
Evento reúne diferentes gerações do rock e do metal do Distrito Federal e Entorno e marca um novo momento para a cena autoral de Planaltina com o nascimento do Coletivo Rock na Pedra
Dez anos de rock independente não se resumem a uma data no calendário.
Existe uma história inteira entre o primeiro evento e aquilo que chega agora à sua oitava edição. São bandas que passaram pelos palcos, músicos que seguiram diferentes caminhos, formações que mudaram, públicos que cresceram e uma cena que continuou encontrando maneiras de existir mesmo diante das dificuldades que fazem parte da produção cultural independente.
É nesse contexto que o Círculo do Rock chega aos dez anos.
No dia 5 de setembro de 2026, o Complexo Cultural de Planaltina, no Distrito Federal, recebe a VIII edição do evento, a partir das 16h, com previsão de encerramento às 23h50. A entrada é gratuita e a organização também realiza uma arrecadação espontânea de 1 kg de alimento não perecível para quem quiser contribuir.
Nesta edição, o palco reúne Asgard, O Dia D, Naughty Dog, A Drink to Death, Mitsein, Walk Again e GhoN, sete bandas que representam diferentes momentos, cidades e linguagens dentro da música independente.
Há bandas que começaram suas trajetórias ainda nos anos 1980. Há grupos que surgiram na última década. E há uma formação que começou em 2025. Entre elas, aparecem diferentes caminhos do Heavy Metal, Hardcore, Death Metal, Metalcore, Thrash Metal, Deathcore, Gothic Metal e também uma mistura que aproxima rock, rap, hip hop e elementos eletrônicos.
É uma programação que não tenta reduzir a cena a uma única sonoridade.
Ela mostra justamente o contrário.
A cena é diversa, atravessa gerações e continua se movimentando.
UM NOVO MOMENTO PARA O ROCK EM PLANALTINA
A oitava edição acontece em um momento especialmente importante para a produção cultural da cidade.

Em 18 de abril de 2026, foi fundado o Coletivo Rock na Pedra, iniciativa criada por agentes culturais, músicos e integrantes de bandas locais com o propósito de fortalecer a cena autoral e cultural de Planaltina, do Distrito Federal e do Entorno.
O movimento nasce com uma proposta que ultrapassa a realização de shows.
A ideia é construir um ecossistema de desenvolvimento envolvendo formações, cursos, palestras e atividades de fomento, trabalhando tanto a performance artística quanto os bastidores da produção cultural.
É uma mudança importante de perspectiva.
O palco é apenas uma parte da estrutura necessária para uma cena existir. Por trás de cada apresentação existem músicos, produtores, técnicos, fotógrafos, comunicadores, espaços e uma série de profissionais que ajudam a transformar uma apresentação em um acontecimento cultural.
O Rock na Pedra nasce justamente da união de pessoas que vivem essa realidade de perto e querem criar ferramentas para que novos talentos possam surgir enquanto artistas que já possuem trajetória encontrem condições para continuar avançando.
O coletivo também inicia o mapeamento de artistas locais e o planejamento de seu calendário de atividades, tendo o Círculo do Rock como um dos acontecimentos centrais desse novo momento.
A escolha de Planaltina não é apenas geográfica.
A cidade possui uma trajetória própria dentro da produção cultural do Distrito Federal e mantém uma cena que continua criando, reunindo músicos e formando novos públicos.
É nesse território que o Círculo do Rock chega aos dez anos.
E o line up escolhido para esta edição ajuda a dimensionar o tamanho dessa história.
ASGARD, UMA HISTÓRIA QUE ATRAVESSOU DÉCADAS
A programação traz uma das histórias mais antigas da noite.

A Asgard foi formada em 1986, em Brasília, e fez parte da movimentação do metal brasiliense durante a década de 1980. A banda encerrou as atividades em 1989, mas sua história não terminou ali.
Em 2022, a formação original voltou a se reunir para registrar músicas que haviam permanecido guardadas desde aquele período.
O reencontro resultou em Concreto e Metal, primeiro EP da banda, reunindo cinco músicas autorais e uma releitura de Sarracenos, originalmente gravada pela banda Concord em 1984.
O trabalho representa um registro tardio, mas também uma oportunidade de recuperar uma parte da produção musical daquele período e colocá-la novamente em circulação.
Quase quatro décadas depois de sua formação, a Asgard retorna ao palco com Alexandre Babu nos vocais, Léo de Mattos na guitarra, André Cascata no baixo e Adriano Souto na bateria, mantendo a formação original que deu início à história da banda.
Sua presença na VIII edição cria uma ligação direta entre diferentes momentos do rock brasiliense.
O DIA D, HARDCORE E MEMÓRIA
A trajetória de O Dia D também começou nos anos 1980.

