
O retorno do Lucifer ao Brasil ganhou um peso especial em Porto Alegre no dia 20 de abril. Pela primeira vez na capital gaúcha, a banda transformou o Espaço Marin em um verdadeiro ritual sonoro.
Longe de um show convencional, a apresentação foi conduzida como uma experiência sensorial completa, onde estética, atmosfera e execução caminharam juntas do início ao fim.Divulgando o álbum Lucifer V, a banda apresentou um setlist que percorreu diferentes fases da carreira, equilibrando peso, melodia e densidade atmosférica com precisão.
A abertura com “Anubis” e “Ghosts” já estabeleceu o clima, preparando o terreno para a sequência com “Crucifix” e “Riding Reaper”, que deram o primeiro impacto mais direto da noite.A partir de “Wild Hearses” e “Lucifer”, o show entrou em um fluxo mais hipnótico, aprofundado em “At the Mortuary”, uma das faixas mais marcantes do repertório recente. “Slow Dance in a Crypt” reforçou o lado mais arrastado e ritualístico da banda, enquanto “The Dead Don’t Speak” e “California Son” ampliaram a dinâmica sem quebrar a imersão.Na reta final, “Bring Me His Head” e “Going Blind” prepararam o terreno para um dos momentos mais fortes da noite: “Fallen Angel”, recebida com intensidade pelo público e funcionando como um fechamento à altura da proposta construída ao longo do show.

A condução da apresentação passa diretamente pela presença de Johanna Sadonis, cuja performance segura e magnética centraliza toda a estética da banda. Sem exageros, sua presença reforça o caráter ritualístico do show, enquanto a base instrumental sustenta com consistência uma sonoridade que transita entre o doom, o hard rock setentista e o occult rock clássico.

A iluminação, marcada por tons vermelhos e sombras densas, contribuiu para transformar o palco em um ambiente quase litúrgico, reforçando a proposta visual e sonora da banda.O público respondeu com atenção e envolvimento constantes, absorvendo cada momento sem dispersão. Não se tratava de explosão, mas de conexão — uma troca silenciosa, porém intensa.

A estreia do Lucifer em Porto Alegre não foi apenas mais uma data da turnê. Foi a materialização de uma expectativa construída ao longo dos anos, entregue com precisão, identidade e consistência. Um show que não busca atalhos — e exatamente por isso permanece.













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