
E foi numa sexta-feira de maio, pós trabalho, os comércios nas redondezas da casa ainda estavam abaixando suas portas enquanto a galera ia chegando aos poucos, uns encotrando amigos e amigas de outros shows ou amigas e amigos da vida, não seria um dia duro de trabalho que faria os fãs desanimarem de um rolê tão especial como esse.
Com a discotecagem sempre impecável do querido Thiago DJ, a noite foi embalada por grandes clássicos do punk e hardcore, sons que ajudaram, desde o início, a fazer o público se sentir parte daquele momento especial.
Pra abrir a noite, sem massagem, as Ratas Rabiosas subiram ao palco, e como sempre, colocaram o público pra refletir sobre questões que nunca devem ser esquecidas.

Com barulho, revolta e urgência. O trio construiu sua identidade dentro do hardcore cru e acelerado, com letras que atacam de frente machismo, autoritarismo, fascismo e desigualdade social, sempre sem rodeios. Na formação atual, Angelita, Amanda e Lary mantêm viva essa energia direta, transformando cada música em um grito coletivo vindo das ruas.

Depois de anos fortalecendo seu nome na cena DIY, a banda prepara agora o lançamento de ¡Qué Ardán!, novo trabalho que promete expandir ainda mais o caos sonoro e político que elas carregam desde o início. Pelo que já vêm apresentando, o disco deve manter o espírito agressivo e contestador das Ratas Rabiosas: riffs rápidos, bateria reta no peito e letras que não tentam agradar ninguém. É punk feito para incomodar, provocar e permanecer vivo.

Se vai curtir um show delas, precisa saber que vai precisar ouvir verdades duras sobre a realidade das mulheres de modo geral, é um show que te faz pensar, o objetivo é que todos fortaleçam a luta das minas.

Na sequência, o Asfixia Social tomou conta do palco e da casa, a banda nasceu nas periferias de São Paulo transformando revolta social em música pesada e direta. Misturando hardcore, crossover, rap e metal, a banda construiu uma identidade própria dentro do underground brasileiro, sempre carregando letras que falam sobre desigualdade, violência policial, racismo e sobrevivência urbana. O som do grupo soa como um retrato cru das ruas: agressivo, intenso e cheio de consciência.

Ao longo dos anos, o Asfixia Social ganhou força justamente por unir peso e mensagem sem soar artificial. Cada show da banda funciona quase como um ato coletivo de resistência, onde roda punk, crítica social e energia explosiva caminham juntas.

Com Kaneda nos vocais, trompete e trombone, Thiko na guitarra e também nos vocais, Vagau no baixo, Jahya no saxofone e Barba no comando da bateria, mantendo viva a essência pesada e contestadora que fez da banda um dos nomes mais respeitados do crossover nacional.

O som dos caras tem uma vibe sensacional, mas se engana quem pensa que a brisa dos caras é essa, as letras são carregadas de críticas sociais e as injustiças do mundo.



Acho que até aqui já estava dando pra entender como a noite era mesmo especial né? Mas tem mais, muito mais. Agora era a vez da Eskröta, a banda é do interior de São Paulo, e chegaram trazendo velocidade, peso e uma postura completamente sem filtro. Misturando thrash metal, hardcore e crossover, o trio construiu uma sonoridade agressiva e energética, sempre acompanhada de letras que transitam entre crítica social, resistência feminina e caos urbano. Tudo na banda soa intenso: riffs rápidos, bateria esmagadora e vocais potentes no microfone.

Mesmo relativamente nova, a banda rapidamente conquistou espaço dentro do underground brasileiro pela força absurda de seus shows ao vivo, transformando cada apresentação em um verdadeiro ataque sonoro. O Eskröta carrega aquela essência clássica do thrash oitentista, mas com uma identidade moderna, urgente e totalmente própria.

A formação atual conta com Yasmin Amaral nos vocais e guitarra, Tamyris Leopoldo no baixo e backing vocals e Jhon França na bateria.

Um power trio thrash, hardcore e crossover com uma energia sensacional nos palcos, se acontecer deles fizerem um show na sua cidade, colem sem pensar duas vezes.
E depois de tantos shows sensacionais, era chegada a hora do The Varukers, as lendas do hardcore punk britânico adentraram o palco com a casa cheia e com o público já bem fervoroso por conta de toda atsmofera que já havia sido criada com os shows anteriores.

O The Varukers ajudou a moldar o hardcore punk britânico na base da velocidade, distorção e revolta. Surgida no fim dos anos 70, no auge do caos punk inglês, a banda virou referência absoluta do UK82 e do d-beat, transformando riffs rápidos e letras politizadas em uma descarga sonora crua e agressiva. Ao longo de mais de quatro décadas, o grupo manteve intacta a essência anarcopunk: barulho como protesto e resistência.

Mesmo depois de tantas mudanças na cena e na própria formação, o vocalista Rat segue carregando o espírito original da banda, mantendo vivo aquele som urgente, direto e sem qualquer preocupação em soar comercial. Discos como Bloodsuckers, Another Religion Another War e Murder ajudaram a consolidar o The Varukers como um dos pilares do punk britânico mais pesado e contestador.

O show contou com a participação do lendário João Gordo, que dispensa apresentações, transformando essa parceria em um momento histórico: lendas do punk hardcore dividindo o palco — de um lado o Brasil, do outro a Inglaterra. Uma noite realmente memorável.

No dia 08 de maio de 2026, no Cine Joia, os fãs presenciaram mais uma noite histórica para o som pesado em São Paulo. Isso estava estampado no rosto de cada pessoa presente e em cada show, a entrega das bandas foi algo sensacional de se ver, orgulho do som independente desse país.

E sigamos na luta, valorizando sempre o cenário independente.
“O movimento punk nunca há de morrer.”
Texto: Marcelo Kiss – https://www.instagram.com/marcelo_kiss487/
Fotos: Vitor Gabriel – https://www.instagram.com/viitorgabriiell/














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