
Toda turnê chega ao fim. Poucas, porém, conseguem encerrar sua trajetória com a sensação de missão cumprida.
Depois de passar por Curitiba e Florianópolis, a Brazilian Metal Forces chegou ao Bar Opinião, em Porto Alegre, para sua última apresentação. O clima era diferente desde a abertura dos portões. A pista da casa foi sendo ocupada rapidamente e, ao longo da noite, ficou praticamente tomada por um público que parecia compreender a importância daquele encerramento.
Mais do que a última data da turnê, Porto Alegre representava um encontro entre história, memória e pertencimento. Para o Phornax, era a oportunidade de encerrar a Brazilian Metal Forces diante de seu público. Para o Korzus, significava voltar à capital gaúcha pela primeira vez desde 1992. Já o Viper reencontrava uma cidade que sempre manteve uma das bases de fãs mais apaixonadas do país.
O resultado foi uma noite marcada por apresentações intensas e por uma resposta calorosa do público gaúcho.
Xakol abre a noite mantendo a consistência da turnê
Assim como nas duas primeiras cidades, coube ao Xakol abrir a programação.
A banda repetiu o repertório apresentado durante toda a turnê e novamente entregou uma apresentação segura, mostrando personalidade e um excelente entrosamento entre seus integrantes.

O público gaúcho respondeu muito bem ao show, confirmando que o grupo cumpriu sua missão ao longo dos três dias: apresentar seu trabalho para novos ouvintes e conquistar espaço dentro da cena nacional através da força de suas próprias composições.
Encerrar a turnê mantendo o mesmo nível das noites anteriores demonstra a consistência alcançada pela banda durante toda a Brazilian Metal Forces.






Phornax encerra a turnê em casa diante de seu público
Talvez nenhum show carregasse tanto significado emocional quanto o do Phornax.
Depois de duas apresentações muito consistentes em Curitiba e Florianópolis, a banda chegava a Porto Alegre para encerrar a turnê diante de um público que acompanha sua trajetória há anos.

Assim como aconteceu no John Bull, a estrutura do Bar Opinião não permitiu a utilização dos backdrops digitais e dos vídeos sincronizados preparados para a turnê. Mais uma vez, o espetáculo precisou ser sustentado exclusivamente pela performance da banda.
Além disso, alguns problemas técnicos e de sonorização surgiram durante a apresentação. Mesmo assim, o Phornax mostrou maturidade para administrar as dificuldades sem perder o controle do show.
A resposta do público tornou tudo ainda mais especial.
Diferentemente das duas primeiras cidades, boa parte da plateia conhecia o repertório praticamente de cor. As músicas foram acompanhadas com entusiasmo, criando uma atmosfera que transformou a apresentação em um verdadeiro reencontro entre banda e fãs.
Ao final do show, o vocalista Cristiano Poschi falou sobre a emoção de encerrar a Brazilian Metal Forces justamente em Porto Alegre, agradecendo ao público pelo apoio durante toda a trajetória do grupo.
Mesmo enfrentando limitações técnicas, o Phornax demonstrou que a evolução observada ao longo da turnê vai muito além da estrutura visual apresentada na estreia. O crescimento artístico da banda aparece principalmente na segurança, na presença de palco e na forma como consegue manter a qualidade da apresentação mesmo diante de imprevistos.






Viper desperta memórias afetivas no público gaúcho
Quando o Viper assumiu o palco, a reação do público deixava claro o tamanho da ligação entre a banda e Porto Alegre.
Ao longo de décadas, o grupo construiu uma base extremamente fiel na capital gaúcha, e isso ficou evidente desde as primeiras músicas.

Mais do que cantar os clássicos, o público parecia reviver diferentes momentos de sua própria história ao lado da banda.
Com uma apresentação sólida e extremamente segura, o Viper voltou a demonstrar o excelente momento vivido por sua formação atual. A combinação entre repertório clássico e músicas de outras fases da carreira funcionou perfeitamente, reforçando a identidade de um grupo que continua escrevendo sua história sem depender apenas da nostalgia.
Foi um daqueles shows capazes de despertar memórias afetivas em diferentes gerações de fãs.










Korzus encerra a turnê com o melhor show dos três dias
Fechar a Brazilian Metal Forces era uma responsabilidade que parecia feita sob medida para o Korzus.
Se Curitiba apresentou uma banda extremamente consistente e Florianópolis confirmou esse alto nível, Porto Alegre entregou, na opinião desta reportagem, a melhor apresentação da turnê.

Grande parte desse resultado passou pela excelente sonorização do Bar Opinião.
Pela primeira vez nos três dias, o peso característico do Korzus apareceu com absoluta clareza, valorizando ainda mais a performance da banda.
Durante o show, Marcello Pompeu lembrou que o Korzus não se apresentava em Porto Alegre desde 1992, fato recebido com entusiasmo pelo público presente.
Antes do encerramento, o vocalista ainda deixou uma promessa que arrancou aplausos da plateia ao afirmar que os fãs gaúchos já podem começar a se preparar para 2027, indicando um possível retorno da banda à cidade.
Foi um encerramento à altura da importância histórica do Korzus para o metal brasileiro.









O fim da estrada… e o começo de uma nova história
Em apenas três apresentações, a Brazilian Metal Forces mostrou que sua proposta vai muito além de reunir grandes nomes da música pesada nacional.
A turnê aproximou gerações, fortaleceu novos trabalhos autorais e reafirmou a importância de bandas que continuam escrevendo capítulos fundamentais da história do metal brasileiro.
Quando as luzes do Bar Opinião começaram a se apagar e os primeiros equipamentos passaram a ser desmontados, encerrava-se também uma pequena viagem pela história da música pesada nacional.
Curitiba representou a estreia.
Florianópolis consolidou a proposta.
Porto Alegre transformou tudo isso em celebração.
E, pela resposta do público nas três cidades, fica a expectativa de que a Brazilian Metal Forces não tenha sido apenas uma turnê, mas o início de um projeto com potencial para se tornar tradição dentro do calendário do metal brasileiro.








Deixe um comentário