
A seletiva do Porão do Rock tomou conta do Circo Voador na sexta-feira, 01 de maio, reunindo 10 bandas em uma noite que deixou claro o tamanho e a diversidade da cena independente atual. Com sets curtos, entre duas e três músicas, cada grupo precisou ser direto, sem espaço para construção lenta. Ou funcionava na hora ou se perdia no caminho.

A EMET abriu os trabalhos assumindo o desafio clássico de qualquer primeira banda, tocar para um público ainda em formação. Com uma sonoridade puxada para o post grunge, carregando ecos de Creed, a banda cumpriu bem o papel de dar o pontapé inicial na noite.


Na sequência, a Pic-Nic trouxe um momento mais contido, apostando em uma atmosfera introspectiva e melódica, com referências próximas ao universo de Plutão Já Foi Planeta. Funcionou como respiro.

A Playmoboys começou a desenhar melhor o clima da noite, apostando em uma construção mais alternativa, explorando bem a presença de teclado junto às guitarras e criando uma camada sonora interessante no palco.


Quando a Herança Negra entrou, a dinâmica mudou de verdade. Direto do Espírito Santo, a banda não apenas elevou o nível, ela reposicionou a noite. Com peso, discurso e presença, trouxe letras críticas carregadas de tensão e uma entrega mais agressiva, sem espaço para dispersão. Foi o momento em que o público deixou de apenas observar e passou a reagir com intensidade, transformando o momento em um dos mais marcantes da noite.

Na sequência, a Ereboros levou essa mudança ainda mais longe e rompeu de vez a dinâmica que vinha sendo construída. Representando o heavy metal com autoridade, a banda entrou sem pedir licença e tomou o palco com uma parede sonora densa, riffs pesados e uma execução direta, sem respiro. A partir dali, a seletiva mudou de patamar. A resposta da plateia foi imediata, intensa e contínua.

Com esse nível estabelecido, a FIRE IN THE PARK entrou com a missão de sustentar a pressão, e conseguiu. Com uma proposta direta e bem resolvida, manteve a energia em alta e segurou o público conectado, evitando qualquer queda no ritmo da noite.


A SOUND BULLET assumiu o palco em um dos momentos mais sensíveis da programação. Com a atenção do público já consolidada, a banda encontrou espaço para trabalhar sua presença e manter o engajamento

Na reta final, o clima de disputa já era evidente. a Trama subiu ao palco. Com a noite já em alta voltagem, a banda não recuou, avançou. Com postura, confiança e um discurso afiado, entregou uma apresentação que não apenas acompanhou o nível, mas se impôs acima dele. Misturando rock and roll com elementos do rap, dominou o momento com naturalidade, como quem sabe exatamente o que está fazendo. A conexão com o público foi imediata, constante e decisiva.

Com o nível elevado, a Silvertape assumiu a responsabilidade de sustentar essa pressão, e conseguiu. Apostando em uma fusão entre rap, rock moderno e groove, a banda trouxe uma performance firme, com letras incisivas e presença de palco segura. Sem deixar a energia cair, manteve o público conectado e preparou o terreno para a reta final da disputa.

Fechando as apresentações, a Primadama trouxe um contraste interessante, apostando em uma sonoridade mais melódica. Com influências que vão de Evanescence a Foo Fighters e Pitty, o destaque ficou para a presença de palco e a expressividade da vocalista Angélica Ribeiro, que segurou bem o encerramento do bloco competitivo.

Encerrando a programação, já fora do caráter competitivo, a TRAMPA, vinda diretamente de Brasília, trouxe ao palco toda a força do rock. Abrindo o show principal, a banda entregou uma apresentação intensa, direta e cheia de atitude, incendiando o Circo Voador e conduzindo a transição da disputa para o encerramento da noite.


A apuração trouxe a tensão que faltava. Com votos do júri e do público, o resultado confirmou o que já vinha sendo construído no palco. Entre as três mais votadas, presença, atitude e conexão foram determinantes.
Com as músicas “A Trama Chegou”, “Deixa Passar” e “Cidadão de Bem”, a Trama construiu uma performance segura e impactante, conquistando tanto o público quanto o júri e garantindo o primeiro lugar na seletiva carioca do Porão do Rock.



Na sequência, o Matanza Ritual tomou conta do Circo Voador com um show intenso do começo ao fim. Com Jimmy London nos vocais, Antonio Araujo na guitarra, Felipe Andreoli no baixo e Amilcar Christofaro na bateria, a banda entregou um espetáculo sólido, pesado e sem quedas de energia.

Na sequência, o Matanza Ritual tomou o Circo Voador e não soltou mais. Com Jimmy London nos vocais, Antonio Araujo na guitarra, Felipe Andreoli no baixo e Amilcar Christofaro na bateria, a banda entregou um show sem respiro, direto e dominante.




O repertório passou por “Remédios Demais”, “Arte”, “Bom é Quando Faz Mal”, “Tudo Errado”, “Carvão”, “Lei do Mínimo Esforço”, “Imbecil”, “Mulher Diabo” e “Ressaca Sem Fim”, entre outras, transformando o Circo em uma massa pulsante de energia, com o público cantando, gritando e respondendo a cada música.
Mais do que encerrar a noite, o show funcionou como uma descarga final. Depois de uma seletiva intensa, o Matanza Ritual levou tudo ao limite e devolveu na mesma medida. Foi catarse coletiva, barulho, peso e entrega, do palco para a plateia e de volta, fechando o evento com autoridade e deixando claro por que continua sendo um dos nomes mais fortes do rock nacional.







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