A primeira formação surgiu em 1988, em Brasília, e encontrou no rock e no hardcore uma linguagem para atravessar a cena independente da época. Depois de permanecer ativa até 1994, a banda encerrou suas atividades e passou quase duas décadas longe dos palcos.
O retorno aconteceu em 2013.
Em 2018, veio o EP Rumo ao Caos, marcando uma nova fase para o grupo, que voltou a circular pelo underground e a dividir palcos com nomes importantes do hardcore brasileiro, como Lobotomia, Cólera, Macakongs 2099, D.F.C., 10zer04, Desonra, Terror Revolucionário e Detrito Federal.
Hoje, Marcos assume os vocais, Rafael divide baixo e voz, Marcelo está na guitarra e Helton na bateria.
Assim como a Asgard, O Dia D chega ao Círculo do Rock carregando uma trajetória que atravessou diferentes períodos da música independente de Brasília.
NAUGHTY DOG, O PESO QUE VEM DE FORMOSA

O mapa da VIII edição também ultrapassa o Distrito Federal.
Formada em 2014, em Formosa, Goiás, a Naughty Dog chega com o peso do Heavy Metal tradicional e uma trajetória construída a partir da circulação pelo underground regional.
A banda lançou em 2021 o álbum Dogs Like No Clowns, trabalho que alcançou repercussão nacional e internacional e abriu caminho para a primeira turnê nacional do grupo. Atualmente, a Naughty Dog trabalha na produção de um segundo álbum.
A formação reúne Rafael Montalvão nas guitarras, Douglas da Foice no baixo, Rafael Moraes na bateria e Junior N.N.V nos vocais.
A participação da banda reforça uma característica presente em toda a programação: o underground não respeita as divisões administrativas entre cidades. Músicos, bandas e público circulam constantemente pelo Distrito Federal e Entorno, criando uma rede que vai muito além de um único território.
DRINK TO DEATH, O METAL QUE NASCE EM PLANALTINA

De volta a Planaltina, a A Drink to Death representa uma produção diretamente ligada à cidade.
Formada em 2016, a banda começou a se apresentar nos palcos em 2018 e construiu uma sonoridade que atravessa Death Metal, Metalcore e Thrash Metal, incorporando também referências da música regional brasileira.
As letras trabalham questões sociais e políticas, enquanto a música mantém a agressividade característica das vertentes extremas.
Ao longo da trajetória, a banda lançou singles como Behind the Truth, Horror Show, Calados Sem Paz e Infame Messias, além de participar de eventos como o Rock Cerrado, no Gama.
Agora, o grupo trabalha na preparação de seu primeiro EP autoral.
Filipe Vasconcelos assume os vocais, acompanhado por Guilherme Marcos no baixo, Jeff Oliveira na guitarra e Victor Valente na bateria.
E existe uma conexão direta com outra atração da noite. Guilherme Marcos e Jeff Oliveira também integram a Mitsein, mostrando como os próprios músicos criam pontes entre diferentes projetos dentro da cena local.
MITSEIN, PESO, METAL E IDENTIDADE

Também formada em Planaltina, a Mitsein surgiu em 2016 e construiu sua identidade entre o Heavy Metal, o Metal Melódico e elementos de Gothic Metal.
O nome, que significa “ser com”, se relaciona aos temas trabalhados pela banda, que passam por autoconhecimento, existência, resistência e empoderamento feminino.
A trajetória inclui os trabalhos I Will Find My Way, de 2020, Keep Walking, de 2022, e Lost Years, lançado em 2024.
A banda também ampliou sua presença em eventos da cena, passando por Samamba Rock, Capital Moto Week, Fest Rock Brasília e Nyl Metal Festival, além de participar das seletivas do Porão do Rock em 2026.
Nos vocais está Cris Graciano, acompanhada por Jeff Oliveira na guitarra, Guilherme Marcos no baixo e Aquiles de Lima na bateria.
A Mitsein acrescenta outra dimensão ao line up ao mostrar que a produção de metal em Planaltina também passa pela melodia, pela atmosfera e por temas ligados à experiência humana.
WALK AGAIN, ROCK SEM FRONTEIRAS

A Walk Again, formada em 2018, em Luziânia, chega com uma proposta diferente.
Rock, rap, hip hop e elementos eletrônicos se encontram em sua sonoridade, construída justamente a partir da mistura de referências.
A banda já passou por eventos como Porão do Rock, Festival Brasília Independente, Festival Que P… Essa e CarnaRock Valparaíso, além de encontros motociclísticos e outras atividades culturais.
Depois do EP O Eterno Retorno, o grupo entrou em uma nova fase com o projeto Caminhar de Novo, que reúne os videoclipes “Tudo em Jogo”, “Cortando os Dias” e “Caminhar de Novo”.
A formação atual reúne Rodrigo Medeiros nos vocais, Andynhø na bateria, Humberto Junior e Luan Kenzley nas guitarras e Marcos Lindorio no baixo.
Sua presença mostra que a música independente também se transforma quando diferentes linguagens se encontram.
GHON, UMA BANDA QUE ESTÁ COMEÇANDO AGORA
No extremo mais recente da linha do tempo está a GhoN.

