Banda de technical death metal apresentou seu primeiro álbum completo em Porto Alegre, celebrou a estreia do videoclipe da faixa-título e entregou uma apresentação marcada pela potência de sua nova formação.

Neptunn apresenta Parallaxis no Gravador Pub em Porto Alegre

O lançamento de um primeiro álbum completo representa um momento importante na trajetória de qualquer banda. Mas, quando acompanhamos essa trajetória ao longo dos anos, o significado vai além da chegada de novas músicas. É também uma oportunidade de observar a evolução dos músicos, as mudanças de formação e a maneira como uma identidade artística vai se consolidando. No sábado, 10 de outubro de 2026, a Neptunn subiu ao palco do Gravador Pub, em Porto Alegre, para apresentar Parallaxis, e o que encontrei foi uma banda vivendo, na minha opinião, seu melhor momento.

O Gravador Pub não estava lotado, mas recebeu um excelente público, que acompanhou uma apresentação de altíssimo nível. Quem esteve presente viu uma banda segura, entrosada e capaz de executar um repertório tecnicamente exigente sem abrir mão do peso e da agressividade. Para mim, que já assisti à Neptunn mais de cinco vezes, acompanhando diferentes formações, a noite teve um significado especial: foi a confirmação de que o grupo encontrou uma combinação de músicos particularmente poderosa.

A data também marcou o lançamento do videoclipe de “Parallaxis” no YouTube, ampliando a celebração do novo trabalho para além do palco.

DE (RE)EXISTENCE A PARALLAXIS: A CONSTRUÇÃO DE UMA IDENTIDADE

Embora Parallaxis seja o primeiro álbum completo da Neptunn, a história discográfica da banda começou antes. Em 2024, o grupo lançou o EP (Re)Existence, com seis composições: “The Path to Existence”, “Transmutate”, “Resignify”, “Onward to Nothingness”, “The Hidden Self” e “Waves of Neptune”.

O trabalho representou uma etapa importante na construção da identidade musical da Neptunn, explorando a complexidade instrumental, a agressividade e as estruturas características do death metal técnico. A caminhada até o primeiro álbum foi acontecendo gradualmente, com o lançamento de “Neptunn Rises”, em 2025, seguido por “Odyssey Pt. 1” e “Transcendence”, em 2026.

Esses singles anteciparam parte do material que agora ganha sua forma definitiva em Parallaxis. No Gravador Pub, a proposta foi apresentar o álbum integralmente, permitindo que o público acompanhasse as composições dentro da sequência do trabalho. O encerramento ainda reservou espaço para “Resignify”, faixa do EP de 2024, apresentada com acompanhamento de violão e estabelecendo uma ligação entre duas fases da discografia.

Mais do que um show de lançamento, a apresentação permitiu perceber a continuidade do trabalho da Neptunn, desde seus primeiros registros até o momento atual, agora com uma formação renovada e um repertório mais amplo.

ARTHUR TOMAZELLI: DA FUNESTA À FORÇA DA NOVA FORMAÇÃO DA NEPTUNN

Um dos grandes destaques da noite foi Arthur Tomazelli, novo baterista da Neptunn. E seu trabalho não era novidade para mim. Já havia acompanhado Arthur na Funesta, banda que tive a oportunidade de assistir e fotografar. Portanto, conhecia sua capacidade atrás da bateria, mas vê-lo agora integrando a Neptunn foi uma experiência particularmente interessante.

Arthur Tomazalli toca bateria no show da Neptunn
Rafael e Franklin	Guitarristas

O technical death metal exige muito de um baterista. Não basta velocidade ou domínio técnico; é preciso sustentar mudanças de andamento, acompanhar estruturas complexas e manter a agressividade sem comprometer a precisão. Arthur demonstrou estar absolutamente à vontade nesse território.

Sua apresentação foi espetacular. Com uma batida forte, pesada e extremamente presente, deu às composições uma sustentação impressionante. O que mais chamou minha atenção foi justamente a combinação entre força e controle. Arthur consegue imprimir uma intensidade brutal à bateria sem transformar a execução em uma demonstração gratuita de virtuosismo.

