Quando a Arena Produtora anunciou a Brazilian Metal Forces, a proposta era clara: reunir em uma mesma turnê bandas que representam diferentes momentos da história do metal brasileiro. Mais do que uma sequência de shows, a ideia era colocar lado a lado grupos que ajudaram a construir essa trajetória e outros que hoje escrevem seus próximos capítulos.

A estreia aconteceu no Hard Rock Café Curitiba, dando início a uma jornada que ainda passaria por Florianópolis e Porto Alegre. No palco, XakolPhornaxViper e Korzus mostraram que, apesar das diferenças de estilo e de geração, todos compartilham o mesmo objetivo: manter o metal brasileiro vivo, relevante e em constante evolução.

Xakol abre a noite mostrando personalidade

A responsabilidade de iniciar uma turnê desse porte nunca é pequena. Coube ao Xakol dar o primeiro passo da Brazilian Metal Forces e apresentar seu trabalho diante de um público que chegava ao Hard Rock Café ansioso para assistir também aos veteranos da noite.

Sem recorrer a fórmulas fáceis, a banda apostou na força de seu repertório autoral. A introdução “R.H. Prelude”preparou o terreno para “Restless Hunter”, que imediatamente apresentou a identidade do grupo através de riffs pesados, melodias bem construídas e uma execução bastante segura.

Na sequência, “Runaway”“Rise of a New Sun Pt. 2”“Eternally” mostraram uma banda confortável em palco, com composições que equilibram peso e musicalidade sem perder personalidade.

Para quem conhecia o trabalho de Xakol por outros projetos, o show serviu como uma grata surpresa. O projeto possui identidade própria e demonstrou potencial para conquistar espaço dentro da cena nacional.

Phornax apresenta uma nova fase da carreira

Se o Xakol abriu a noite, o Phornax talvez tenha apresentado a maior evolução visual da Brazilian Metal Forces.

Nos dois dias anteriores ao início da turnê, a reportagem da Cogumelo em Cena acompanhou os ensaios técnicos da banda. Durante esse período, ficou evidente a preocupação do grupo em aperfeiçoar não apenas a execução das músicas, mas a construção do espetáculo como um todo.

O resultado apareceu logo na abertura com “Forged in Metal” e “Hell’s Paradise”.

Mais seguro em palco, o Phornax estreou uma produção baseada em backdrops digitais e vídeos sincronizados com cada música, criando uma identidade visual que acompanha o desenvolvimento do repertório sem competir com a performance dos músicos.

Ao longo de , “Dare of Destruction”“Seeds of Strife” e “A Matter of Time”, ficou evidente que a banda atravessa um momento de amadurecimento. A preocupação com a experiência do público tornou-se parte da apresentação, reforçando uma evolução que já vinha sendo percebida nos últimos anos.

A reta final, formada por “Final Beat”“Blood for Blood”“Ghosts From the Past”“Silent War” e “Between Fear and Hope”, consolidou uma apresentação segura, coesa e extremamente bem planejada.

Mais do que executar bem suas músicas, o Phornax mostrou que começa a compreender a importância da construção de um espetáculo completo. Foi, sem dúvida, uma das apresentações mais maduras da trajetória da banda.

Viper prova que sua história continua sendo escrita

A terceira apresentação da noite colocou no palco um dos nomes fundamentais do heavy metal brasileiro.

Viper chegou à Brazilian Metal Forces mostrando que seu legado não depende apenas da nostalgia.

A última vez que acompanhei a banda havia sido durante o Angra Fest, ainda com Pit Passarell e antes da chegada de Dani Matos ao baixo. Naturalmente, havia curiosidade em relação ao momento atual do grupo.

A resposta apareceu logo nas primeiras músicas.

O Viper mostrou uma formação extremamente sólida, confortável e segura. Leandro Caçoilo conduziu a apresentação com personalidade, enquanto Dani Matos demonstrou total integração ao grupo, sem a preocupação de substituir Pit, mas construindo seu próprio espaço dentro da banda.

O repertório percorreu diferentes momentos da carreira através de músicas como “To Live Again”“A Cry From the Edge”“Evolution”“Dead Light”“Coma Rage”“Soldiers of Sunrise”“Living for the Night” e “Rebel”, equilibrando clássicos e fases distintas da discografia.

Foi um show que reafirmou o Viper como uma banda que respeita sua história, mas continua olhando para frente.

Korzus encerra a noite mostrando por que continua sendo referência

Fechar uma noite que já havia apresentado três grandes performances era uma missão à altura do Korzus.

Minha primeira lembrança da banda remonta a 1992, quando assisti ao Korzus em Porto Alegre dividindo o palco com a Panic. Entre os integrantes da Panic estava o guitarrista Eduardo Martinez, hoje integrante do Phornax, banda que também faz parte desta turnê. Mais de três décadas depois, acompanhar essa coincidência da estrada é perceber como a história do metal brasileiro continua conectando músicos, bandas e gerações.

Mas bastaram os primeiros riffs para que qualquer lembrança desse lugar ao presente.

A formação atual demonstra um equilíbrio impressionante entre tradição e renovação. Ao lado de Marcello PompeuDick Siebert e Rodrigo Oliveira, os guitarristas Jean Patton e Jéssica Falchi acrescentam agressividade, precisão e uma nova dinâmica às músicas sem descaracterizar a essência do Korzus.

O repertório percorreu diferentes momentos da carreira com “Guilty Silence”“Raise Your Soul”“Vampiro”“Catimba”“Agony”“Mass Illusion”“P.F.Y.L.”“Truth”“Guerreiros do Metal” e “Correria”, mantendo intensidade constante durante toda a apresentação.

Marcello Pompeu continua sendo um dos grandes frontmen da música pesada brasileira. Sua presença de palco, experiência e capacidade de conduzir o público permanecem impressionantes.

Durante os anos 1990, inúmeras bandas brasileiras buscavam reproduzir o peso e a identidade do Korzus. Assistindo ao grupo hoje, entende-se perfeitamente por quê. O tempo passou, a formação mudou, mas a personalidade continua exatamente onde sempre esteve.

O primeiro capítulo de uma turnê promissora

A estreia da Brazilian Metal Forces mostrou que a proposta da turnê vai muito além de reunir quatro bandas em um mesmo palco.

Ela aproxima diferentes gerações, estilos e momentos da música pesada brasileira, criando um ambiente onde tradição e renovação convivem de forma absolutamente natural.

Curitiba recebeu o primeiro capítulo dessa história.

A estrada agora segue para Florianópolis, levando consigo não apenas equipamentos e instrumentos, mas a certeza de que o metal brasileiro continua encontrando novos caminhos sem perder suas raízes.

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