
Toda cena underground precisa de bandas que apareçam não apenas para tocar, mas para dizer alguma coisa.
Bandas que sobem ao palco carregando urgência. Que entendem o hardcore não como estética vazia, mas como linguagem de confronto, tensão e sobrevivência dentro de uma realidade cada vez mais sufocante.
A Manifeste surge exatamente desse lugar.

Criada no final de 2025, a banda nasceu da necessidade de se manifestar. E isso não aparece apenas no nome. Está nas letras, na postura, no peso das músicas e na maneira direta com que o grupo encara temas ligados a comportamento humano, violência estrutural, desigualdade e críticas sociopolíticas
Musicalmente, a base vem claramente do hardcore nova-iorquino. Existe peso, velocidade e agressividade, mas também aquela sensação de tensão urbana permanente que sempre acompanhou bandas ligadas ao NYHC.
A formação reúne músicos experientes da cena underground gaúcha: Natha nos vocais, Sebastian Carsin na guitarras, Felipe Farias no baixo e Toni na bateria. Parte da estrutura da banda nasce justamente da longa trajetória de integrantes ligados à The Efficients, ativa desde 2002, além da presença de Felipe, vindo da Afronta Canis.
Mas apesar da bagagem carregada pelos integrantes, a Manifeste não soa como simples continuidade de projetos anteriores.
Existe algo mais urgente acontecendo aqui.
A estreia da banda aconteceu em abril de 2026, em Porto Alegre e Caxias do Sul, dividindo a noite com a Sujeira, de São Paulo. E foi justamente no primeiro show em Porto Alegre que a Cogumelo em Cena acompanhou de perto o nascimento da banda no palco.
O impacto foi imediato.
O set formado por “Eu Manifesto”, “Ainda Estou Aqui”, “Corte as Cordas”, “Gritos de Raiva”, “Racismo Instituído”, “Tente Agora”, “Descartáveis” e “Ouçam os Gritos” deixou clara a proposta do grupo: músicas diretas, agressivas e sustentadas muito mais pela entrega emocional do que por qualquer excesso técnico.
O público respondeu rapidamente.
Mesmo sendo um primeiro show, existia uma conexão visível acontecendo na frente do palco. Aos poucos, a participação aumentava, os gritos surgiam junto dos refrões e aquela sensação clássica do hardcore começava a tomar conta do ambiente: a percepção de que não existe separação real entre banda e público.
Tudo vira uma massa única de energia, suor e tensão.
E talvez esse seja justamente um dos pontos mais fortes da Manifeste.
A banda ainda está começando, mas já demonstra compreender algo fundamental dentro do hardcore: autenticidade não pode ser fabricada.
Ou existe.
Ou não existe.
Atualmente, a Manifeste está em processo de gravação do primeiro trabalho no Hurricane Studio. O disco, intitulado Eu Manifesto, deve reunir entre 11 e 12 faixas e vir acompanhado por uma série de videoclipes, ampliando ainda mais a proposta da banda de misturar manifesto, música e linguagem visual.
Existe uma nova geração do underground gaúcho começando a ganhar forma novamente.
E a Manifeste parece decidida a não passar despercebida dentro dela.
Porque alguns projetos surgem para tocar.Outros surgem porque permanecer em silêncio já não parece mais possível.








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