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Gangrena Vodu, Ereboros e mais oito bandas formam a escalação do primeiro dia do festival, que reúne diferentes vertentes da música pesada no underground fluminense.

A convocação começou.

Depois de apresentar os primeiros destaques do Ritual Metal Festival 2026, o festival revela agora a escalação do dia 5 de dezembro. São dez bandas, dois palcos anunciados e uma programação que atravessa diferentes territórios da música pesada, com encontro marcado no Roxx Music Bar, em São Gonçalo, no Rio de Janeiro.

Gangrena Vodu e Ereboros já haviam sido anunciadas pelo Cogumelo em Cena em nossa matéria anterior. Agora, a lista ganha novos nomes e amplia o panorama sonoro da noite, reunindo death metal, deathcore, hardcore, crossover, groove metal, heavy metal, nu metalcore e outras vertentes que mantêm o underground em constante movimento.

O recado é direto: o Ritual não se resume a dois nomes de destaque. A força dessa convocação também está nas bandas que ocupam os palcos, constroem sua trajetória longe do circuito comercial e fazem a música pesada continuar encontrando espaço na região.

Conheça os Convocados.

GANGRENA VODU: QUANDO O METAL BRASILEIRO ENCONTRA SUAS PRÓPRIAS RAÍZES

Um batuque sombrio surge dos Terreiros de Macumba. Espíritos ancestrais evocam maldições do mais profundo submundo e jogam seus feitiços em cima de você! Formada no Rio de Janeiro no início da década de 90, a Gangrena Vodu e suas entidades invadem o território antes dominado pela mitologia europeia e cruzam elementos da Umbanda com Heavy Metal e Hardcore regados a pontos de Macumba, colocando Orixás, Exus, Caboclos e Pretos-Velhos como protagonistas do ocultismo no Rock’n’Roll. A única banda de Saravá Metal do mundo!

EREBOROS: O LADO MAIS SOMBRIO DO DEATH METAL

Emergindo no Rio de Janeiro em 2022, a Ereboros vem construindo seu espaço no death metal nacional com uma proposta marcada pela obscuridade, pela agressividade e por atmosferas densas.

Suas composições exploram temas como mitologia, ocultismo e natureza humana, utilizando a música extrema como território para investigar os aspectos mais sombrios da existência. A combinação entre peso, atmosfera e construção conceitual ajuda a definir a identidade do grupo.

Com uma presença de palco intensa e uma sonoridade voltada aos admiradores do metal extremo, a banda vem ampliando seu alcance dentro da cena brasileira. No Ritual Metal Festival 2026, a Ereboros se junta a outras nove atrações em uma programação que reúne diferentes expressões do underground.

FLESH TO THE WORMS: PESO E INTENSIDADE SEM CONCESSÕES

Para quem procura as vertentes mais extremas da música pesada, a Flesh to the Worms acrescenta uma dose de brutalidade à programação.

Identificada no cartaz como deathcore, a banda ocupa um território sonoro que aproxima a agressividade do death metal da dinâmica do metalcore. O resultado dessa combinação pode envolver riffs graves, mudanças bruscas de intensidade e passagens construídas para atingir o público em cheio.

O deathcore consolidou seu espaço dentro da música pesada ao explorar os limites entre brutalidade, técnica e impacto rítmico. Sua presença no Ritual amplia o espectro de sonoridades extremas da noite e coloca a Flesh to the Worms diante de um público interessado em diferentes caminhos do metal contemporâneo.

OS BAGAÇAS: A ATITUDE DO HARDCORE DIRETO DE SÃO GONÇALO

O hardcore tem uma história profundamente ligada à expressão coletiva, à contestação e à realidade de quem encontra na música uma maneira de transformar inquietação em discurso. Os Bagaças dialogam com essa tradição.

Ligada à cena de São Gonçalo, a banda mistura hardcore punk, thrash metal e crossover, combinando a velocidade do punk com a agressividade dos riffs do metal. Suas letras abordam o cotidiano e as desigualdades sociais, mantendo a música conectada a questões que ultrapassam o palco.

O crossover, em particular, aproxima a energia do hardcore da intensidade do thrash metal, criando uma sonoridade direta e sem excesso de formalidade. É uma combinação que privilegia a força coletiva e a comunicação imediata com o público.

No Ritual, Os Bagaças representa a importância das bandas que mantêm viva a ligação entre música pesada, território e realidade social.

LOKO NEW: GROOVES E A ENERGIA DO NEW METAL

O new metal também marca presença na convocação com a Loko New.

A vertente ganhou força a partir dos anos 1990 ao aproximar o peso das guitarras de grooves marcantes, afinações graves e influências de diferentes linguagens musicais. Sua identidade abriu espaço para novas formas de trabalhar ritmo, dinâmica e expressão vocal dentro do rock pesado.

Em vez de seguir exclusivamente a estrutura tradicional do metal, o new metal explora contrastes e combinações que ajudam a construir uma sonoridade própria. Essa diversidade explica por que o estilo continua encontrando espaço entre bandas de diferentes gerações.

A Loko New acrescenta essa perspectiva à programação do Ritual, ampliando o encontro entre vertentes e mostrando que a música pesada não precisa caber em uma única definição.

SANGRIA: A MÚSICA PESADA EM DIÁLOGO COM A CULTURA BRASILEIRA

Formada no Rio de Janeiro em janeiro de 2025, a Sangria traz para sua proposta referências nordestinas e regionais, aproximando o metal de narrativas que fazem parte do imaginário brasileiro.

