Dos corredores da Sibelius Academy à amizade com o Metallica, os finlandeses construíram uma das histórias mais improváveis do metal. No dia 13 de outubro, o Apocalyptica volta ao Opinião com a turnê de Plays Metallica Vol. 2.

Quatro músicos de formação clássica, quatro violoncelos e uma ideia que, no começo dos anos 1990, provavelmente parecia absurda: tocar Metallica sem guitarras.
Mais de três décadas depois, aquela experiência iniciada por estudantes da prestigiada Sibelius Academy transformou o Apocalyptica em uma banda de alcance mundial, levou os finlandeses a dividir caminhos com seus próprios ídolos e mostrou que a distância entre música clássica e heavy metal talvez nunca tenha sido tão grande quanto imaginávamos. A própria biografia oficial lembra que, poucos meses depois do lançamento do primeiro disco, eles já estavam abrindo shows para o Metallica.
No dia 13 de outubro de 2026, essa história terá mais um capítulo em Porto Alegre. O Apocalyptica sobe ao palco do Opinião com a turnê de Plays Metallica Vol. 2, trabalho que, quase 30 anos depois do álbum que apresentou o grupo ao mundo, volta ao repertório da banda que provocou tudo isso. O show está marcado para 21h, com abertura da casa às 19h30.

