Banda se apresentando ao vivo no palco, com músicos tocando guitarra e baixo, sob luzes coloridas e fumaça.

Casa completamente lotada no URB Stage. E isso diz muito antes mesmo do primeiro acorde. O Blackberry Smoke subiu ao palco em Porto Alegre com a tranquilidade de quem não precisa provar nada e com a consistência de quem construiu uma carreira baseada em estrada, repertório e identidade.

Essa foi a segunda passagem da banda pela capital gaúcha. A primeira, em 2019, no Opinião, já havia deixado claro o vínculo com o público local. Agora, anos depois, o retorno veio maior, com casa cheia, público entregue e uma banda ainda mais sólida.

Músico tocando guitarra elétrica em um show ao vivo, com fumaça e luzes coloridas ao fundo.

A abertura com “Good One Comin’ On” já mostrou o eixo do show. Charlie Starr segura tudo com naturalidade, conduzindo a banda sem excessos, com aquela presença de quem entende exatamente o peso das músicas que carrega. Ao lado dele, Paul Jackson trabalha as guitarras com precisão, enquanto o groove de Richard Turner mantém a base firme, conectando tudo.

Músico tocando baixo em um show, com cabelos longos e camiseta de manga longa, sob luzes de palco.

“Six Ways to Sunday” e “Hammer and the Nail” consolidam a dinâmica, e quando “Rock and Roll Again” entra, a casa já está completamente entregue. O URB Stage deixa de ser apenas um espaço e vira troca.

Dois músicos tocando guitarra em um palco, um com uma guitarra elétrica laranja e o outro com uma guitarra preta.

Com o set avançando, Brandon Still adiciona textura e profundidade, enquanto Benji Shanks reforça o peso e as camadas de guitarra que dão identidade ao som da banda. “Till the Wheels Fall Off”, “Hey Delilah”, “Pretty Little Lie” e “Let It Burn” mantêm o show fluindo com naturalidade, sem oscilações.

Em “Waiting for the Thunder”, a banda mostra controle absoluto do tempo. Nada é apressado. Tudo é construído.

Mas o Blackberry Smoke também sabe parar e sentir.

Na sequência com “Sure Was Good”, “Sleeping Dogs” e “Azalea”, o show ganha profundidade. A banda desacelera, cria atmosfera e deixa o som respirar. É nesse momento que a ausência se torna impossível de ignorar.

A falta de Brit Turner pesa. Não só pela técnica, mas pela história. A homenagem feita durante o show foi simples, direta e respeitosa. Sem exageros. Sem dramatização. Apenas o reconhecimento de quem ajudou a construir tudo aquilo.

E é justamente depois desse momento que o presente se impõe.

Baterista sorrindo enquanto toca bateria, com um fundo colorido e um tambor decorado com uma ilustração de um galo.

Nas baquetas, Kent Aberle assume o lugar com respeito e firmeza. Não tenta substituir. Sustenta. E isso faz diferença. A bateria segue pulsando, mantendo a identidade da banda intacta enquanto aponta continuidade.

“Everybody Knows She’s Mine” retoma o groove e prepara o terreno para um dos momentos mais fortes da noite. “One Horse Town” transforma o URB Stage em um coro coletivo. O público canta junto não como festa, mas como identificação.

A reta final vem sólida com “Ain’t Got the Blues”, “Up in Smoke” e “Old Scarecrow”, mantendo o pulso firme. Em “Run Away From It All”, a banda já está completamente solta, enquanto o público acompanha cada movimento.

Então vem “On the Hunt”, do Lynyrd Skynyrd. Mais do que cover, é uma declaração clara de pertencimento.

O encerramento com “Ain’t Much Left of Me” fecha o show com intensidade, sem exagero, sem necessidade de grandiosidade artificial.

O que se viu no URB Stage não foi apenas um grande show. Foi continuidade.

Uma banda que retorna à cidade mais forte, mais madura e carregando consigo não apenas sua história, mas também suas ausências.

Porto Alegre respondeu como deveria. Casa cheia, público presente e uma noite que deixou claro: o southern rock segue vivo, mas acima de tudo, segue humano.

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