
Trinta anos depois do lançamento de seu único disco, homônimo e póstumo, Lory F. foi celebrada pela sua música, sua trajetória e seu legado. Na última quinta-feira (24/09), data em que a artista completaria 68 anos, o Grezz, em Porto Alegre, recebeu um encontro memorável que reuniu músicos, familiares e amigos para revisitar a obra de uma das figuras mais marcantes do rock gaúcho.
Ao fundo do palco, a imagem de Lory acompanhava a apresentação enquanto diferentes gerações da cena roqueira gaúcha interpretavam suas canções e outras composições. Mais do que um tributo, a noite foi um reencontro com a força de uma artista que construiu uma trajetória breve, intensa e ainda capaz de reverberar décadas depois. Como disse a irmã Deborah Finocchiaro, “Trazer a Lory mexe com as entranhas!!!”.

Participaram King Jim (voz/sax), Edinho Espíndola (bateria) Marcelo Fornazier (guitarra), que formaram a banda base, relembrando a espinha dorsal do grupo original que acompanhou Lory. E, ainda, as participações especiais: Chico Ferretti (voz/teclado) – que participou do disco -, Lucas Juswiak (baixo) e Gabriel Guedes (guitarra). Quem deu voz às letras de Lory foi a própria família Finocchiaro, que divide o microfone entre Ricardo (filho), Laura e Deborah (irmãs).


Uma amizade que virou música
Integrante da Lory F. Band e de grupos importantes da história do rock gaúcho, como os lendários Garotos da Rua, King Jim relembrou a relação construída com Lory desde o primeiro encontro. “A gente fez muitas parcerias musicais, era muito amigo e até brigava bastante (risos). Não éramos só uma banda, éramos uma família. Ela era a única mulher que eu conhecia que fazia rock de verdade, com um poder de fogo inacreditável. Ela faz muita falta”, contou. A fala traduz a dimensão da relação entre os músicos e ajuda a entender por que revisitar Lory é também revisitar uma parte importante da história do rock produzido no Rio Grande do Sul. E, principalmente, feito por uma mulher numa época que isso não acontecia.
Antes do show, o público assistiu ao documentário Sinal de Alerta, dirigido por Fred Restori e Natália Pimentel. A produção resgata a curta e intensa carreira da artista e aborda temas que atravessaram sua trajetória, como a luta contra o HIV, o machismo presente na cena roqueira e os problemas relacionados aos vícios.
Um legado que permanece
A noite no Grezz mostrou que a história de Lory F. está longe de pertencer apenas ao passado. Trinta anos depois de seu único álbum, suas músicas continuam encontrando intérpretes, admiradores e novas escutas. Preservar essa memória também significa reconhecer o espaço que Lory ocupou em uma cena predominantemente masculina. Baixista, compositora, cantora e presença marcante no rock gaúcho, ela abriu caminhos em um ambiente no qual mulheres ainda precisavam enfrentar barreiras para serem ouvidas e reconhecidas.
Celebrar Lory F. é, portanto, celebrar sua música, mas também a presença feminina no rock e a importância de manter vivas as histórias de mulheres que fizeram, e ainda fazem, música à sua maneira.







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