
Na noite de 18 de maio, o Espaço Marin recebeu um evento que foi muito além do formato tradicional de show. O encontro conduzido por Aquiles Priester funcionou como celebração de uma fase marcante do metal brasileiro, aula prática de bateria e experiência emocional para músicos e fãs que acompanharam de perto uma das trajetórias mais respeitadas da música pesada nacional.
A proposta do Drum Show já carregava um peso especial desde o anúncio: executar o álbum Rebirth, do Angra, na íntegra, utilizando o lendário kit de bateria do DVD Rebirth World Tour: Live in São Paulo.

E foi exatamente essa conexão entre memória, técnica e presença de palco que transformou a noite em algo tão forte.
Antes da entrada de Aquiles, o evento ainda contou com apresentação de Marcelo Bucater na abertura.

Conhecido pelo trabalho como baterista, educador e produtor, Bucater trouxe ao palco uma abordagem muito ligada ao jazz, à improvisação e às brasilidades, adicionando outra camada sonora ao evento. Sua performance criou um contraste interessante com o peso que dominaria a sequência da noite, ampliando o diálogo sobre musicalidade, construção artística e diferentes linguagens rítmicas dentro da bateria contemporânea.

A apresentação também ajudou a aproximar ainda mais o público da proposta do encontro. Não era apenas uma noite sobre velocidade ou técnica extrema, mas sobre trajetória, repertório e entendimento musical.
Quando Aquiles assumiu o palco, ficou claro rapidamente que não se tratava apenas de revisitar músicas conhecidas.

O que aconteceu no Espaço Marin foi uma reconstrução física de uma era importante do heavy metal brasileiro. Cada virada, cada ataque nos bumbos duplos e cada dinâmica mais detalhada carregavam não apenas precisão absurda, mas também o peso histórico daquele repertório.
Aquiles conduziu a apresentação com naturalidade impressionante. Mesmo diante de composições extremamente técnicas e exigentes, sua execução manteve fluidez, impacto e musicalidade em tempo inteiro. A sensação era de assistir alguém completamente conectado ao instrumento, sem qualquer excesso performático artificial.
O público respondeu exatamente na mesma intensidade.
Entre músicos, bateristas, fãs antigos do Angra e admiradores da carreira de Aquiles, o ambiente alternava momentos de observação quase hipnótica com explosões de reação a passagens clássicas de Rebirth. Existia uma atmosfera de reverência no espaço, mas também de entusiasmo genuíno ao ver aquelas músicas novamente ganhando vida de maneira tão visceral.

Outro ponto que chamou atenção foi justamente o impacto físico da bateria ao vivo dentro do Espaço Marin. O som do kit clássico usado na turnê original trouxe profundidade e personalidade às músicas, reforçando ainda mais a sensação de retorno àquele período específico do metal nacional.

Ao final das apresentações, Aquiles Priester e Marcelo Bucater ainda participaram de uma longa sessão de perguntas com o público. O momento acabou ampliando ainda mais o caráter próximo e quase educativo do encontro.

Entre histórias de estrada, rotina de estudos, construção de carreira e experiências pessoais, Aquiles falou sobre momentos decisivos da sua trajetória, incluindo o processo de audição para o Dream Theater e também sobre a mudança para os Estados Unidos, detalhando os desafios e transformações envolvidos em construir uma carreira internacional dentro da música pesada.
Bucater também compartilhou visões sobre musicalidade, estudo, adaptação e a importância de transitar entre diferentes linguagens musicais, reforçando ainda mais a riqueza do diálogo construído durante toda a noite.

Mais do que nostalgia, o Drum Show deixou evidente como Rebirth continua sendo uma obra extremamente poderosa dentro da história do heavy metal brasileiro.
E ver Aquiles Priester revisitando esse repertório em Porto Alegre acabou funcionando também como lembrete do tamanho de sua importância para gerações de músicos que cresceram observando sua técnica, disciplina e identidade sonora.
O que aconteceu no Espaço Marin foi uma noite construída entre precisão absurda, memória afetiva e paixão verdadeira pela música.



























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