Hardcore é resistência: Ingrate, Militia, Escombro e Institution no Burning House
Na última sexta-feira (12), o Burning House, espaço independente localizado na zona oeste de São Paulo, foi palco de mais uma noite intensa e necessária de hardcore político e combativo. Com início pontual às 19h, o público foi recebido com o já tradicional merch das bandas, reencontros e expectativa alta por uma das noites mais comentadas da cena nos últimos meses.
A abertura ficou por conta da Ingrate, que não poupou palavras para denunciar os horrores da guerra na Palestina — apontando o papel ativo dos EUA como financiador de um genocídio. O show trouxe uma nova faixa inédita, anunciando também um novo EP a caminho. Entre riffs agressivos e discursos inflamados, o público respondeu com energia e mosh constante. A banda também destacou a importância da imprensa independente e da leitura crítica, exaltando o jornal A Verdade, publicação de linha política e de denúncia que vem da resistência em Recife.




Às 20h20, foi a vez da Militia subir ao palco com peso e contundência. A banda paulistana trouxe um discurso forte sobre as milícias em São Paulo, a política armamentista de Bolsonaro e a realidade dos trabalhadores que sofrem com essas estruturas criminosas. A cada música, o vocalista reforçava a urgência de não se calar diante da injustiça. O set encerrou com “Discurso”, faixa que sintetiza a proposta direta da banda: hardcore como arma de enfrentamento.





Escombro assumiu o palco às 21h40 e trouxe o aguardado repertório do novo álbum “Vida Vazia”, lançado neste ano. Para muitos ali, era a primeira vez ouvindo o disco ao vivo — e a expectativa foi superada. Com discurso de positividade, resistência e superação, a banda emocionou e energizou a pista. Também foi a estreia do novo baterista, que mostrou sintonia e potência logo de cara. A roda se abriu ainda maior e o público respondeu com presença, corpo e coração.









Encerrando a noite, às 22h, o Institution fez um dos shows mais emocionantes da noite. Com discurso político afiado, o vocalista falou sobre trabalho, família, meritocracia e sobrevivência, destacando a desigualdade estrutural e a luta de quem segue resistindo diariamente. O envolvimento com o público foi total: microfone compartilhado, refrões gritados por todos, suor e catarse coletiva. Após um set poderoso com clássicos como “Assimetria” e “Autofagia”, o público pediu — e recebeu — um bis com “A Queda”, encerrando a noite em alta voltagem.




Mais do que um show, a noite foi um manifesto coletivo de resistência, onde cada banda reafirmou seu compromisso com a cena e com a luta. Um retrato vívido do hardcore como espaço político, crítico e de acolhimento.
Institution – Setlist
- Lapso
- Frêmito
- Vidas Plásticas
- Panopticon
- Assimetria
- Vertical
- Practice of Freedom
- Elogio a um Futuro Esquecido
- Memória Falha
- A Queda
- Autofagia
- No Limiar do Exílio
- Atlantis
Bis: A Queda








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