A Experience Music, na Lapa, RJ recebeu nesta terça-feira um pedaço importante da história do death metal. Benediction subiu ao palco com Kam Lee no microfone e entregou um show direto e pesado… exatamente o que se espera da banda que carrega três décadas e meia de discografia nas costas.
A turnê Ravage of Empires Latin American Tour 2026 chegou ao Rio de Janeiro já com alguns shows no currículo brasileiro. Com um repertório equilibrado entre o material novo e os clássicos e com a presença especial de Kam Lee (Massacre) no lugar de Dave Ingram. A troca, motivada por problemas de saúde do vocalista titular, acabou virando um dos grandes atrativos da passagem.
O público chegou de forma tímida, mas aos poucos lotou a casa. Sempre caótica, a Lapa tinha o clima típico de uma noite de metal extremo. A banda de abertura Ereboros, acabou não aparecendo por questões de pessoais, assim a Benediction entrou um pouco mais cedo e não desperdiçou tempo.


O setlist seguiu o padrão da turnê. Começou pesado com “Engines of War” e “Unfound Mortality”, passou por “The Crooked Man” e “A Carrion Harvest” e enveredou pelos clássicos. “Artefacted Irreligion e Subconscious Terror” soou especialmente forte, e a resposta da plateia foi intensa a cad música. Kam Lee, com a sua voz característica, deu um tom pessoal às músicas sem tentar imitar ninguém. Parecia bem a vontade e a banda também.
Menção aos destaques claros da noite ficaram por conta de “The Grotesque”, “Stormcrow” e “Foetus Noose”. “Progenitors of a New Paradigm” veio com peso extra por ter a participação de Kam Lee no disco, e o encerramento com “Biohazard”, clássico do Massacre, foi um dos momento mais celebrados da noite. Inacreditável… a plateia urrava junto, o som ficou brutal (diferente de São Paulo) e o clima foi de confraternização entre new e old school.
Tecnicamente, o show foi sólido e reto. Guitarras estavam perfeita, bateria seca e metralhando, o baixo contundente e presente. A iluminação deixou tudo mais denso e um pouco claustrofóbico o que, no caso do death metal, funciona mto bem. Eu me senti em um ring, a cada música uma oportunidade para mosh pits violentos! Não houve grandes papos nem discursos por parte de Kam Lee, Benediction só tocou, subiu ao palco e esmagou nossos tímpanos e corações e assim foi embora. Para quem acompanha a carreira da banda desde os anos 90, foi um show memorável e que facilmente performa no meu top 10 shows que preciso ver antes de morrer, um show que serve tanto para revisitar clássicos quanto para ouvir o material novo com outro contexto. Para quem chegou mais recentemente, foi uma aula de death metal old school que ainda consegue soar relevante sem precisar reinventar a roda.
A turnê ainda passa por Porto Alegre e Curitiba. Quem perdeu o Rio ainda tem chance de pegar a mesma formação. Vale muito a pena, um show simplesmente épico.

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