A banda trabalha com composições em português e inglês. Seu single de estreia, O Assombro do Sertão, aborda a vida e a morte de Lampião, figura histórica central na memória do cangaço.

A escolha do tema abre espaço para uma aproximação entre a música pesada e referências culturais que nem sempre ocupam o centro das narrativas do metal. Em vez de recorrer apenas a mitologias estrangeiras ou cenários fantásticos, a Sangria encontra no próprio repertório histórico brasileiro elementos para construir sua identidade.

Essa conexão entre peso e regionalidade acrescenta uma dimensão interessante à escalação. É mais uma demonstração de que o metal produzido no país pode dialogar com diferentes tradições sem perder sua força.

SWITCHBACK: HARDCORE, THRASH E A VONTADE DE CONFRONTAR

Formada em Niterói, a Switchback aproxima hardcore, punk rock, thrash metal e crossover em uma sonoridade direta e agressiva.

A banda trabalha com letras de protesto e denúncia social, trazendo para suas composições questões políticas e contradições do cotidiano. O peso dos instrumentos acompanha uma proposta que preserva a ligação histórica entre hardcore e inconformismo.

Entre os lançamentos do grupo estão os EPs Sobrevivendo ao Caos, de 2019, e Batendo de Frente, de 2021. Em 2025, a banda lançou o álbum O Cão Tá Pra Trás, ampliando sua discografia e aprofundando a mistura de referências que marca seu trabalho.

A Switchback chega ao Ritual representando uma vertente que não separa a música daquilo que acontece ao redor. É som pesado, mas também é posicionamento, crítica e expressão de uma realidade compartilhada.

SCARLET HORIZON: UMA TRAJETÓRIA NO METAL CARIOCA

Ativa desde 2004, a Scarlet Horizon carrega uma trajetória que atravessa diferentes momentos do metal independente do Rio de Janeiro.

Associada ao progressive metal e ao power metal, a banda explora vertentes que valorizam a construção instrumental, as melodias e composições mais elaboradas. No cartaz do Ritual, o grupo aparece classificado como heavy metal, uma denominação ampla para sua presença na programação.

Entre os lançamentos associados à trajetória da banda estão o EP Sunset in the Abyss, de 2007, o single Worst Awakening, de 2025, e o álbum Genesis of the End, de 2026.

Sua presença acrescenta uma perspectiva construída ao longo de mais de duas décadas de atividade. Em uma programação que reúne diferentes gerações e linguagens, a Scarlet Horizon representa a continuidade do metal autoral e a persistência de quem constrói uma carreira dentro do circuito independente.

TDAH: A FORÇA DO NU METALCORE

Nu-Metalcore Carioca, a TDAH integra a parcela da programação que aproxima diferentes gerações da música pesada.

O nu metalcore combina elementos do nu metal, como riffs graves e grooves marcantes, com a intensidade e as mudanças de dinâmica características do metalcore. Essa aproximação permite explorar contrastes entre passagens rítmicas, momentos de tensão e explosões de peso.

É uma vertente que ganhou espaço na música pesada contemporânea justamente pela possibilidade de combinar referências sem se prender a uma fórmula única.

A TDAH acrescenta essa linguagem ao Ritual e amplia a diversidade sonora do primeiro dia. Para quem acompanha as transformações do metal contemporâneo, sua presença abre mais uma possibilidade de descoberta dentro da escalação.

OGAN: DEATH/THRASH E A FORÇA DA CENA LOCAL

Representando São Gonçalo, a Ogan aparece na programação com uma proposta que aproxima death metal e thrash metal.

Essa combinação reúne a velocidade e os riffs incisivos do thrash à agressividade e à densidade do death metal. São duas vertentes que compartilham uma longa história dentro da música extrema e que continuam influenciando bandas de diferentes gerações.

No Ritual, a Ogan leva ao palco uma das expressões mais tradicionais do metal extremo, representando a força da cena que se desenvolve na própria região.

DEZ BANDAS, DIFERENTES CAMINHOS E UM UNDERGROUND EM MOVIMENTO

A primeira escalação do Ritual Metal Festival 2026 reúne muito mais do que uma sequência de nomes. São diferentes maneiras de compreender o peso, construir uma identidade musical e encontrar espaço dentro de uma cena que depende da circulação, da colaboração e da presença do público.

Cada banda carrega sua própria trajetória. O encontro entre elas é o que dá dimensão à convocação.

Para o público, é uma oportunidade de reencontrar nomes conhecidos e descobrir novos sons. Para as bandas, é mais um espaço de circulação e contato com quem acompanha a música pesada de perto. Para a cena independente, são encontros que ajudam a manter uma rede de artistas, produtores, casas de shows e ouvintes em atividade.

O underground não se sustenta sozinho. Ele precisa de palco, público e oportunidades para continuar crescendo.

Em 5 de dezembro, São Gonçalo recebe mais um capítulo dessa história.

Os primeiros convocados já estão anunciados. Agora, é preparar os ouvidos para o Ritual.

SERVIÇO

Ritual Metal Festival 2026, primeiro dia

Data: sábado, 5 de dezembro de 2026.

Local: Roxx Music Bar.

Cidade: São Gonçalo, Rio de Janeiro.

Bandas confirmadas:

Gangrena Vodu
Ereboros
Flesh to the Worms
Os Bagaças
Loko New
Sangria
Switchback
Scarlet Horizon
TDAH
Ogan

Ingressos, horários e informações adicionais: consulte os canais oficiais do festival.

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