
Depois da estreia da turnê em Chapecó, a All Metal Stars BR – Homenagem a Andre Matos chegou a Porto Alegre no dia 6 de março, levando ao palco do tradicional Opinião mais um capítulo dessa jornada dedicada à obra de um dos maiores nomes da história do metal brasileiro.
A noite começou com um público ainda chegando aos poucos. Durante a apresentação da Krakkenspit, o clima era mais tímido, com parte da plateia observando com atenção enquanto a casa começava a ganhar corpo.
Krakkenspit mantém o peso na abertura
Mesmo diante de um público ainda em processo de aquecimento, a Krakkenspit manteve a mesma postura sólida apresentada na noite anterior em Chapecó.

O quarteto comandado pelo vocalista Márcio Cruvinel mostrou novamente um metal direto e pesado, com riffs firmes e uma base rítmica precisa formada por Julian Stella no baixo e Bruno Dias na bateria, enquanto Aldo Guilherme conduzia as guitarras com segurança.
O set trouxe novamente músicas como “Tides of Armageddon”, “I’m Falling”, “They Won’t”, “Love Forever Dead”, “Fear My Name”, “Get Your Feet Off” e “Long Wild Roads”, consolidando a abertura da noite com um som consistente e bem executado.
A cada música, mais pessoas iam ocupando o espaço em frente ao palco, preparando o terreno para o restante da programação.




Phornax encontra o público da casa
Quando o Phornax entrou no palco, a atmosfera no Opinião já começava a mudar. O público estava mais próximo, mais atento, e a banda aproveitou bem esse momento para fortalecer a conexão com a plateia.

A formação atual do grupo mostra uma química clara entre Deivid Moraes e Eduardo Martinez nas guitarras, alternando peso e melodias com naturalidade. Na base rítmica, Sfinge Lima trouxe seu groove marcante no baixo, enquanto Maurício “Bomba” manteve a bateria sólida e direta.

À frente da banda, Cristiano Poschi conduz o show com autoridade e presença. Impressiona a qualidade e a imponência de sua voz, clara, forte e segura, mostrando um vocalista em uma excelente fase. Poschi domina o palco com naturalidade, alternando momentos mais melódicos com passagens de maior peso, sempre mantendo o público envolvido ao longo do set que incluiu “Hell’s Paradise”, “Dare of Destruction”, “Final Beat”, “A Matter of Time”, “Silent War”, “Ghosts from the Past” e “Between Fear and Hope”.
Um dos momentos mais marcantes da apresentação aconteceu durante “Final Beat”, quando a banda contou com a participação da Bailarina Aline Mesquita. Com uma performance intensa e elegante, ela trouxe ainda mais impacto visual ao momento, somando movimento e energia à atmosfera da música e arrancando aplausos do público.
A resposta da plateia já era bem diferente da abertura da noite. Cabeças balançando, punhos erguidos e uma sensação crescente de que o Opinião estava pronto para o momento principal.





All Metal Stars transforma o Opinião em coro
Quando a All Metal Stars – Homenagem a Andre Matos subiu ao palco, o cenário já era outro. A parte de baixo do Opinião estava praticamente lotada, e a energia da plateia deixava claro que o público estava pronto para cantar cada música.

A abertura com “Carry On” foi recebida em coro, com a plateia acompanhando cada verso. A partir dali, o show seguiu como uma verdadeira viagem pela obra de Andre Matos.
Nos vocais, Thiago Bianchi conduz a apresentação com absoluta segurança. Sua performance é impecável — potência vocal, alcance e técnica aparecem em seu auge, sustentando com autoridade um repertório exigente e carregado de história. Em vários momentos fica evidente o equilíbrio entre respeito ao legado de Andre Matos e a personalidade própria que Bianchi imprime às interpretações.
Aquiles Priester na bateria, Edu Ardanuy nas guitarras e Dani Matos, irmão de Andre, no baixo. Nos teclados, Fábio Laguna recriava as atmosferas que sempre fizeram parte da identidade dessas músicas, enquanto Guilherme Torres e Saulo Xakol reforçavam a base instrumental.
O repertório manteve o mesmo formato apresentado na estreia da turnê, passando por músicas como “Here I Am”, “Time”, “Carolina IV”, “Wuthering Heights”, “Living for the Night”, “Stand Away”, “Make Believe”, “Fairy Tale”, “For Tomorrow”, “Nothing to Say” e “Angels Cry”.
Foi justamente durante “Living for the Night” que a noite atingiu um de seus momentos mais intensos. Dani Matos assumiu os vocais e, enquanto o Opinião cantava junto, este mero resenhista não conseguiu segurar a emoção. As lembranças da adolescência voltaram com força — dias em que o Viper tocava repetidamente nos fones de ouvido, ajudando a moldar uma relação que dura até hoje com o metal.

Durante a apresentação dos integrantes da banda, Aquiles Priester aproveitou o momento para compartilhar algumas histórias da estrada. Entre elas, falou sobre o papel fundamental que Edu Ardanuy teve no início de sua carreira, lembrando da responsabilidade e da influência do guitarrista naquele período. Foi um daqueles momentos em que o show ultrapassa a música e revela um pouco da história e das relações que ajudaram a construir o metal brasileiro.
Às vezes a música faz isso. Ela abre portas que estavam guardadas há décadas.
Também houve espaço para participações especiais. Guy Antoniolli, vocalista da Tierramystica, subiu ao palco para interpretar “Letting Go”, enquanto Cristiano Poschi, da Phornax, assumiu os vocais em “Lisbon”, reforçando o espírito colaborativo da turnê.
Porto Alegre canta junto
Se o início da noite foi mais contido, o final mostrou exatamente por que Porto Alegre tem uma relação tão forte com o metal.
Com a plateia completamente envolvida, refrões cantados em coro e uma energia crescente a cada música, o Opinião se transformou em um grande encontro entre músicos e público em torno da obra de Andre Matos.
A turnê segue estrada adentro, cruzando o país nas próximas semanas.
Depois de acompanhar os dois primeiros capítulos dessa jornada em Chapecó e Porto Alegre, a Cogumelo em Cena faz agora uma breve pausa na cobertura da estrada. Retornamos nas próximas datas da turnê em São Paulo, Brasília e Rio de Janeiro, onde continuaremos registrando os próximos capítulos dessa homenagem que segue emocionando plateias por onde passa.






A Cogumelo em Cena também agradece ao Cristiano Poschi e à Arena Produções pela confiança e pela oportunidade de registrar e contar uma parte dessa história única do metal brasileiro.








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