A vigésima segunda edição do Headbangers Attack Festival mostrou mais uma vez porque o evento permanece como uma das celebrações mais importantes do underground extremo do Distrito Federal. Realizado na ARUC, no Cruzeiro Velho, o festival reuniu diferentes vertentes do metal nacional em uma noite marcada por peso, resistência cultural e uma conexão intensa entre bandas e público. 

Mesmo chegando à sua 22ª edição e recebendo apoio através do Circuito Underground de Festivais do DF, o Headbangers Attack segue preservando sua essência. A proposta continua a mesma, fortalecer a cena subterrânea, abrir espaço para bandas locais e criar encontros entre veteranos históricos e novas forças do metal extremo brasileiro. 

A noite começou de forma tímida, ainda com o público chegando aos poucos, enquanto o DEVASTA assumia a responsabilidade de abrir o festival. Misturando composições autorais com releituras do obscuro WHO FARTED? nome cultuado do underground brasiliense dos anos 90, a banda transformou a abertura em um manifesto de revolta e crítica social. Faixas como “Povo Brasileiro”, “Restos da Guerra” e “Na Fila da Execução” já indicavam que o Headbangers Attack não seria apenas uma sequência de shows, mas uma verdadeira experiência coletiva. 

Na sequência, o Mórbid Devourment elevou drasticamente a temperatura da noite. Com uma sonoridade brutal e atmosfera infernal, a banda conduziu o público por um ataque sonoro marcado por faixas como “Reign of Hades”, “Cursed Graveyard”, “Skullthrone of Satan” e “Carnificine”. Foi nesse momento que as primeiras rodas começaram a surgir e o público passou a se aproximar cada vez mais do palco. 

O ASGARD trouxe uma mudança interessante na dinâmica do festival, apostando em uma abordagem mais épica e atmosférica sem abandonar o peso. Com músicas como “A Última Floresta”, “Labirinto” e “Sarracenos”, a banda adicionou uma camada melódica e narrativa à noite, mostrando a diversidade presente dentro da curadoria do evento. 

A partir dali o Headbangers Attack mergulhou de vez no caos absoluto. 

A apresentação da Bile Negra levou a ARUC para um território sufocante de niilismo, decadência e desconforto. “O Grito é Inútil”, “Reino da Doença”, “Social Putrefação” e “A Bondade Morrerá Essa Noite” transformaram o palco em uma explosão de agressividade e desespero urbano. 

“Logo depois, o Primitive Death entregou um dos momentos mais devastadores do festival. Entre riffs esmagadores, vocais brutais e uma atmosfera completamente apocalíptica, a banda incendiou a plateia com faixas como ‘Noise’, ‘Prognosis Annihilation’, ‘Territorial Leech’ e ‘After the Final Collapse’. A essa altura da noite, já não existia separação entre palco e público, apenas caos, suor e devoção absoluta ao metal extremo.” 

Mas foi durante a apresentação do VELHO que o Headbangers Attack  atingiu um de seus momentos mais ritualísticos e hipnóticos. Entre fumaça, distorção e uma presença de palco sufocante, a banda transformou a ARUC em uma cerimônia de caos e decadência existencial. “Destruindo os Mandamentos”, “Newton Misantropo”, “Capela Negra, Círculo de Fogo” e “Satã, Apareça!” foram recebidas por um público completamente alucinado, cantando cada verso em uníssono. 

A ZUADA também teve papel fundamental na construção da intensidade da noite. Apostando em letras carregadas de denúncia social, colapso emocional e resistência periférica, a banda trouxe um dos repertórios mais humanos e agressivos do festival. “Periferia”, “Estado Negligência”, “Cidade Grande” e “Grilhões da Opressão” reforçaram a conexão direta entre underground e realidade urbana. 

E então chegou o momento mais aguardado da noite. 

A estreia do Azul Limão em Brasília, celebrando os 40 anos do clássico “Vingança”, transformou o Headbangers Attack em um acontecimento histórico para o metal nacional. Quando a banda subiu ao palco, a ARUC já estava completamente lotada e em estado de êxtase coletivo. 

Mais do que um show comemorativo, a apresentação carregava o peso simbólico de um encontro entre gerações. O público cantava cada refrão, cada riff e cada verso com intensidade impressionante, transformando músicas como “Satã Clama Metal”, “Sangue Frio”, “O Grito” e “Vingança” em verdadeiros hinos do heavy metal brasileiro. 

Não havia mais separação entre banda e plateia. Apenas entrega absoluta. 

A reação do público durante o encerramento deixou evidente a importância histórica do Azul Limão para o metal nacional e reforçou perfeitamente a proposta do Headbangers Attack Festival, preservar a memória do underground enquanto impulsiona novas bandas e novas gerações. 

A 22ª edição do festival provou que o underground do Distrito Federal continua vivo, pulsante e necessário. Em uma noite construída através de suor, distorção, resistência e paixão genuína pela música extrema, o Headbangers Attack reafirmou sua posição como um dos eventos mais autênticos da cena brasileira. 

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