Já conhecia seu talento pelos shows da Funesta, mas sua atuação no Gravador Pub reforçou ainda mais minha admiração pelo músico. A maneira como se integrou ao repertório de Parallaxis mostrou que sua chegada representa um ganho importante para a Neptunn.

E talvez esteja justamente aí uma das razões pelas quais considero esta a melhor formação que já acompanhei da banda. Arthur não apenas executa as músicas com competência: ele acrescenta peso, personalidade e uma energia que se encaixa perfeitamente na proposta musical da Neptunn.

DIENIFER VIEIRA: UMA VOZ IMPRESSIONANTE E UMA EVOLUÇÃO QUE SALTA AOS OLHOS

Se Arthur impressionou pela força da bateria, Dienifer Vieira foi outro grande destaque da noite. E aqui também existe uma história anterior ao show do Gravador Pub. Já conhecia seu trabalho com a Autotheist e tive a oportunidade de assistir a duas apresentações dela à frente da Neptunn. Essa experiência permite perceber algo que ficou particularmente evidente no sábado: a evolução de Dienifer como vocalista.

Dienifer Vieira durante show de lançamento de Parallaxis

Sua performance foi excelente. Existe uma potência impressionante naquela voz, uma agressividade que combina perfeitamente com a proposta musical da banda e uma segurança cada vez maior na maneira como conduz as composições. O que chama a atenção não é apenas a força dos vocais extremos, mas o controle que demonstra ao longo da apresentação, mantendo a intensidade mesmo nas passagens mais exigentes.

E confesso que continuo me fazendo a mesma pergunta toda vez que a vejo cantar: de onde sai toda aquela voz?

Mas o que mais me impressionou desta vez foi perceber o quanto ela evoluiu. Comparando o trabalho que conheci na Autotheist com as apresentações que acompanhei na Neptunn, é possível notar uma artista cada vez mais segura de suas capacidades, com maior domínio da própria interpretação e uma presença de palco que acompanha o crescimento de sua técnica.

Dienifer não está apenas ocupando o posto de vocalista. Ela imprime personalidade às músicas e demonstra estar cada vez mais integrada à identidade da Neptunn. Sua evolução é perceptível, e a apresentação de Parallaxis deixou a impressão de que ainda existe muito espaço para que essa voz continue crescendo.

GUITARRAS E BAIXO: PRECISÃO, PESO E ENTROSAMENTO

Se Arthur foi um dos grandes destaques da noite e Dienifer voltou a impressionar nos vocais, as guitarras de Rafael Giovanoli e Franklin Nunes, acompanhadas pelo baixo de Nathália Ernst, mantiveram o excelente nível que já conhecemos.

Em uma banda de technical death metal, o entrosamento entre esses instrumentos é fundamental. As composições exigem precisão, especialmente nas passagens mais rápidas e nas mudanças de andamento, mas também precisam conservar o peso e a agressividade que caracterizam o death metal.

Rafael e Franklin demonstraram segurança na execução dos riffs e nas passagens mais elaboradas, enquanto Nathália manteve a consistência necessária para sustentar a estrutura das músicas ao lado da bateria. O resultado foi um conjunto coeso, no qual a complexidade instrumental não comprometeu a força da apresentação.

Talvez esse seja um dos aspectos mais importantes da formação atual: ninguém parece estar disputando espaço dentro das composições. Existe uma preocupação evidente com o resultado coletivo, com cada músico contribuindo para que as músicas funcionem como devem.

Depois de acompanhar a Neptunn em diferentes momentos, tenho a impressão de que a banda alcançou um equilíbrio particularmente interessante entre técnica, agressividade e presença de palco.

PARALLAXIS: UMA CAPA QUE TAMBÉM MERECE SER ADMIRADA

A música não é o único aspecto artístico que merece destaque em Parallaxis. A capa do álbum é outro trabalho que chama a atenção, tanto pela beleza quanto pela qualidade da ilustração, assinada pelo próprio guitarrista Rafael Giovanoli.

Capa Album Neptunn Parallax's

Quem conhece Rafael sabe que seu talento não se limita às seis cordas. Além de excelente guitarrista, ele é um desenhista extraordinário e, na minha opinião, um dos melhores tatuadores do Rio Grande do Sul.

E aqui me permito uma observação bastante pessoal: carrego na pele dois trabalhos autorais dele.

