Primeira banda de metal a ocupar o Sphere, o Metallica abriu a residência “Life Burns Faster” na noite de 1º de outubro com “Battery”, recuperou raridades do repertório e utilizou a estrutura audiovisual do espaço para levar seu espetáculo a uma escala inédita.

Depois de meses tentando imaginar o que aconteceria quando o Metallica finalmente entrasse no Sphere, a resposta começou a aparecer na noite desta quinta-feira, 1º de outubro de 2026. James Hetfield, Lars Ulrich, Kirk Hammett e Robert Trujillo fizeram a primeira apresentação da residência “Life Burns Faster”, tornando-se a primeira banda de metal a tocar no gigantesco espaço de Las Vegas.

Metallica no Sphere em Las Vegas durante primeira noite da residência Life Burns Faster

Era uma combinação que parecia inevitável desde que o Sphere começou a mostrar ao mundo suas possibilidades. De um lado, uma banda que há décadas pensa seus shows para grandes estádios. Do outro, um espaço construído justamente para ultrapassar a ideia tradicional de palco, telão e plateia.

Na primeira noite, o Metallica deixou claro que não estava simplesmente levando o show da M72 para dentro de uma tela maior.

“BATTERY” ABRE UMA NOVA FASE

Antes da banda aparecer, a tradição foi mantida. “It’s a Long Way to the Top (If You Wanna Rock ’n’ Roll)”, do AC/DC, preparou o terreno e foi seguida por “The Ecstasy of Gold”, de Ennio Morricone, introdução que acompanha os shows do Metallica há mais de quatro décadas. 

Quando chegou a hora de começar de verdade, porém, veio a primeira escolha especial da noite.

“Battery”.

A abertura de Master of Puppets não iniciava um show completo do Metallica desde 2014. Depois dela, “Creeping Death” manteve a pressão antes de uma recuperação ainda mais inesperada: “Now That We’re Dead”, de Hardwired… to Self-Destruct, voltou ao repertório pela primeira vez desde setembro de 2021. 

O começo também mostrou rapidamente como o Sphere seria utilizado. Durante “Now That We’re Dead”, por exemplo, uma enorme catedral gótica tomou conta das paredes internas do espaço, fazendo com que a arquitetura virtual parecesse crescer ao redor da banda e do público.

Não era apenas um vídeo sendo projetado atrás do palco. Dentro do Sphere, o próprio ambiente passou a fazer parte da cenografia.

O METALLICA ENCONTRA UMA TELA DO TAMANHO DE SUA MÚSICA

Essa talvez tenha sido a grande questão antes da estreia. Como uma banda de metal funcionaria em um espaço que depende tanto da experiência visual?

A primeira noite indicou que a resposta não seria transformar o Metallica em uma atração tecnológica.

O caminho escolhido parece ter sido exatamente o contrário: usar a tecnologia para ampliar elementos que já fazem parte do universo visual e musical da banda. A gigantesca superfície interna do Sphere envolveu o público com animações, estruturas arquitetônicas, imagens sombrias e referências à iconografia construída pelo grupo durante mais de quatro décadas. 

O desafio era considerável. Lars Ulrich havia admitido antes da estreia que trabalhar naquele espaço era algo intimidador justamente pelas possibilidades oferecidas pela estrutura.

No fim, talvez seja justamente essa escala que faça sentido para o Metallica de 2026. Poucas bandas de metal chegaram a um tamanho em que uma estrutura como o Sphere não parece grande demais para elas.

“…AND JUSTICE FOR ALL” VOLTA DEPOIS DE 12 ANOS

Mas nenhuma quantidade de LED seria suficiente para satisfazer os fãs se o repertório não trouxesse algo à altura da ocasião.

E trouxe.

Depois de “Sad But True”, “The Shortest Straw”, “Wherever I May Roam” e “The Day That Never Comes”, o Metallica recuperou “…And Justice for All”, faixa-título do álbum de 1988.

A música não era executada ao vivo pela banda desde 9 de agosto de 2014. Foram mais de doze anos fora dos shows até retornar justamente na primeira noite do Sphere. 

Para quem acompanha o Metallica além dos grandes hits, provavelmente foi um dos momentos mais significativos da estreia. …And Justice for All sempre ocupou uma posição peculiar dentro da discografia do grupo: é um dos discos mais celebrados pelos fãs, mas algumas de suas composições extensas e complexas aparecem pouco nos repertórios atuais.

