
O Bar Ocidente, em Porto Alegre, recebeu no último domingo (12) a segunda edição do Preto no Metal Fest, um evento que reafirma seu compromisso em ampliar a representatividade dentro da música pesada e fortalecer uma cena mais plural, diversa e inclusiva.
Mais do que um festival de metal, o Preto no Metal Fest II nasceu para combater o racismo, o fascismo e toda forma de preconceito, oferecendo espaço para artistas e grupos historicamente sub-representados no gênero, incluindo pessoas negras, indígenas, LGBTQIAPN+ e outras minorias. O objetivo é mostrar que o heavy metal continua sendo um ambiente de resistência, onde diferentes histórias e vivências podem coexistir tendo a música como principal elemento de união.
Com três apresentações de propostas bastante distintas, o festival mostrou que diversidade também se traduz em sonoridade.
MATHEU CORRÊA ABRE A NOITE COM MENSAGEM E IDENTIDADE
Responsável por iniciar a programação, Matheu Corrêa apresentou um show carregado de personalidade, combinando rock, metal e elementos contemporâneos em um repertório fortemente ligado à identidade, pertencimento e resistência.

O setlist passou por “América”, “Brou”, “Levante”, “Quem Por Nós”, “Indelével”, “Homens de Lá”, “Funk Drama”, “Meu Black é Rock” e “Cruel”, conduzindo o público por uma apresentação intensa tanto musicalmente quanto em sua mensagem.

Um dos momentos mais marcantes foi a participação de Nego Tarso durante “Homens de Lá”, reforçando a força da canção e a proposta coletiva do festival. A interação entre os dois artistas foi recebida com entusiasmo pelo público, simbolizando o espírito de união presente durante toda a noite.







THE TRUCK ON FIRE’S BAND MANTÉM A ENERGIA EM ALTA
Na sequência, foi a vez da The Truck On Fire’s Band assumir o palco.
Com uma performance intensa e cheia de personalidade, o grupo conduziu o público por um repertório que reuniu músicas autorais como “Special Kind of Loser”, “Jack O’Lantern”, “Oh Me”, “Don’t Try”, “Kosmic Blues”, “Higher”, “Science”, “Feeling Good”, “Fever” e “Cold Fingers”.

Além do material próprio, a banda incluiu releituras de clássicos durante a apresentação, reforçando a variedade de influências que compõem sua identidade musical e mantendo o público conectado do início ao fim do show.
Misturando elementos de rock, blues, hard rock e música alternativa, a The Truck On Fire’s Band entregou uma apresentação consistente, equilibrando peso e melodias sem perder sua personalidade.








PSYCHO DECADENCE FECHA O FESTIVAL COM INTENSIDADE
Encerrando a programação, a Psycho Decadence elevou ainda mais o nível de intensidade do festival.
Com um repertório formado por “Void”, “WTPSB”, “In the Sand”, “Dried Womb”, “I Could Not”, “Wept Wopt”, “Projections” e “Nosebleed”, a banda mergulhou o público em uma atmosfera pesada e agressiva, encerrando a noite de forma contundente.

A presença da Psycho Decadence também reforçou a proposta do evento. O baterista da banda é descendente de indígena, demonstrando que o festival busca ampliar a representatividade de diferentes povos e comunidades dentro da música pesada. Mais do que destacar identidades, o evento mostrou que talento, qualidade artística e diversidade caminham juntos, enriquecendo ainda mais a cena underground.











UM FESTIVAL NECESSÁRIO PARA A CENA
A segunda edição do Preto no Metal Fest deixou claro que a proposta do evento vai muito além da realização de shows.
Ao reunir artistas de diferentes estilos em torno de valores como respeito, diversidade e inclusão, o festival fortalece uma discussão importante dentro da música pesada sem perder o foco principal: a qualidade das bandas que sobem ao palco.
Cada uma das três atrações apresentou uma identidade própria, mostrando diferentes caminhos dentro do rock e do metal, mas compartilhando o mesmo compromisso com a autenticidade e a liberdade artística.
Mais do que levantar bandeiras, o Preto no Metal Fest II mostrou que representatividade também se constrói oferecendo oportunidades, criando espaços e fortalecendo uma cena onde todos possam se sentir parte.
Em tempos em que o underground busca constantemente se reinventar, iniciativas como essa demonstram que a música continua sendo uma das ferramentas mais poderosas para aproximar pessoas, provocar reflexões e construir uma comunidade cada vez mais diversa.








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