Quarto álbum da carreira solo do vocalista ganha nova mixagem de Brendan Duffey, edição em Dolby Atmos e relançamento físico. “Omega” já antecipa o resultado de um projeto que faz parte da revisão do catálogo solo de Dickinson.

Existem discos que simplesmente pertencem à discografia de um artista e existem aqueles que mudam o rumo dela. Accident of Birth está claramente no segundo grupo.
Lançado originalmente em 1997, o quarto álbum solo de Bruce Dickinson representou um momento decisivo em sua trajetória fora do Iron Maiden. Depois das experiências de Balls to Picasso e, principalmente, da ruptura sonora promovida por Skunkworks, Bruce voltou a se aproximar do heavy metal tradicional, mas sem simplesmente tentar reconstruir aquilo que havia feito no Maiden.

Quase três décadas depois, ele decidiu voltar àquele disco.
Accident of Birth ganhará uma nova mixagem completa, realizada por Brendan Duffey, profissional que já trabalhou com Dickinson na versão Dolby Atmos de The Mandrake Project e também esteve envolvido na recente revisão do catálogo solo do vocalista.
O primeiro resultado dessa nova abordagem já pode ser ouvido: “Omega” foi escolhida para apresentar a remixagem ao público e já está disponível nas plataformas digitais.
Accident of Birth marcou o reencontro com Adrian Smith
Para compreender a importância do álbum, é preciso voltar a 1997.
Bruce Dickinson havia deixado o Iron Maiden em 1993 e passou os anos seguintes explorando possibilidades que dificilmente caberiam dentro da banda. Quando chegou a Accident of Birth, entretanto, algumas peças importantes voltaram a se encontrar.
Uma delas era Adrian Smith.
O guitarrista, que havia deixado o Maiden no início da década, participou das gravações ao lado de Roy Z, com Eddie Casillas no baixo e David Ingraham na bateria. Dickinson e Smith retornariam juntos ao Iron Maiden em 1999, estabelecendo a formação de três guitarristas que permanece como base do grupo desde então.
Mas olhar para Accident of Birth apenas como uma espécie de ensaio para a reunião do Maiden seria diminuir o disco.
É justamente ali que a parceria entre Dickinson e Roy Z encontra uma identidade particularmente forte. “Freak” abre o álbum sem cerimônia; “Starchildren” aumenta a tensão; “Taking the Queen” desacelera sem perder peso; enquanto “Darkside of Aquarius” mostra a ambição épica que Bruce jamais havia abandonado.
Depois aparecem “Road to Hell”, “Man of Sorrows”, a faixa-título e, já na parte final, a sequência formada por “Omega” e “Arc of Space”.
É um disco de heavy metal, sem qualquer vergonha de ser heavy metal, gravado justamente em um período em que boa parte dos grandes nomes do gênero ainda tentava descobrir qual espaço ocupar depois das transformações dos anos 1990.
Bruce Dickinson está revisitando seu próprio passado
O novo Accident of Birth não surge isoladamente.
Nos últimos anos, Dickinson vem retornando ao catálogo solo com uma proposta que vai além das tradicionais remasterizações. Balls to Picasso, por exemplo, foi reconstruído como More Balls to Picasso, recebendo novas guitarras, arranjos e uma abordagem sonora contemporânea. Aqui no Cogumelo em Cena, já observamos esse processo quando “Change of Heart (Reimagined Version)” ganhou uma nova dimensão com cordas, guitarras reconstruídas e uma produção muito diferente daquela registrada em 1994.
Com Accident of Birth, a situação é diferente.
O álbum não está sendo regravado ou radicalmente reconstruído. O ponto de partida continua sendo o material registrado em 1997, agora entregue a Brendan Duffey para uma nova mixagem, além da versão em Dolby Atmos.
E o próprio Bruce parece ter uma relação bastante diferente com este disco.
Segundo Dickinson, revisitar seu catálogo ao lado de Duffey nos últimos anos tem sido particularmente prazeroso. Sobre Accident of Birth, ele lembra que o trabalho já era importante para ele quando foi lançado e que continua considerando algumas de suas composições entre as melhores de sua carreira.
Mais interessante é sua percepção sobre Adrian Smith. Revisitar o álbum, segundo Bruce, reacendeu sua vontade de trabalhar novamente com o guitarrista fora do Maiden.
Não é pouca coisa para um disco de quase 30 anos.
“Omega” é a primeira amostra
Para apresentar a nova mixagem, Bruce escolheu “Omega”, penúltima faixa do álbum.
A escolha é interessante porque evita o caminho mais evidente. Em vez de começar pela faixa-título, “Road to Hell” ou “Man of Sorrows”, a campanha coloca os holofotes sobre uma composição de mais de seis minutos que pertence ao trecho mais atmosférico do disco.
A versão original de “Omega” já trabalhava com uma construção progressiva e apocalíptica, preparando o terreno para o encerramento acústico de “Arc of Space”.
Agora ela funciona como primeira oportunidade de perceber o que Brendan Duffey pretende fazer com um álbum que, diferentemente de Balls to Picasso, não precisava necessariamente ser reconstruído.
Essa distinção é importante.
Há uma diferença entre corrigir um disco e revisitá-lo. Accident of Birth não precisa provar seu valor quase três décadas depois. A nova mixagem pode funcionar justamente porque parte de uma obra cuja identidade já estava claramente estabelecida.
CD digisleeve, vinil duplo e Dolby Atmos
A nova edição de Accident of Birth será lançada em 17 de outubro no Reino Unido, como parte do National Album Day, e chegará ao restante do mundo em 23 de outubro.

