Turnê “Only 48 Years Old” celebra os 48 anos da banda inglesa e passa por Porto Alegre, Curitiba, São Paulo e Belo Horizonte em setembro. O Cólera, também formado em 1979, participa das quatro apresentações brasileiras.
O The Toy Dolls volta ao Brasil em setembro de 2027 para celebrar quase cinco décadas de uma trajetória construída de uma maneira bastante particular dentro do punk. Conhecida pelas músicas rápidas, melodias que grudam na cabeça, letras carregadas de humor e apresentações em que tocar parece ser apenas uma parte do espetáculo, a banda inglesa desembarca no país com a turnê “Only 48 Years Old”, realizada pela Powerline Music & Books.

Serão quatro apresentações no Brasil: Porto Alegre, no dia 15 de setembro; Curitiba, dia 17; São Paulo, dia 18; e Belo Horizonte, encerrando a passagem brasileira no dia 19. Antes disso, a etapa sul-americana começa em Buenos Aires, na Argentina, no dia 12, em parceria da Powerline com a Hellnoise Booking.
A escolha da banda convidada acrescenta um componente histórico à passagem pelo país. O Cólera estará nas quatro datas brasileiras, colocando lado a lado dois grupos que nasceram em 1979 e que, cada um dentro de sua realidade, atravessaram quase cinco décadas sem abandonar o punk.
THE TOY DOLLS E CÓLERA: DUAS HISTÓRIAS QUE COMEÇARAM EM 1979
A coincidência das datas ajuda a dar outro significado à turnê. The Toy Dolls e Cólera surgiram no mesmo ano, separados por milhares de quilômetros e inseridos em contextos completamente diferentes.
Enquanto o grupo inglês desenvolveu uma vertente extremamente melódica, acelerada e bem-humorada do punk, o Cólera tornou-se um dos nomes pioneiros do punk brasileiro, construindo uma trajetória ligada também ao pacifismo, à crítica social e à independência.
Em 2027, as duas bandas chegam aos 48 anos de existência. Não se trata, portanto, apenas de colocar uma atração internacional e uma abertura brasileira no mesmo cartaz. São duas histórias de longevidade dentro de um gênero que nasceu associado à urgência e que, ironicamente, produziu artistas capazes de permanecer ativos durante praticamente meio século.
“ONLY 48 YEARS OLD”
O próprio nome da turnê brinca com essa longevidade. “Only 48 Years Old” chega em um momento no qual o The Toy Dolls também trabalha no sucessor de Episode XIII, seu mais recente álbum de estúdio, lançado em setembro de 2019, quando a banda comemorava quatro décadas de atividade.

Construído em torno da ideia de um programa de televisão — daí o título —, o álbum trouxe faixas inspiradas em séries policiais e manteve aquela combinação de punk, melodias, humor e situações absurdas que acompanha o grupo desde seus primeiros trabalhos.
O sucessor já está em processo de composição, mas a vontade de voltar aos palcos falou mais alto. Em vez de esperar mais um ano até que Michael “Olga” Algar concluísse o próximo álbum, a banda decidiu ampliar consideravelmente sua agenda em 2027, com cerca de 20 apresentações já previstas entre festivais e shows próprios.
Para o público brasileiro, isso significa um novo encontro com uma banda cuja reputação sempre esteve intimamente ligada às apresentações ao vivo. No palco, o The Toy Dolls nunca se contentou em simplesmente executar seu repertório. Saltos, movimentos sincronizados, coreografias e guitarras giratórias fazem parte de uma linguagem visual que acompanha a velocidade das músicas e o humor que sempre diferenciou o grupo dentro do punk inglês.
DE SUNDERLAND PARA O MUNDO
A história começou em Sunderland, na Inglaterra, em 1979, com Olga ao lado do baixista Tommy Goober. O primeiro compacto independente, “Tommy Kowey’s Car”, apareceu no ano seguinte e teve uma trajetória que já carregava um pouco da realidade DIY que acompanharia inúmeras bandas punk: uma primeira prensagem de apenas 500 cópias, financiada por um empresário local, esgotou, mas não havia dinheiro disponível para fabricar outra.
O que nasceu como limitação acabou transformando o single em raridade.
O primeiro álbum, Dig That Groove Baby, chegou em 1983 e estabeleceu definitivamente aquela combinação de punk acelerado, melodias quase infantis, técnica instrumental e humor que se tornaria uma das marcas do Toy Dolls.
O grande salto comercial, entretanto, viria de uma fonte bastante improvável.
QUANDO “NELLIE THE ELEPHANT” VIROU HIT
Poucas bandas punk poderiam imaginar que um de seus maiores sucessos viria de uma canção infantil dos anos 1950. O The Toy Dolls fez exatamente isso com “Nellie the Elephant”, originalmente lançada em 1956.
A transformação da música em uma pequena explosão punk levou o grupo ao 4º lugar da parada britânica em 1984, permanecendo por 14 semanas no ranking. O sucesso colocou a banda diante de um público muito maior sem obrigá-la a abandonar a personalidade que havia construído no underground.
No ano seguinte, A Far Out Disc chegou ao 71º lugar da parada britânica de álbuns. A discografia continuaria crescendo com trabalhos como Idle Gossip (1986), Bare Faced Cheek (1987), Absurd-Ditties (1993), One More Megabyte (1997) e Our Last Album? (2004).
O título deste último chegou a sugerir uma despedida e fez muita gente acreditar que o Toy Dolls estava preparando o encerramento da carreira. Naturalmente, vindo de uma banda que sempre fez do humor parte da própria identidade, havia uma piada esperando no final: a última faixa tratava de avisar que aquele não seria realmente o último álbum.
OLGA, O PERSONAGEM CONSTANTE DESSA HISTÓRIA
Se formações mudaram durante quase cinco décadas, uma figura permaneceu no centro do The Toy Dolls: Michael “Olga” Algar.
Vocalista, guitarrista e principal compositor, Olga desenvolveu uma maneira de tocar imediatamente reconhecível, combinando a velocidade do punk com um nível técnico pouco comum dentro do gênero. Fora da banda, também participou de gravações de outros artistas e trabalhou na composição e produção de músicas para televisão e publicidade.
Essa técnica, porém, nunca transformou o Toy Dolls em uma banda preocupada em demonstrar virtuosismo pelo virtuosismo. Ela aparece no meio das melodias aceleradas, das piadas, dos solos e das coreografias como mais uma peça de uma identidade que dificilmente poderia ser confundida com a de outro grupo.
Ao longo dos anos, essa personalidade levou a música da banda para além dos discos e dos palcos, aparecendo também em filmes, videogames e produções televisivas.
CÓLERA: 48 ANOS DE PUNK BRASILEIRO NO MESMO PALCO
Se o The Toy Dolls chega ao Brasil celebrando 48 anos de estrada, a escolha do Cólera para acompanhar todas as apresentações brasileiras torna a turnê ainda mais simbólica. A banda paulistana também nasceu em 1979 e faz parte da geração que estabeleceu as bases do punk no Brasil, construindo uma trajetória marcada pela independência, pelo pacifismo e por letras que transformaram inquietação social em música.

