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Algumas vozes conseguem ultrapassar o tempo porque ficam associadas não apenas a uma banda, mas a uma determinada época, a discos que marcaram gerações e a músicas que continuam sendo reconhecidas muitos anos depois de seu lançamento. Fabio Lione construiu exatamente esse tipo de trajetória. O vocalista italiano passou por diferentes formações, atravessou importantes momentos do power metal europeu, encontrou no Brasil uma parte significativa de sua história e, depois de mais de três décadas de carreira, continua revisitando repertórios que ajudaram a transformar seu nome em referência dentro do gênero.

Em outubro de 2026, essa trajetória chega ao Centro Oeste em duas noites consecutivas. No dia 20 de outubro, Brasília recebe Fabio Lione no Raven Hall, enquanto no dia seguinte, 21 de outubro, o vocalista desembarca em Goiânia para uma apresentação no De Leon Music Pub. Os dois shows têm a mesma proposta de revisitar grandes clássicos de três capítulos fundamentais de sua carreira, Rhapsody, Vision Divine e Angra, reunindo em um mesmo repertório diferentes períodos de uma trajetória que ajudou a construir parte da identidade do power metal das últimas décadas.

Para entender o peso dessas apresentações, é preciso voltar ao início dessa história.

Nascido em Pisa, na Itália, Fabio Tordiglione começou a cantar ainda adolescente e entrou em contato com a cena musical italiana durante um período de transformação do metal europeu. Antes de alcançar reconhecimento internacional, passou por projetos como Athena e Labyrinth, experiências que contribuíram para a formação de sua identidade artística e também revelaram uma característica que permaneceria presente ao longo de sua carreira, a participação na construção das próprias músicas, especialmente nas letras e melodias vocais.

Foi a partir dessa trajetória inicial que surgiu sua ligação com Olaf Thörsen e o Vision Divine, projeto que ganhou outra dimensão com a presença de Lione. O primeiro álbum, lançado em 1999, apresentou uma abordagem mais progressiva e melódica e mostrou que sua voz não estava limitada ao power metal épico que posteriormente se tornaria sua principal marca internacional.

Mas foi no Rhapsody que Fabio Lione encontrou o cenário que transformaria definitivamente sua carreira.

Ao lado de Luca Turilli, Alex Staropoli e dos demais integrantes, Lione participou da construção de uma proposta que ultrapassava os limites tradicionais do power metal. O Rhapsody combinava velocidade, técnica, guitarras de influência neoclássica, música clássica, coros, orquestrações e narrativas fantásticas, criando uma identidade que rapidamente se diferenciou dentro da cena europeia. Em meio a essa grandiosidade, a voz de Lione se tornou um dos elementos centrais daquela sonoridade.

A sequência de álbuns formada por Legendary Tales, Symphony of Enchanted Lands, Dawn of Victory, Rain of a Thousand Flames e Power of the Dragonflame ajudou a estabelecer uma das fases mais reconhecidas da história do grupo e consolidou a chamada Emerald Sword Saga como uma referência para uma geração de fãs do power metal. Músicas como “Emerald Sword”, “Dawn of Victory”, “Holy Thunderforce”, “Wisdom of the Kings” e “The Village of Dwarves” deixaram de ser apenas parte da discografia do Rhapsody e passaram a ocupar um espaço próprio na memória de quem acompanhou aquela explosão do metal europeu entre o final dos anos 1990 e o início dos anos 2000.

A dimensão alcançada pelo Rhapsody também proporcionou encontros que extrapolaram o universo do metal. Um dos mais marcantes aconteceu quando Fabio Lione dividiu os vocais com Christopher Lee em “The Magic of the Wizard’s Dream”. O ator britânico, mundialmente conhecido por personagens como Saruman, em O Senhor dos Anéis, tornou aquela colaboração ainda mais simbólica dentro da estética fantástica que sempre acompanhou o trabalho da banda.

A trajetória de Lione, entretanto, nunca ficou restrita ao Rhapsody. Ao longo dos anos, o vocalista participou de diferentes projetos e formações, entre eles Kamelot, Eternal Idol, Spirits of Fire e Turilli/Lione Rhapsody, além de retomar posteriormente sua ligação com o Athena. Cada experiência apresentou uma faceta diferente de sua interpretação e ajudou a ampliar uma carreira que nunca dependeu de uma única identidade musical.

Entre todos esses capítulos, porém, existe um que possui uma relação especialmente forte com o público brasileiro.

Em 2012, Fabio Lione começou sua ligação com o Angra, inicialmente como substituto e posteriormente como integrante oficial. O que poderia ter sido apenas uma participação temporária acabou se transformando em mais de 13 anos de história, com gravações, turnês, festivais e uma extensa convivência com o público brasileiro. Durante esse período, Lione participou de álbuns como Secret Garden, Ømni e Cycles of Pain, tornando sua voz parte de uma nova fase de uma das bandas brasileiras mais importantes do metal mundial.