Na mesma noite, “The Shortest Straw” já havia colocado o álbum de 1988 em evidência. Recuperar a faixa-título tornou essa presença ainda mais especial.

CLIFF BURTON PRESENTE NO SPHERE

Outro momento carregado de significado veio com “The Call of Ktulu”.

O instrumental de Ride the Lightning foi dedicado a Cliff Burton, morto em 1986 e cuja contribuição para a composição da música permanece como parte fundamental daquele período do Metallica.

A escolha ganhou ainda mais peso por acontecer poucos dias depois de completados 40 anos da morte do baixista, em 27 de setembro.

No meio de um dos espaços tecnologicamente mais avançados já construídos para espetáculos, o Metallica encontrou espaço para voltar às próprias raízes.

É uma imagem que resume bem a noite: uma banda formada em 1981 utilizando algumas das tecnologias mais avançadas disponíveis em 2026 para tocar músicas compostas quatro décadas atrás.

DO PRIMEIRO DISCO AO MAIS RECENTE

O repertório atravessou praticamente toda a história do grupo.

“Lux Æterna” representou 72 Seasons, enquanto “Ride the Lightning”, “The Memory Remains” e “Seek & Destroy” conduziram a parte final da apresentação.

E havia poucas maneiras mais apropriadas de fechar a primeira noite do Metallica no Sphere do que “Master of Puppets”.

A faixa encerrou um set principal de 15 músicas, além do tradicional “Kirk and Rob Doodle”, passando por discos lançados entre Kill ’Em All e 72 Seasons. 

SETLIST — METALLICA | SPHERE, LAS VEGAS | 01/10/2026

  1. Battery 
  2. Creeping Death 
  3. Now That We’re Dead 
  4. Sad But True 
  5. The Shortest Straw 
  6. Wherever I May Roam 
  7. The Day That Never Comes 
  8. …And Justice for All 
  9. Kirk and Rob Doodle — “Sleepwalk My Life Away” 
  10. Nothing Else Matters 
  11. The Call of Ktulu 
  12. Lux Æterna 
  13. Ride the Lightning 
  14. The Memory Remains 
  15. Seek & Destroy 
  16. Master of Puppets 

E ISSO FOI APENAS A PRIMEIRA NOITE

Talvez essa seja a parte mais interessante.

O Metallica levou para o Sphere o conceito de No Repeat Weekend, utilizado durante a M72 World Tour. Isso significa que quem assistir às duas apresentações de um mesmo fim de semana terá dois repertórios diferentes, sem repetição de músicas entre as noites. 

Portanto, “Enter Sandman”, “One”, “For Whom the Bell Tolls” e vários outros clássicos ficaram de fora da estreia sem que isso represente necessariamente uma ausência na residência.

Eles simplesmente continuam guardados para outra noite.

A segunda apresentação acontece neste sábado, 3 de outubro, e será particularmente interessante observar não apenas quais músicas entrarão, mas como o Metallica utilizará o Sphere para elas. Se cada faixa possui uma produção visual própria, mudar completamente o repertório significa também apresentar uma experiência visual substancialmente diferente.

A residência começou originalmente anunciada com oito apresentações em outubro, mas foi ampliada e agora prevê 24 shows até março de 2027. 

O HEAVY METAL ENTROU NO SPHERE

U2 inaugurou o espaço para grandes residências musicais. Outros artistas vieram depois. Mas faltava saber como aquele ambiente responderia quando ocupado por uma banda cuja matéria-prima continua sendo guitarra distorcida, baixo, bateria e volume.

Na noite de 1º de outubro, o Metallica respondeu.

O Sphere não domesticou o metal para encaixá-lo em sua tecnologia. Pelo menos na estreia, aconteceu algo mais interessante: a tecnologia foi colocada a serviço do peso.

E quando “Master of Puppets” terminou a primeira noite, uma coisa já estava estabelecida.

O Metallica não foi a Las Vegas apenas para tocar dentro do Sphere.

Foi descobrir o que um show do Metallica pode se tornar quando as paredes, o teto e praticamente todo o espaço ao redor do público também fazem parte do palco.

Fontes:  Loudwire, San Francisco Chronicle, Louder,  Loudwire,  Setlist.fm, Sphere Las Vegas

Saiba mais do Sphere Las Vegas: https://www.thesphere.com

Saiba mais do Metallica: metallica.com

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