
O retorno da Hangar aos palcos de Porto Alegre depois de oito anos veio carregado de significado, e a turnê “Stronger Than Ever” não poderia ter um nome mais preciso para definir o que foi apresentado.
Antes disso, a noite começou com a Ritualist, responsável por abrir o evento com um metal mais obscuro e envolvente.

Formada por Rogério Reis (guitarra), Ricardo Janke (vocal) e Eberson Morais (baixo), a banda precisou se adaptar à estrutura do palco — a bateria de Aquiles Priester ocupava grande parte do espaço, inviabilizando um segundo kit. A solução foi utilizar bateria programada.

E, dentro da proposta da banda, funcionou.
O set passou por “Vampire Brother”, “Temple of Madness”, “Fallen Angels”, “The Hero”, “Silicon Heart”, “Evilution”, “Simulacra” e “Your Mask”, criando uma atmosfera densa, contínua e bem alinhada com a identidade do grupo, preparando o terreno para o que viria depois.











Com o ambiente estabelecido, o Hangar subiu ao palco com sua formação atual — Pedro Campos (vocal), Cristiano Wortmann e Guto Gibson (guitarras), Nando Mello (baixo), Aquiles Priester (bateria) e Fabio Laguna (teclados) — mostrando uma banda não apenas de volta, mas completamente no controle.

O show abriu com “Just the Beginning”, funcionando como uma afirmação direta. Na sequência, os medleys “Like Wind in the Sky / Hastiness / Your Skin and Bonés” e “Legions of Fate / One More Chance / Forgive the Pain” já deixavam claro que a proposta não era apenas revisitar o passado, mas reorganizar a própria história com intensidade e fluidez.

A dinâmica seguiu com “To Tame a Land / Inside Your Soul / The Silence of Innocent ”, alternando peso e construção melódica, até chegar em “Prisioneiro do Alvorecer”, que reforçou o lado mais direto da banda.
Um dos momentos mais marcantes da noite veio com “Call in the Name of Death”, que contou com a participação especial de Cristiano Poschi e Eduardo Martinez, hoje integrante do Phornax. A entrada dos dois ampliou o peso da música e trouxe uma conexão clara entre diferentes fases e gerações da cena.

Na sequência, “Time to Forget” e “Haunted by Your Ghost” trouxeram uma carga mais emocional, preparando o terreno para a reta final com “Dreaming of Black Waves”, “Just Like Heaven” e o medley “A Letter from 1997 / Colorblind .
“Savior” manteve o nível alto antes do encerramento com “The Infallible Emperror / Some Light to Find My Way / The Reson of Your Conviction”, fechando o show com precisão e identidade.

No palco, o Hangar soou absolutamente encaixado. Aquiles Priester segue como referência técnica, Fabio Laguna adiciona camadas que expandem o som sem tirar o peso das guitarras, enquanto Cristiano Wortmann e Guto Gibson trabalham com entrosamento total. Nando Mello sustenta tudo com firmeza, e Pedro Campos assume os vocais com segurança e personalidade.
O público respondeu como se o tempo não tivesse passado. Refrões cantados, atenção total e conexão constante do início ao fim.
Esse retorno não foi sobre nostalgia.
Foi sobre reafirmação.
E, depois de oito anos, ficou claro: o Hangar não voltou para lembrar quem foi — voltou para mostrar, com todas as letras, quem ainda é.





















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