Antes da apresentação, separamos algumas histórias que ajudam a entender por que o Apocalyptica é muito mais do que “Metallica tocado no violoncelo”.
1. TUDO COMEÇOU COM QUATRO MÚSICOS CLÁSSICOS TOCANDO METALLICA
O Apocalyptica foi formado em 1993, em Helsinque, por músicos com formação clássica ligados à Sibelius Academy. A ideia inicial não envolvia criar uma nova linguagem para o metal nem construir uma carreira internacional. Eles simplesmente gostavam de Metallica e resolveram experimentar aquelas músicas nos instrumentos que dominavam: os violoncelos.
O que poderia ter permanecido como uma experiência entre estudantes acabou se tornando Plays Metallica by Four Cellos, lançado em 1996.
E aí as coisas saíram completamente do controle.
2. ELES ACHARAM QUE A IDEIA DE GRAVAR UM DISCO ERA UMA PIADA
Essa talvez seja uma das melhores histórias do início da banda.
Eicca Toppinen já contou que, depois de uma apresentação em um clube de metal de Helsinque, surgiu o convite para gravar um álbum. A reação inicial foi de incredulidade: quem compraria um disco inteiro de músicas do Metallica tocadas em violoncelo?
A resposta veio rapidamente. Segundo Toppinen, aproximadamente cinco meses depois do lançamento, o Apocalyptica estava abrindo para o próprio Metallica.
Não é um começo de carreira exatamente comum.
3. O METALLICA NÃO APENAS APROVOU: LARS ULRICH FOI ATRÁS DELES
Com o passar dos anos, aquilo que começou como admiração acabou se transformando em uma relação próxima entre as duas bandas.
Toppinen relembra que, quando o Apocalyptica abriu duas apresentações do Metallica, Lars Ulrich ficou tão impressionado que chegou antecipadamente a Helsinque para assistir ao grupo, e no dia seguinte os demais integrantes também estavam presentes. Mais tarde, o Apocalyptica participaria das comemorações dos 30 anos do Metallica, em 2011.
Ou seja: os estudantes que começaram tocando Metallica acabaram entrando efetivamente no universo da banda que os inspirou.
4. O PRIMEIRO DISCO NÃO ERA O COMEÇO DE UM PROJETO DE COVERS ETERNAS
É fácil olhar retrospectivamente para Plays Metallica by Four Cellos e imaginar que aquele seria para sempre o conceito do Apocalyptica.
Não foi.
A banda passou a desenvolver material próprio, ampliou a formação, incorporou bateria e explorou outras possibilidades para o violoncelo dentro da música pesada. Ao longo dessa trajetória, colaborou com músicos de universos bastante diferentes, incluindo Corey Taylor, Till Lindemann, Ville Valo e Dave Lombardo.
O Metallica abriu a porta. O Apocalyptica decidiu descobrir até onde poderia caminhar depois dela.
5. QUASE 30 ANOS DEPOIS, ELES VOLTARAM AO PONTO DE PARTIDA
Plays Metallica Vol. 2 não surgiu imediatamente após o primeiro álbum. Muito pelo contrário.
Perttu Kivilaakso conta que a ideia de fazer outro disco dedicado ao Metallica circulava havia aproximadamente 20 anos. Quando a banda excursionou comemorando os 25 anos do álbum de estreia — numa jornada que, segundo a biografia oficial, ultrapassou 200 apresentações — ficou evidente que havia espaço para revisitar o conceito.
Só que simplesmente repetir 1996 não interessava.
A intenção passou a ser encontrar outra perspectiva para aquelas composições.
6. DE CERCA DE 20 MÚSICAS CONSIDERADAS, APENAS NOVE ENTRARAM NO PROJETO
A escolha do repertório de Plays Metallica Vol. 2 também foi bem mais criteriosa do que simplesmente selecionar os maiores sucessos.
Kivilaakso revelou que aproximadamente 20 faixas chegaram a ser consideradas, até que o grupo reduzisse a seleção principal. O repertório final atravessa diferentes períodos do Metallica e inclui “Ride the Lightning”, “St. Anger”, “The Unforgiven II”, “Blackened”, “The Call of Ktulu”, “The Four Horsemen”, “Holier Than Thou”, “To Live Is to Die” e “One”.
Isso ajuda a explicar por que o disco não soa simplesmente como uma coletânea óbvia de hits.
7. ROBERT TRUJILLO TOCA NO DISCO
Aqui a história dá uma volta especialmente interessante.
Em 1996, o Apocalyptica era formado por músicos tocando versões de Metallica em violoncelos. Em Plays Metallica Vol. 2, um integrante do próprio Metallica entrou em estúdio com eles.
Robert Trujillo participa de “The Four Horsemen”. Segundo Toppinen, a colaboração não surgiu de uma pressão do Apocalyptica sobre os americanos; a possibilidade foi oferecida dentro da relação construída entre os músicos ao longo dos anos.
A homenagem começava, definitivamente, a fechar seu círculo.
8. E JAMES HETFIELD TAMBÉM APARECE EM “ONE”
A conexão foi ainda mais longe.
O material oficial do Apocalyptica apresenta “One” com James Hetfield e Robert Trujillo, além de uma versão instrumental da composição.
É difícil imaginar símbolo melhor para a trajetória da banda: músicos que começaram reinterpretando Metallica porque eram fãs chegaram ao ponto de reconstruir uma das músicas mais importantes do grupo com participação dos próprios integrantes do Metallica.
9. “THE CALL OF KTULU” CARREGA A MEMÓRIA DE CLIFF BURTON
Há ainda outro detalhe especialmente significativo para fãs do Metallica.
No tracklist oficial, “The Call of Ktulu” aparece identificada como uma homenagem à memória de Cliff Burton.
A escolha possui um peso particular dentro de um projeto conduzido por instrumentos de cordas. Burton tinha uma abordagem incomum para o baixo dentro do heavy metal e ajudou a ampliar a linguagem musical do Metallica nos primeiros anos da banda.
Nesse contexto, revisitar “The Call of Ktulu” através dos violoncelos vai muito além da simples adaptação de um clássico.
10. O VIOLONCELO DEIXOU DE SER A CURIOSIDADE E VIROU A IDENTIDADE
Talvez essa seja a grande transformação provocada pelo Apocalyptica.
No começo, o choque estava justamente na imagem: quatro músicos clássicos tocando Metallica em violoncelos. Era inevitável perguntar como aquilo poderia funcionar.
Trinta anos depois, a pergunta perdeu o sentido.
O Apocalyptica mostrou que o violoncelo pode assumir o riff, trabalhar como instrumento rítmico, produzir ataques percussivos, sustentar melodias e criar texturas que se aproximam tanto da música de concerto quanto da brutalidade do metal.
O que começou como a grande curiosidade do grupo acabou se tornando sua linguagem.
DO METALLICA AO METALLICA
Existe algo particularmente interessante no momento atual do Apocalyptica.
Em 1996, quatro jovens músicos lançaram um disco que parecia improvável demais para funcionar. Em vez de guitarra, baixo e bateria, havia quatro violoncelos tentando reproduzir algumas das músicas mais pesadas do Metallica.
Funcionou.
Mas o mais importante é que o Apocalyptica não passou os 30 anos seguintes tentando repetir aquela surpresa. Construiu repertório próprio, experimentou, colaborou com outros artistas e transformou uma formação aparentemente incompatível com o heavy metal numa identidade reconhecível em poucos segundos.
Agora retorna ao Metallica carregando toda essa experiência.
Por isso Plays Metallica Vol. 2 não representa simplesmente uma volta ao começo. É quase o contrário: permite ouvir o quanto o Apocalyptica mudou desde aquele começo.
No dia 13 de outubro, Porto Alegre terá a oportunidade de conferir essa história no palco do Opinião.
E talvez seja justamente aí que esteja a grande curiosidade número 11:
depois de três décadas, ainda parece estranho ver violoncelos fazendo tudo aquilo. Só não parece mais impossível.
SERVIÇO — APOCALYPTICA EM PORTO ALEGRE
Apocalyptica — Plays Metallica Vol. 2 South America Tour 2026
Data: 13 de outubro de 2026, terça-feira
Local: Opinião
Endereço: Rua José do Patrocínio, 834 — Porto Alegre/RS
Abertura da casa: 19h30
Show: 21h
Classificação: 16 anos, conforme as condições divulgadas pela produção.







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