Criado sob a direção de Roger Waters e liderado musicalmente por seu filho Harry Waters, “Legacy — A Pink Floyd Show” estreia em fevereiro de 2027 e mergulha no período entre 1971 e 1979, com repertório de The Dark Side of the Moon, Wish You Were Here, Animals e The Wall. Roger não estará no palco.

Roger Waters encontrou uma nova maneira de revisitar a música que ajudou a construir dentro do Pink Floyd. Em vez de anunciar outra turnê própria, o músico colocou sua assinatura e direção em “Roger Waters Presents LEGACY — A Pink Floyd Show”, uma produção criada em conjunto com seu filho Harry Waters, que assume a direção musical e lidera uma banda de dez integrantes.

Roger Waters Presents Legacy A Pink Floyd Show estreia em 2027

E há uma diferença fundamental que precisa ficar clara desde o início: Roger Waters não está anunciado como integrante das apresentações. Sua participação acontece na concepção e direção do projeto, enquanto Harry e sua banda estarão efetivamente no palco.

A turnê começa em 15 de fevereiro de 2027, em Columbus, no estado norte-americano da Geórgia, e foi anunciada como uma produção de grande escala, com previsão de passar por mais de 100 cidades da América do Norte e Europa. Até o momento, não há apresentações anunciadas no Brasil.

O PINK FLOYD DE 1971 A 1979 É O CENTRO DE “LEGACY”

O recorte escolhido ajuda a explicar exatamente o que Roger e Harry pretendem colocar no palco. Legacy se concentra no período de 1971 a 1979, fase em que o Pink Floyd atravessou uma transformação gigantesca e produziu alguns dos discos mais importantes de sua carreira.

O repertório anunciado terá músicas de The Dark Side of the Moon (1973), Wish You Were Here (1975), Animals (1977) e The Wall (1979). Mais do que montar uma sequência de sucessos, a intenção musical é reproduzir os arranjos e características das gravações originais com o máximo de fidelidade possível.

É um período em que o Pink Floyd passou de uma banda que já possuía uma linguagem própria para um fenômeno capaz de unir experimentação, grandes conceitos, tecnologia de estúdio e espetáculos cada vez mais ambiciosos. A escolha desses quatro álbuns também coloca boa parte da contribuição composicional de Roger Waters no centro da produção.

O próprio Waters definiu o projeto como uma oportunidade de levar novamente essas músicas ao público. Ao anunciar Legacy, destacou o significado que elas adquiriram para diferentes gerações e disse estar entusiasmado com a possibilidade de vê-las sendo experimentadas ao vivo novamente.

HARRY WATERS ASSUME O COMANDO

Se o sobrenome chama imediatamente a atenção, Harry Waters está longe de ser um estranho nesse universo.

Pianista e compositor, ele passou mais de 15 anos tocando ao lado do pai e agora assume a direção musical de Legacy, além de tocar órgão Hammond B3, piano e participar dos vocais.

Roger Waters e Harry Waters Legacy A Pink Floyd Show

Sua relação com a obra do Pink Floyd, porém, começou muito antes de ele se tornar músico profissional. Ainda criança, Harry teve sua voz registrada em “Goodbye Blue Sky”, de The Wall. Décadas depois, participou das turnês de Roger e acabou conhecendo esse repertório por dentro, não apenas como filho de um de seus autores, mas como músico. 

No novo espetáculo, Harry lidera uma formação de dez músicos. Entre os integrantes anunciados está Clifton David Broadbridge, responsável pelos vocais principais. 

Essa informação também ajuda a dimensionar a proposta: Legacy não pretende ser um show de Roger Waters com uma nova banda de apoio. É uma produção própria, executada pela banda de Harry, mas desenvolvida sob a direção e supervisão criativa de Roger.

NÃO SERÁ APENAS A MÚSICA

Quem acompanhou as grandes turnês de Roger Waters sabe que a dimensão visual raramente ocupa um papel secundário. Em Legacy, essa característica também estará presente.

O espetáculo terá telões de LED em alta definição e uma retrospectiva visual inspirada na iconografia do Pink Floyd, incluindo imagens originalmente concebidas durante o período de Roger na banda e novos elementos criados a partir daquele universo.

A duração prevista é de aproximadamente duas horas e vinte minutos, incluindo intervalo, ao menos nas apresentações já detalhadas por casas que receberão a produção. 

A intenção parece ser menos a de construir uma banda tributo convencional e mais a de transportar para outro grupo de músicos uma experiência supervisionada por um dos responsáveis pela própria obra.

É justamente aí que Legacy se torna uma proposta curiosa. Roger não estará cantando “Comfortably Numb”, “Another Brick in the Wall” ou qualquer outro clássico no palco, mas estará diretamente ligado à forma como esse repertório será apresentado.

O LEGADO PASSA DE PAI PARA FILHO

O próprio conceito promocional da turnê resume essa passagem: o legado do pai, a banda do filho.

Existe algo inevitavelmente simbólico nisso. Harry cresceu literalmente dentro desse universo, participou de The Wallquando ainda era criança, passou anos tocando com Roger e agora recebe dele a responsabilidade de conduzir uma produção inteira dedicada à fase mais celebrada do Pink Floyd.

Roger Water na Tour do The Wall

Roger, por sua vez, permanece na posição de diretor e criador do espetáculo.

Ainda é cedo para saber até onde essa ideia poderá chegar. A produção fala em mais de cem cidades e já trabalha com apresentações na América do Norte e Europa, mas nenhuma passagem pela América do Sul ou pelo Brasil foi confirmada até agora.

Para quem acompanha o Pink Floyd há décadas, talvez o aspecto mais interessante de Legacy esteja justamente na inversão proposta pelo espetáculo. Roger Waters passou boa parte de sua carreira solo levando aos palcos músicas que escreveu ou ajudou a criar para o Pink Floyd.

Saiba mais sobre Roger Waters: https://www.instagram.com/rogerwaters?utm_source=ig_web_button_share_sheet&stkn=ZDNlZDc0MzIxNw==

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