
Entre a fúria do Ultimato e a pancadaria da Terceira Guerra, o Projeto Mayhem trouxe ao La Iglesia uma atmosfera de caos e decadência sonora. A banda paulista despejou um set brutal, repleto de peso extremo, letras corrosivas e uma entrega que manteve o público em estado constante de choque e catarse.
Um setlist para o apocalipse
Abrindo com “Jardim da Agonia”, o tom foi estabelecido desde os primeiros segundos: desesperança e brutalidade em doses iguais. “Cidade sem Leis” e “Menos Um” ampliaram o clima de colapso urbano, enquanto “Maldita Herança” trouxe riffs densos que ecoavam como um peso geracional inevitável.
Na metade do set, o ataque se intensificou com “Insidioso” e “Projeto Destruição”, que soaram como declarações de guerra. Logo depois, “Necrochorume” e “Human Shit” mergulharam em um registro ainda mais grotesco, onde o death metal se misturava ao hardcore para cuspir uma sonoridade podre e implacável.
O encerramento veio com a provocação direta de “Kill the Politicians”, seguida pelo hino nihilista “Nascer, Sofrer e Morrer”, que fechou a apresentação com um impacto devastador — deixando claro que o Projeto Mayhem é pura destruição do início ao fim.
Peso, caos e resistência
O público, já aquecido pelo Ultimato, respondeu com rodas intensas, gritos e punhos erguidos. A sensação era de estar em meio a uma tempestade sonora, onde cada música funcionava como munição contra a apatia e a podridão social.
A noite completa
O Projeto Mayhem cumpriu seu papel como peça central da tríade que tomou o La Iglesia em 06/09: três faces distintas do underground, mas todas unidas pela urgência e pela honestidade. A parte do Mayhem foi a mais suja e caótica — e exatamente por isso, absolutamente necessária.\
Texto: Gmaglia
Fotos: PMelo & Gmaglia























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