
Mojica era cineasta, ator, apresentador e roteirista de cinema. É considerado o pai do terror nacional.
Ele criou o personagem de terror brasileiro mais íconico de todos os tempos, o lendário e temido, Zé do Caixão.
O personagem nasceu de um pesadelo. José Mojica Marins viu um vulto sombrio que o arrastava até o próprio túmulo. O frio da terra o chamava, enquanto a sombra, implacável, o empurrava para a escuridão eterna. Esse delírio noturno ganhou forma nas telas em uma das cenas mais macabras do cinema nacional: Zé do Caixão, perseguido por um espectro fantasmagórico, é levado ao seu sepulcro. A atmosfera é sufocante, impregnada de simbolismo, medo da morte e a sensação inevitável de que toda vida amoral exige sua punição.

Em seu início de carreira, tinha uma parceria de muito sucesso, R. F. Lucchetti (1930-2024), Lucchetti era um ficcionista, desenhista, articulista e roteirista de filmes, histórias em quadrinhos e fotonovelas. Era considerado o “Papa da Pulp fiction” no Brasil.
Lucchetti foi roteirista de vários filmes do Mojica. Ele é creditado em obras como Esta Noite Encarnarei no Teu Cadáver (1967), onde ajudou a dar mais corpo e complexidade às ideias de Mojica.
Enquanto Mojica tinha um estilo mais intuitivo, visual e ousado, Lucchetti trazia estrutura narrativa e diálogos, o que ajudou a transformar o impacto das imagens em histórias mais consistentes.
Além do cinema, os dois trabalharam juntos em revistas e histórias em quadrinhos, expandindo o personagem Zé do Caixão para além das telas. Lucchetti roteirizou HQs e publicações populares de terror que usavam o personagem.
Essa parceria foi essencial para consolidar Zé do Caixão como um ícone cultural, indo além de um personagem de filmes de baixo orçamento para se tornar uma figura mítica do terror brasileiro.
Em resumo: Mojica era o criador e a força visual do Zé do Caixão, enquanto Lucchetti foi o grande arquiteto das narrativas escritas que ajudaram a eternizar a lenda.

Rubens Francisco Lucchetti (1930-2024)
E bora pras curiosidades do mestre:
Filme icônico: À Meia-Noite Levarei Sua Alma (1964) foi o primeiro filme de terror genuinamente brasileiro, apresentando o personagem ao público.
Censura: Durante a ditadura militar, enfrentou forte repressão; muitos de seus filmes foram proibidos ou cortados por “imoralidade” e “excesso de violência”.
Versatilidade: Além do terror, dirigiu faroestes, dramas e até pornochanchadas para se manter ativo no mercado.
Visual marcante: A cartola, a capa preta e as unhas longas tornaram-se sua assinatura visual.
Filósofo macabro: O personagem não era apenas um vilão; expressava ideias filosóficas sobre imortalidade e continuidade do sangue.
Reconhecimento internacional: Conhecido como “Coffin Joe” no exterior, ganhou destaque em festivais e influenciou cineastas como Tim Burton e Rob Zombie.
Artista multifacetado: Atuou, dirigiu, produziu e roteirizou, além de apresentar programas de TV.
Cultura pop: Nos anos 1960 e 70, comandava programas em que lia cartas “malditas” e fazia previsões, misturando humor e horror.
Reconhecimento tardio: Enquanto no Brasil era muitas vezes marginalizado, foi celebrado no exterior como um mestre do terror.

Mojica faleceu em 19 de fevereiro de 2020, aos 83 anos, deixando um legado único e inconfundível no cinema de horror mundial.
Me incluo nessa, ele foi minha inspiração para a criação da Terror Maniacs. Suas obras também seguem inspirando cineastas independentes por todo o Brasil.

Foto que tirei com ele na extinta Livraria Cultura no Conjunto Nacional em São Paulo, em 2015. Na ocasião ele estava lançando seu livro Zé do Caixão: Maldito – A Biografia, da Darkside Books.
Texto: Marcelo Kiss – Terror Maniacs

















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