajudou a compreender a dimensão do projeto.

Uma plateia atenta em um evento cultural, com um palestrante sentado à frente, rodeado por arte nas paredes e pessoas em várias posições, prestando atenção.

Ainda na sexta, os artistas participaram de uma palestra com Fabiana Lian, voltada ao planejamento de carreira e desenvolvimento profissional. Um momento importante de reflexão prática, que dialoga diretamente com a realidade de quem constrói trajetória fora dos circuitos tradicionais. A noite terminou em confraternização, celebrando o encontro de vozes, sotaques e histórias distintas, unidas pela produção independente.

No sábado, a Nave Coletiva abriu espaço para os primeiros shows. O Código Penal acompanhou e prestigiou apresentações de nomes como Sotaques da Fronteira, Freak Brothers, Leu Kalunga, Supervão, A Virgo e ZillaDxG. O público respondeu bem, o ambiente se mostrou receptivo e as conexões se aprofundaram — não apenas entre artistas, mas também entre ideias, estéticas e discursos.

O domingo marcou o dia da apresentação da Código Penal. Antes do palco, a banda participou de uma conversa com Pablo Capilé, fundador da Mídia Ninja. O encontro foi direto, honesto e simbólico. Houve diálogo, troca de visões sobre cultura, comunicação e resistência, além da entrega de um disco da banda como gesto de agradecimento e reconhecimento pelo espaço aberto.

Banda se apresentando em um palco, com músicos tocando guitarra, bateria e microfone, em um ambiente com uma parede grafitada.

À noite, a Nave Coletiva recebeu os shows de Chá de Brothers, Rap Pampa Crew (com participação do DJ Lúcio HC), Código Penal, Camilla Balbueno, Jalile, Batuca na Bituca e Gabi Lamas. A apresentação da Código Penal teve forte resposta do público e foi transmitida ao vivo, permitindo que familiares, amigos e apoiadores no Rio Grande do Sul acompanhassem o show em tempo real — um elo simbólico entre territórios, cenas e afetos.

A circulação foi articulada por Paulo Zé, idealizador do Morrostock, com apoio da equipe do Som do RS, da Nave Coletiva e da Mídia Ninja. O retorno a Porto Alegre encerrou uma experiência intensa, formativa e profundamente significativa.

Mais do que a primeira passagem da Código Penal por São Paulo, a ida à Nave Coletiva marca o início de uma nova etapa. Uma banda com mais de três décadas de underground que segue em movimento, ampliando diálogo, ocupando espaços e reafirmando que cena se constrói com presença, troca e posicionamento.

Grupo diversificado de pessoas posando em um espaço interno, sorrindo e fazendo gestos de felicidade em um evento comunitário.

Fotos por @juanedelvillar e @c_rangel

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