Novo single da banda gaúcha aposta em uma combinação de agressividade, técnica e melodia para abordar conformismo, perda de identidade e a necessidade de romper com estruturas que anulam a individualidade.
Quase três décadas depois de iniciar sua trajetória no metal gaúcho, a Carcinosi continua procurando maneiras de ampliar sua própria linguagem. Lançado em 2 de outubro de 2026, “Disincorporate” apresenta a formação atual do grupo e coloca em primeiro plano uma sonoridade visceral, técnica e agressiva, sem abandonar os elementos melódicos que passaram a integrar sua identidade.

A atual formação reúne Tiago Vargas no baixo e vocais, Victor Nichele na guitarra e Leo Boeira na bateria. Em “Disincorporate”, o trio trabalha com riffs de Death Metal, bateria de forte presença, baixo contundente e vocais guturais dentro de uma produção que procura manter o peso sem sacrificar definição e dinâmica.

“DISINCORPORATE” COMO IDEIA DE RUPTURA
A agressividade da música não existe apenas como escolha estética. Conceitualmente, “Disincorporate” parte de questões ligadas ao conformismo, falsas expectativas, desilusão e perda de identidade, especialmente quando a necessidade de pertencer a determinado grupo, estrutura ou modelo começa a exigir como preço a própria individualidade.
É nesse ponto que o título ganha importância. “Disincorporar”, dentro da proposta apresentada pela banda, significa romper com aquilo que condiciona o indivíduo, deixar uma posição passiva e tentar recuperar a própria essência.
A reconstrução, porém, não acontece sem conflito. A música trabalha justamente sobre esse processo de perceber as estruturas que moldaram determinada identidade, confrontá-las e procurar alguma coisa própria entre os escombros dos paradigmas anteriores.
É uma temática que encontra terreno natural na linguagem extrema da Carcinosi. Em vez de simplesmente ilustrar a letra com peso, riffs e vocais guturais, a própria tensão da composição ajuda a traduzir musicalmente essa sensação de ruptura.
PESO, TÉCNICA E UMA PRODUÇÃO MAIS DEFINIDA
“Disincorporate” também permite observar onde a Carcinosi está musicalmente em 2026. A banda mantém suas raízes ligadas ao Death Metal, mas trabalha esse vocabulário buscando espaço para técnica, mudanças de dinâmica e elementos melódicos.
A produção, mixagem e masterização ficaram a cargo de Henrique Fioravante, da From Hellcords. As baterias foram registradas no Black Stork, com gravação de Thiago Caurio.
O resultado procura equilibrar duas características que nem sempre convivem facilmente dentro do metal extremo: densidade e definição. O peso permanece no centro da faixa, mas sem transformar todos os instrumentos em uma única massa sonora.
“DISINCORPORATE” TAMBÉM GANHA IMAGENS
O lançamento chega acompanhado de um videoclipe dirigido e produzido por Irani Junior, responsável por transportar para as imagens a atmosfera construída pela composição.
A opção por apresentar a música acompanhada de um trabalho audiovisual reforça a importância de “Disincorporate” dentro do momento atual do grupo. Mais do que simplesmente adicionar outra faixa à discografia, o single funciona como um registro da Carcinosi que existe hoje.
Formada em Porto Alegre em 1996, a banda atravessou diferentes momentos e configurações ao longo dessas três décadas. Naturalmente, a Carcinosi de 2026 não poderia soar exatamente como aquela que registrava suas primeiras demos no final dos anos 1990.
O que permanece é a disposição para utilizar o metal extremo como espaço para tratar de conflitos humanos e sociais por meio de uma linguagem sombria e agressiva.
Com “Disincorporate”, a Carcinosi não tenta reconstruir aquilo que já fez.
Olha para as próprias raízes, mas continua procurando o que pode nascer delas.
Curte Carsinosi? da uma olhada nesse compilado recem lançado: https://cogumelomedia.com.br/2026/10/03/carcinosi-origins-of-transfiguration-early-archives/
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