Além das plataformas digitais, o relançamento terá uma edição em CD digisleeve com três painéis e uma versão em vinil duplo colorido splatter, apresentada em capa gatefold. O álbum também estará disponível em Dolby Atmos no Apple Music, segundo o anúncio divulgado por Dickinson.

A arte original, criada por Derek Riggs, permanece imediatamente reconhecível. Riggs, responsável também por algumas das imagens mais icônicas da história do Iron Maiden, criou para Accident of Birth uma figura que se encaixava perfeitamente no universo mais sombrio daquele momento da carreira de Bruce. O crédito de Riggs na edição original é documentado nos registros do álbum.
Tracklist de Accident of Birth — nova mixagem
- Freak
- Toltec 7 Arrival
- Starchildren
- Taking the Queen
- Darkside of Aquarius
- Road to Hell
- Man of Sorrows
- Accident of Birth
- The Magician
- Welcome to the Pit
- Omega
- Arc of Space
A relação de faixas divulgada para esta edição possui 12 músicas, seguindo a sequência apresentada no anúncio de Bruce. Algumas edições anteriores do álbum incluem “The Ghost of Cain”, razão pela qual é possível encontrar tracklists de 13 faixas em catálogos digitais e relançamentos anteriores.
Um disco que não precisa ser resgatado
Talvez essa seja a diferença fundamental entre revisitar Accident of Birth e recuperar um álbum que o tempo deixou para trás.
Este nunca desapareceu.
“Man of Sorrows”, “Road to Hell” e “Darkside of Aquarius” continuam entre as faixas de destaque do catálogo solo de Dickinson nas plataformas, enquanto o álbum permanece como um ponto importante da fase construída ao lado de Roy Z e Adrian Smith.
Por isso, a nova mixagem desperta uma curiosidade diferente daquela provocada por More Balls to Picasso. Não queremos necessariamente descobrir como Accident of Birth poderia ter sido.
Queremos descobrir como ele pode soar hoje sem deixar de ser o disco de 1997.
Bruce Dickinson parece ter chegado à mesma questão enquanto revisava seu passado. O processo, segundo ele, reacendeu algo, especialmente como compositor, e trouxe novamente a vontade de trabalhar com Adrian Smith.
Se um álbum consegue provocar isso em seu próprio autor quase três décadas depois de ser gravado, talvez sua nova vida já tenha começado antes mesmo do relançamento.
E agora “Omega” é apenas a primeira porta aberta.
veja mais : https://brucedickinson.lnk.to/AOBremixIN








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