A group of eight individuals pose on a quiet street at night, surrounded by trees and urban scenery, with some wearing hoodies and casual clothing. The text 'CoFF CoFF' is displayed prominently above them.

A banda CoFF CoFF foi criada em Montevidéu, no Uruguai, em meados da década de 1990, dentro de um contexto de efervescência cultural e mobilização estudantil. Formado por jovens músicos ligados à cena alternativa da capital uruguaia, o grupo construiu sua identidade sonora misturando rock, ska, punk e ritmos latinos, resultando em um som vibrante, marcado tanto pela energia festiva quanto por letras de viés crítico e social.

Formada por Sebastian Silva (voz), Leonardo Mutter (baixo e voz), Juan Carlos Mendez (saxofone), Pablo Trindade (percussão), Chars Aguirre (guitarra), Fernando Novas (teclado), santiago Nicolenco (bateria) e Juan Amorin (trompete) e Viviana Moreira (voz), recentemente lançaram o clipe da música “Transmutando”, que teve mais de 40 mil acessos em poucos dias, e que pode ser assistido aqui:

Veja a seguir a entrevista com o baixista Leonardo Mutter:

COGUMELO: Por que CoFF CoFF? Fale um pouco do início da banda.

LEONARDO MUTTER: A banda surgiu durante as ocupações estudantis de 1996. Sebastian é o único membro remanescente daquela época, e o nome tem várias teorias, desde o nome de um cachorro que estava presente durante as ocupações até uma associação com a tosse característica de quem fuma e prende a respiração. Deixaremos o significado para a sua imaginação, hehe.

Em 1998, fizemos nossas primeiras gravações e tocamos em shows por todo o Uruguai, nos tornando parte da cena underground da zona oeste de Montevidéu, onde vive a maior parte da classe trabalhadora da cidade. Nossas letras eram politicamente engajadas e refletiam a realidade da época. Em 1999, fomos para Buenos Aires, onde tocamos na capital e no interior. Naquele ano, depois de conhecermos a banda argentina Karamelo Santo, eles gravaram e produziram nosso primeiro e único álbum até hoje, “La Que Mato King Kong”, que reflete nossa ampla gama de influências musicais: ska, punk, ritmos latinos, etc. Naquela época, quando nos perguntavam qual era o nosso estilo, chamávamos de “La feria del Rock” (A Feira do Rock) por causa da amplitude das influências.

Quais são as influências de vocês?

As influências vêm de cada membro, todos que entram na banda trazem seu próprio estilo, e é assim que ela se desenvolve. No início, havia influências do rock uruguaio dos anos 80, que Sebastian e eu ouvíamos muito, bandas como Los Estomagas e Los Traidores. No meu caso, venho de várias influências, de Lou Reed, Velvet Underground, Pink Floyd, Led Zeppelin, Deep Purple, Sex Pistols e muito grunge, Nirvana, Alice in Chains, Pixies, etc. O guitarrista anterior tinha muitas influências brasileiras porque sua mãe era brasileira e ele ouvia muito Titas, Legião Urbana, etc. Como mencionei antes, cada membro traz suas próprias influências para a banda. Agora, com essa formação, um som novo e mais atual está surgindo. Essa é a grande vantagem de ter tantos membros, cria-se uma mistura muito rica.

O clipe Transmutando está tendo boa repercussão. Fale um pouco sobre a produção.

Sobre o novo vídeo “Transmutando”, o vocalista Sebastian o descreve como um vídeo que complementa o tema da música, que fala sobre mudança, transformação e desapego de estruturas. Não conta uma história literal, mas sim mostra uma jornada mais caótica e surreal, como se fosse a mente em movimento. Em última análise, trata-se de ousar viver de forma diferente, romper com o antigo e se deixar levar pela mudança. Eu acrescentaria que também é um reflexo do mundo atual e do individualismo que querem nos impor como uma forma de dominação disfarçada de liberdade, mas que cada um tire suas próprias conclusões…

Como está a agenda da banda?

Quanto às atividades da banda, no primeiro semestre do ano faremos shows em Montevidéu. Em seguida, nos apresentaremos no Hotel del Prado, uma experiência que vivenciamos no ano passado, que conta com um show de luzes interativo e projeção mapeada que, combinado com a beleza do local, cria uma atmosfera incrível. Depois disso, faremos uma pequena turnê em Buenos Aires e, no dia 12 de junho, tocaremos no “Live Era”, a principal casa de shows de Montevidéu. Para o segundo semestre, temos uma turnê planejada no Chile e, muito provavelmente, retornaremos ao sul do Brasil.

Como você define a cena roqueira uruguaia?

Eu diria que a cena do rock uruguaio é complexa. Há muitas bandas, poucos locais adequados para tocar e, além disso, é um mercado pequeno, o que te força a olhar além das fronteiras para crescer. Bandas como La Vala Puerca ou El Cuarteto De Nos fizeram exatamente isso e hoje fazem turnês pelo mundo. Tocar fora de casa é sempre um prazer. Poder viajar e compartilhar nossa música em outras cidades e países é uma das melhores coisas que acontecem a nós, músicos. O público uruguaio é muito diferente do brasileiro, eles são mais receptivos, mais alegres, mais propensos a dançar, e isso é contagiante e nos faz querer voltar sempre. Encontrar colegas como Lucas Hanke em Porto Alegre também é muito gratificante e nos enriquece culturalmente.

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