Bandas transformaram o palco em espaço de denúncia, identidade e conexão com o público no circuito underground carioca.


Na Audio Rebel, Botafogo, Rio de Janeiro, a música foi além do entretenimento e assumiu papel de manifestação. O espaço já é propício pra isso! Em uma noite marcada por intensidade e engajamento, as bandas Trama e Asfixia Social conduziram o público por uma experiência que misturou crítica social, identidade cultural e participação coletiva. A Trama Chegou, trazendo a alegria pro povo, abrindo a programação com “Estragos Unidos”, já estabelecendo o tom político do show. A faixa aborda as formas de intervenção dos Estados Unidos em outros países, trazendo à tona questões ligadas a interesses militares, econômicos e geopolíticos. Sem recorrer a sutilezas, a banda construiu uma apresentação pautada pela denúncia direta. É a faixa que se encontra em um trabalho futuro da banda, estamos todos anciosos por isso… ao vivo, essa faixa adquiriu um peso e presença que abalou as estruturas de forma ímpar, estávamos entregues a um groove sem precedentes.


Na sequência, “Valeu, Piloto” manteve a intensidade, logo seguida da clássica “A Trama Chegou” que ampliou a conexão com o público. A banda evidencia influências que passam pelo peso crítico de Racionais MC’s, Jorge Ben, tambores do mangue beat, funk e hardcore, sem abrir mão de uma identidade própria. Ao longo do set, temas como racismo, misoginia e violência policial foram abordados com consistência e clareza. O encerramento veio com o entoar da “Killing in the Name”, do Rage Against the Machine, em um dos momentos mais marcantes da noite. O público acompanhou em coro, transformando a apresentação em um ato coletivo.



A noite que já estava em clima de festa, já se aprontava para o momento em que a Asfixia Social assumisse o palco com uma proposta sonora diversa, marcada por influências afro-latinas e forte presença rítmica. A abertura com “Brasil com V” e “O Planeta Tá Vivo” manteve o público em comunhão, reforçando o diálogo entre música e crítica social. É brilhante como a Asfixia Social se carrega de elementos líricos em ingles, espanhol e portugues com muita propriedade, uma das cançoes mais sensitivas foi a “Baião de Dois”, a banda trouxe à tona o tema da fome, inserindo uma pausa agressiva e crítica em meio à energia do show. Já “Silent Destruction” manteve a intensidade, reafirmando a força da apresentação, um dos pontos mais alto do show. A performance se destacou pela fusão de elementos do rap, hardcore, referências nordestinas, trompete, religiosidade que, longe de parecerem desconexos, construíram uma narrativa coerente sobre diversidade e identidade brasileira. Referências corporais e culturais, como “Capoeira, Karatê”, ampliaram essa dimensão, contribuindo para um ambiente de forte interação.

Eu não sei como se deu o encejo, mas o genio que proporcionou esse card TRAMA+ASFIXIA SOCIAL , sabia muito bem o que estava fazendo pois a identidade, e entrosamento critico/lírico de ambas, conversam de forma tão conexa que pra mim, esses caras deveriam tocar juntos sempre… brincadeiras a parte, foi belo, sincero e muito forte o que se constriu enquanto evento nessa sábado na Audio Rebel.



O resultado foi uma catarse coletiva, em que público e artistas compartilharam o mesmo espaço de expressão. Encerrando a noite, a Asfixia Social demonstrou mais uma vez porque tem a sua presença consolidado no cenário underground, representando São Paulo em terras cariocas com uma performance segura e envolvente. Mais do que um show, o evento se firmou como um espaço de escuta, posicionamento e troca.




















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