
Entre o grindcore, o crust, o crossover e uma boa dose de irreverência, o Chuvisco Podre vem conquistando espaço na cena extrema nacional desde sua formação, em 2025. Com apenas alguns singles lançados, a banda de Campos dos Goytacazes (RJ) já garantiu presença no Aliança Negra 2026, um dos principais festivais dedicados ao metal extremo no Sul do Brasil.
Em entrevista exclusiva à Cogumelo em Cena, os integrantes João Lucas e Sávio falaram sobre a origem da banda, as influências musicais, a preparação para o festival e os próximos passos da carreira.
A podridão como identidade
Apesar do pouco tempo de estrada, o Chuvisco Podre nasceu de uma ideia bastante clara. A proposta sempre foi unir o peso da música extrema com apresentações carregadas de teatralidade, humor e interação com o público.
Segundo os músicos, bandas como Gangrena Gasosa, Ratos de Porão, Extreme Noise Terror e Tremores de Terraexercem forte influência tanto na construção musical quanto na identidade visual do grupo. A opção por dois vocalistas, por exemplo, surgiu justamente dessa combinação de referências, enquanto as máscaras e a estética reforçam o aspecto performático das apresentações.
“Nossos shows não são apenas a execução das músicas. Existe toda uma performance. Fazemos brincadeiras, usamos máscaras e procuramos transformar a apresentação em uma experiência para quem está assistindo”, explicam.
De um doce tradicional ao nome da banda
Um dos momentos mais curiosos da conversa foi a explicação sobre o nome da banda.
Ao contrário do que muitos imaginam, “Chuvisco” não faz referência à chuva. O nome vem de um doce típico de Campos dos Goytacazes, bastante conhecido na região. A ideia de acrescentar o “Podre” surgiu para aproximar a identidade da banda do universo do grindcore, do crossover e da estética característica da música extrema.
O humor, aliás, faz parte da essência do grupo e aparece tanto nas letras quanto nas apresentações ao vivo.
Singles mostram evolução da banda
Mesmo com pouco tempo de existência, o Chuvisco Podre já lançou três singles que ajudam a contar a evolução do trabalho.
O primeiro deles, “Zumbi Descerebrado”, apresenta forte influência do Ratos de Porão, principalmente na construção dos vocais e da sonoridade mais direta.
Na sequência veio “Porrada”, que incorpora novas referências e elementos mais próximos da identidade definitiva da banda, enquanto “Monstro do Esgoto a Céu Aberto” marca um momento de amadurecimento técnico dos músicos. Além do humor característico, a música utiliza a sátira para abordar problemas urbanos relacionados ao abandono e ao saneamento básico, mostrando que o grupo também encontra espaço para críticas sociais em suas composições.
A força do underground
Durante a entrevista, João Lucas destacou que um dos pilares da banda sempre foi fortalecer a cena underground.
Segundo ele, o crescimento do metal extremo depende da união entre bandas, produtores, veículos de imprensa e público. Essa filosofia faz parte da rotina do grupo, que mantém contato constante com artistas de diferentes estados, participa da divulgação de novos trabalhos e acredita na colaboração como ferramenta para fortalecer toda a cena.
“Se queremos que o underground cresça, precisamos apoiar outras bandas também. Todo mundo ganha quando a cena se fortalece”, resume.
O caminho até o Aliança Negra
A confirmação no Aliança Negra 2026 representa um dos maiores passos da curta trajetória do Chuvisco Podre.
O convite surgiu após o lançamento do videoclipe de “Monstro do Esgoto a Céu Aberto”, que chamou a atenção da produção do festival. A partir desse contato, a banda passou a integrar o line-up de um evento que reúne alguns dos principais nomes da música extrema nacional.
Para os integrantes, dividir o palco com bandas como Torture Squad, Teia, Ceifador, Ereboros, Godzorder e outras atrações representa não apenas reconhecimento, mas também uma oportunidade de apresentar seu trabalho para um público maior.
“É provavelmente o maior palco em que vamos tocar até agora. Estamos preparando um show com toda a identidade do Chuvisco Podre, com música, performance, máscaras e muita bagunça”, afirmam.
EP, merchandising e novos objetivos
Os próximos meses prometem ser movimentados para a banda.
Além da apresentação no Aliança Negra, o Chuvisco Podre trabalha na produção de seu primeiro EP, prepara o lançamento de merchandising oficial — incluindo camisetas e bonés — e pretende ampliar sua circulação pelo país.
Entre os objetivos futuros estão apresentações em novos festivais, shows em São Paulo e a realização de um sonho compartilhado pelos integrantes: dividir o palco com duas de suas maiores referências, Ratos de Porão e Gangrena Gasosa.
Enquanto isso, o grupo segue fazendo exatamente aquilo que o levou até aqui: misturando peso, irreverência e muito espírito underground.
Com pouco tempo de existência, o Chuvisco Podre mostra que ainda está escrevendo os primeiros capítulos de sua história. Se depender da energia demonstrada pelos integrantes durante a entrevista, a banda promete levar muita “podridão sonora” ao palco do Aliança Negra 2026 — e conquistar novos fãs pelo caminho.







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