Formada em agosto de 2025, no PSul, em Ceilândia, a banda nasceu depois de algumas tentativas frustradas de colocar um projeto em funcionamento. Rafael Kattana e Carlos Chugs decidiram recomeçar e encontraram no Deathcore e no Hardcore a linguagem para construir essa nova fase.
O som é grave, agressivo e marcado por temas relacionados à violência, ao horror, à morte e à realidade das ruas.
A experiência de Rafael com necropsia também influencia o universo lírico da banda, aproximando as composições de temas como fragilidade humana e morte.
O primeiro EP, Tanatopraxia, foi gravado, produzido e finalizado de forma independente em um estúdio montado na própria casa de Rafael.
Nos vocais e gritos está Carlinhos Rosa GhoN, com Carlos Chugs nas guitarras e riffs, Rafael Kattana no baixo distorcido e Jajá na bateria.
A GhoN representa uma banda que ainda está construindo seus primeiros capítulos.
E é justamente isso que faz sua presença tão significativa ao lado de nomes que carregam décadas de trajetória.
UM PALCO, DIFERENTES GERAÇÕES
Quando as sete bandas são colocadas lado a lado, a dimensão dessa edição fica mais clara.
A Asgard começou sua história em 1986. O Dia D veio dois anos depois. A Naughty Dog surgiu em 2014. A Drink to Death e Mitsein começaram em 2016. A Walk Again nasceu em 2018. A GhoN apareceu em 2025.
Quase quatro décadas separam a primeira dessas histórias da última.
Durante esse período, muita coisa mudou. A maneira de gravar mudou. A forma de divulgar uma banda mudou. Os espaços mudaram. O público mudou. A tecnologia mudou completamente a relação entre artistas e ouvintes.
Mas a necessidade de criar continuou.
É isso que atravessa a programação do Círculo do Rock.
A Asgard carrega músicas que esperaram décadas para ser registradas. O Dia D mostra como uma banda pode desaparecer por um período e encontrar novamente seu caminho. Naughty Dog representa a circulação do underground pelo Entorno. A Drink to Death e Mitsein mostram a produção autoral que nasce em Planaltina. Walk Again leva para o palco uma mistura que rompe fronteiras entre gêneros. GhoN representa uma geração que está chegando agora e encontrando novas maneiras de produzir de forma independente.
No meio de tudo isso está o Círculo do Rock, chegando aos dez anos.
E, ao lado dele, surge o Coletivo Rock na Pedra, tentando transformar essa movimentação em algo ainda maior, com formação, profissionalização, fomento e articulação cultural.
É uma tentativa de fortalecer aquilo que já existe e criar condições para que novas histórias possam surgir.
Porque a continuidade de uma cena não depende apenas de quem está tocando hoje.
Depende também de quem abre espaço para a próxima banda, de quem registra aquele show, de quem divulga o trabalho, de quem ensina, de quem produz, de quem monta o palco e de quem decide que aquela história merece ser preservada.
É assim que dez anos deixam de ser apenas uma comemoração.
Eles passam a representar uma trajetória.
No dia 5 de setembro, o Complexo Cultural de Planaltina será ocupado por sete bandas que chegam de diferentes lugares e momentos, mas que encontram no mesmo palco uma oportunidade de cruzar suas histórias.
O Círculo do Rock chega aos dez anos olhando para tudo aquilo que já aconteceu, mas também para aquilo que ainda pode acontecer.
E talvez seja essa a força de uma cena que continua em movimento.
Não se trata apenas de manter o rock vivo. Trata-se de criar espaço para que ele continue mudando, encontrando novas vozes e escrevendo outras histórias.
SERVIÇO
VIII Círculo do Rock, 10 anos
Data: 5 de setembro de 2026, sábado
Horário: a partir das 16h, com previsão de encerramento às 23h50
Local: Complexo Cultural de Planaltina, DF
Entrada: gratuita
Contribuição: arrecadação espontânea de 1 kg de alimento não perecível
Atrações: Asgard, O Dia D, Naughty Dog, A Drink to Death, Mitsein, Walk Again e GhoN.








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