Abrir uma noite para a Dogma diante de um Opinião cada vez mais cheio não era uma missão simples. Ainda assim, a Ritualist subiu ao palco na sexta-feira, 29, determinada a fazer mais do que aquecer o público. Durante pouco mais de meia hora, a banda construiu uma apresentação que combinou peso, atmosfera e presença cênica, transformando o palco em um ambiente que parecia existir entre o real e o simbólico.

Desde os primeiros acordes de “Vampire Brother”, a proposta ficou evidente. Cortinas de fumaça envolviam os músicos enquanto feixes de luz atravessavam o palco, criando silhuetas e contrastes que reforçavam a identidade visual da banda. O cenário dialogava perfeitamente com as composições, dando a sensação de que cada música fazia parte de uma narrativa maior.

A Ritualist soube explorar essa atmosfera ao longo de todo o set. “Fallen Angels” e “The Hero” aprofundaram a conexão com o público, enquanto “Silicon Heart” e “Evilution” trouxeram momentos de maior intensidade, equilibrando peso e melodia sem perder a característica sombria que dominava a apresentação.

Formada por Ricardo Janke (vocal), Rogério Reis (guitarra), Eberson Moraes (baixo) e Diego Dallaporta (bateria), a banda mostrou entrosamento durante toda a apresentação.

A noite teve ainda um significado especial para o grupo por marcar a estreia de Diego Dallaporta atrás dos tambores da Ritualist. Apesar da responsabilidade de assumir o posto em uma apresentação de grande visibilidade, o baterista demonstrou segurança e sustentou com firmeza a base rítmica que conduziu o show do início ao fim.

No centro da cena, Ricardo Janke conduzia o espetáculo como um narrador, guiando o público por temas que transitam entre conflitos internos, questionamentos existenciais e imagens carregadas de simbolismo. Ao seu redor, a guitarra de Rogério Reis e o baixo de Eberson Moraes construíam camadas que preenchiam o ambiente, enquanto a iluminação alternava cores e intensidades para reforçar cada mudança de clima.

O ponto de virada aconteceu na reta final. Para as duas últimas músicas da noite, “Simulacra” e “Your Mask”, a banda recebeu a participação especial de Cristiano Poschi, vocalista do Phornax. Sua entrada trouxe uma nova energia ao palco e elevou ainda mais a dramaticidade do espetáculo.

Em “Simulacra”, as vozes se complementaram de forma natural, ampliando a força da composição e criando um dos momentos mais marcantes da apresentação. Já em “Your Mask”, a interação entre os vocalistas ganhou ainda mais intensidade, transformando o encerramento em um verdadeiro clímax. Sob luzes que cortavam a fumaça e desenhavam o palco em tons contrastantes, a Ritualist encerrou sua participação deixando uma impressão muito maior do que normalmente se espera de uma banda de abertura.

Quando as últimas notas ecoaram pelo Opinião, a sensação era clara. A Ritualist não apenas preparou o terreno para a atração principal. A banda construiu sua própria experiência, criando um espetáculo que uniu música, atmosfera e interpretação em uma apresentação que fez jus ao próprio nome: um ritual conduzido através do metal.

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