Essa relação ultrapassou os limites de uma colaboração profissional. O Brasil passou a ocupar um espaço importante na trajetória pessoal e artística de Lione, que construiu ao longo dos anos uma relação próxima com o público e com a própria cena brasileira. Quando sua saída do Angra foi anunciada, em 2025, chegava ao fim um dos ciclos mais longos de sua carreira, encerrado oficialmente em abril de 2026, durante o Bangers Open Air.

O fim dessa etapa, entretanto, abriu espaço para uma nova fase na qual Lione passou a olhar novamente para diferentes períodos de sua própria história. O projeto Dawn of Victory recuperou o repertório do Rhapsody e colocou novamente em circulação músicas que ajudaram a definir sua carreira, enquanto outros trabalhos e apresentações continuam explorando diferentes momentos de sua trajetória.

É justamente dentro desse contexto que acontecem os shows de Brasília e Goiânia.

A proposta não está concentrada em um único álbum e também não deve ser confundida com a apresentação orquestrada realizada no início de outubro, na qual Dawn of Victory é executado integralmente acompanhado por orquestra e coral. As apresentações dos dias 20 e 21 de outubro possuem outra identidade. Nelas, o foco está na própria trajetória de Fabio Lione e na possibilidade de revisitar, em uma mesma noite, clássicos associados ao Rhapsody, Vision Divine e Angra.

Essa escolha de repertório transforma os dois shows em uma espécie de percurso pela carreira do vocalista. O Rhapsody representa a fase em que sua voz se tornou mundialmente reconhecida e ajudou a estabelecer uma nova dimensão para o power metal europeu. O Vision Divine apresenta uma abordagem diferente, mais progressiva e melódica, enquanto o Angra representa mais de uma década de sua vida profissional diretamente ligada ao Brasil.

São momentos distintos, mas existe uma linha que conecta todos eles, a voz de Fabio Lione.

Por isso, essas apresentações não precisam ser tratadas apenas como uma oportunidade de ouvir clássicos. Existe uma dimensão documental nesse repertório, especialmente para quem acompanhou a transformação do power metal ao longo das últimas décadas. Cada música carrega uma época, uma formação e uma fase diferente da carreira do vocalista, permitindo que o público percorra essa trajetória através das próprias canções.

Para quem descobriu o Rhapsody nos anos 1990 ou 2000, será uma oportunidade de reencontrar músicas que acompanharam uma geração inteira. Para quem conheceu Fabio Lione através do Angra, será também uma forma de revisitar uma fase importante da história recente da banda e, ao mesmo tempo, descobrir outras partes de sua carreira. Já para quem está chegando agora, o repertório funciona como uma porta de entrada para quase três décadas de história do metal.

E existe ainda um elemento particular nessas duas datas. Brasília e Goiânia aparecem em sequência no roteiro de Lione, colocando o Centro Oeste dentro de uma passagem que reúne diferentes momentos de sua trajetória justamente em uma fase de transição artística. Depois de encerrar um ciclo de mais de uma década com o Angra, o vocalista retorna aos palcos carregando não apenas o repertório de suas bandas anteriores, mas a experiência acumulada em todas elas.

Essa passagem de Fabio Lione pelo Centro Oeste também acontece através de uma produção que conhece de perto a cena pesada e a circulação de grandes nomes do metal. Dark Dimensions e NYL Metal Festival se unem para levar o vocalista a duas cidades em sequência, criando uma rota que conecta Brasília e Goiânia em torno de um mesmo repertório e de uma das vozes mais reconhecidas do power metal internacional. A escolha das duas casas também aproxima o artista de públicos que acompanham a cena de forma ativa, mantendo a proposta de apresentar grandes nomes dentro de espaços diretamente ligados à cultura do rock e do metal.

No dia 20 de outubro, a realização passa pelo Raven Hall, em Brasília, enquanto no dia seguinte a produção segue para o De Leon Music Pub, em Goiânia. São duas noites consecutivas que colocam o Centro Oeste no roteiro de Fabio Lione e reforçam a importância de produtores e festivais que continuam movimentando a circulação do metal na região.

É essa trajetória que estará no palco.

Não como uma retrospectiva distante, mas como música acontecendo novamente diante de quem acompanhou essa história e de quem está descobrindo agora o tamanho dela.

📅 20 de outubro de 2026, terça-feira
📍 Raven Hall, Brasília/DF
📌 SOF Sul, próximo ao Casa Park
Dark Dimensions e NYL Metal Festival
⚔️ Clássicos de Rhapsody, Vision Divine e Angra
🎟️ Ingressos pela Articket

FABIO LIONE EM GOIÂNIA

📅 21 de outubro de 2026, quarta-feira
📍 De Leon Music Pub, Goiânia/GO
📌 Rua 86, 605, Setor Sul
Dark Dimensions e NYL Metal Festival
⚔️ Clássicos de Rhapsody, Vision Divine e Angra
🎟️ Ingressos pela Articket

Duas noites consecutivas no Centro Oeste para revisitar quase três décadas de uma carreira que ajudou a moldar o power metal e que continua encontrando novos caminhos sem abandonar as músicas que fizeram sua história.

Fabio Lione chega a Brasília e Goiânia carregando uma voz que o tempo não apagou e um repertório que ainda pertence a diferentes gerações.

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