A história do grupo está diretamente ligada aos irmãos Redson Pozzi e Pierre Pozzi, personagens fundamentais da primeira geração do punk brasileiro. Em uma época em que praticamente não existia estrutura para aquele tipo de música no país, o Cólera ajudou a criar seus próprios caminhos, participando da formação de uma cena que encontrou nos discos independentes, nos pequenos espaços e na circulação construída pelas próprias bandas uma maneira de sobreviver.
Ao longo dessa trajetória, músicas como “Pela Paz em Todo Mundo”, “Medo” e “Quanto Vale a Liberdade?”ajudaram a estabelecer uma identidade que ia além da velocidade e da distorção. O Cólera fez do punk um instrumento para falar de guerra, violência, liberdade e das contradições da sociedade brasileira, mantendo essa postura mesmo quando o gênero atravessou períodos muito distantes da exposição conquistada nos anos 1980.
A morte de Redson, em 2011, encerrou um capítulo fundamental dessa história, mas não significou o fim da banda. O Cólera seguiu em atividade, mantendo vivo um repertório que atravessou gerações e permanece como parte importante da memória do punk nacional.
Por isso, colocar Cólera e The Toy Dolls na mesma noite vai além de reunir uma atração brasileira e outra inglesa. São duas bandas nascidas em 1979, em lados diferentes do mundo, que encontraram caminhos muito particulares dentro do punk e chegam a 2027 ainda ocupando os palcos.
THE TOY DOLLS NO BRASIL 2027: DATAS E CIDADES DA TURNÊ
A passagem brasileira de “Only 48 Years Old” começa em Porto Alegre, no dia 15 de setembro, no Opinião. Dois dias depois, em 17 de setembro, The Toy Dolls e Cólera seguem para Curitiba, onde se apresentam no Tork n’ Roll. No dia seguinte, 18 de setembro, é a vez de São Paulo receber a turnê no Cine Joia.
A última apresentação brasileira acontece em 19 de setembro, no Mister Rock, em Belo Horizonte. Antes do Brasil, a etapa sul-americana começa em Buenos Aires, no dia 12.
Quatro cidades, duas bandas que nasceram no mesmo ano e quase um século de punk somado sobre o mesmo palco. As diferenças entre elas são enormes — e talvez seja justamente isso que torne o encontro tão interessante. Enquanto o Toy Dolls construiu uma carreira em que humor, melodias irresistíveis, técnica e espetáculo caminham juntos, o Cólera escreveu parte fundamental da história do punk brasileiro transformando inconformismo, pacifismo e resistência em música.
Em 1979, dificilmente alguém envolvido com qualquer uma das duas bandas poderia imaginar que, 48 anos depois, elas estariam atravessando o continente para dividir palcos no Brasil. O punk mudou, o mundo mudou, gerações inteiras chegaram depois delas e até a maneira de ouvir música foi transformada inúmeras vezes.
The Toy Dolls e Cólera continuam aqui.
Talvez essa seja a melhor explicação possível para o nome “Only 48 Years Old”.
SERVIÇO — THE TOY DOLLS + CÓLERA | BRASIL 2027
PORTO ALEGRE
Data: 15 de setembro de 2027 — quarta-feira
Local: Opinião
Endereço: Rua José do Patrocínio, 834 — Cidade Baixa, Porto Alegre/RS
Ingressos: Bilheto/Sympla
CURITIBA
Data: 17 de setembro de 2027 — sexta-feira
Local: Tork n’ Roll
Endereço: Avenida Marechal Floriano Peixoto, 1695 — Rebouças, Curitiba/PR
Ingressos: Fastix
SÃO PAULO
Data: 18 de setembro de 2027 — sábado
Local: Cine Joia
Endereço: Praça Carlos Gomes, 82 — Liberdade, São Paulo/SP
Ingressos: Fastix
BELO HORIZONTE
Data: 19 de setembro de 2027 — domingo
Local: Mister Rock
Endereço: Avenida Tereza Cristina, 295 — Prado, Belo Horizonte/MG
Ingressos: Fastix
Banda convidada em todas as datas: Cólera
Realização: Powerline Music & Books







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