Não estou falando apenas de alguém cujo trabalho conheço ou acompanho à distância. Tenho duas obras de Rafael tatuadas no meu corpo, e isso diz bastante sobre a admiração que sinto por sua arte. Sou fã desse cara, seja quando está com uma guitarra nas mãos, desenhando ou trabalhando com uma máquina de tatuagem.

Por isso, ver sua arte representando visualmente um momento tão importante na história da Neptunn tem um significado especial. Existe algo muito interessante quando a identidade visual de um disco nasce das mãos de alguém que também participa diretamente de sua construção musical.

Rafael conhece o universo da Neptunn por dentro, e essa relação entre imagem e música acrescenta personalidade ao lançamento. A capa de Parallaxis não é apenas uma embalagem para as composições, mas parte da apresentação artística do trabalho.

O metal sempre teve uma relação muito forte com as artes visuais, das capas de discos às ilustrações, cartazes e tatuagens que acompanham sua história. Ter um artista com essa capacidade dentro da própria banda é algo que merece ser valorizado.

PARALLAXIS GANHA VIDA NO PALCO E NAS TELAS

A apresentação integral de Parallaxis permitiu acompanhar as composições dentro da proposta do álbum, incluindo músicas que o público já conhecia pelos singles lançados anteriormente.

“Neptunn Rises”, “Odyssey Pt. 1” e “Transcendence” chegaram ao show com uma história anterior, enquanto outras faixas puderam ser descobertas dentro do contexto da apresentação. O repertório passou por “Invariant Pulse”, “Odyssey Pt. 2”, “Fractal Self-Similarity” e pela própria “Parallaxis”, entre outras composições.

A execução ao vivo também permitiu observar como o material funciona nas mãos da formação atual. E esse talvez tenha sido o maior mérito da noite: a banda não apenas apresentou seu novo trabalho, mas demonstrou possuir os músicos necessários para defendê-lo com força e personalidade sobre o palco.

O lançamento do videoclipe de “Parallaxis”, também realizado no dia 10 de outubro, complementou esse momento. Em uma cena independente na qual a circulação da música depende cada vez mais de diferentes plataformas, a presença de um trabalho audiovisual amplia o alcance das composições e oferece outra maneira de conhecer a identidade artística da Neptunn.

A MELHOR FORMAÇÃO DA NEPTUNN? PARA MIM, SIM

Existe uma diferença importante entre assistir a uma banda pela primeira vez e acompanhar sua evolução ao longo dos anos. Quando temos a oportunidade de presenciar diferentes apresentações, com mudanças de integrantes e transformações no repertório, começamos a perceber detalhes que talvez passem despercebidos em um único encontro.

Já assisti à Neptunn mais de cinco vezes, com diferentes formações. Conhecia o trabalho de Arthur Tomazelli na Funesta, acompanhei Dienifer Vieira desde a Autotheist e pude observar sua evolução nas apresentações com a Neptunn. Também venho acompanhando o trabalho de Rafael Giovanoli, Franklin Nunes e Nathália Ernst, músicos cuja qualidade técnica já conhecia.

Por isso, quando afirmo que considero a formação atual a melhor que já vi, não estou fazendo um elogio gratuito. É uma avaliação construída ao longo de diferentes apresentações e que encontrou no Gravador Pub uma confirmação bastante convincente.

O que aconteceu naquela noite foi um show que reuniu todos os elementos necessários para uma grande apresentação de metal extremo: uma bateria poderosa, vocais impressionantes, guitarras precisas, baixo consistente e, principalmente, músicos que demonstraram funcionar muito bem juntos.

O público poderia ter sido maior? Sem dúvida. Mas quantidade de pessoas nunca foi uma medida definitiva da qualidade de um espetáculo. Quem esteve presente naquela noite assistiu a uma excelente apresentação e teve a oportunidade de acompanhar um momento importante na trajetória da Neptunn.

O lançamento de Parallaxis representa a chegada do primeiro álbum completo da banda, depois de um EP e de singles que ajudaram a construir esse caminho. Mas, para mim, o significado daquela noite foi ainda maior.

Saí do Gravador Pub com a sensação de ter presenciado uma banda que encontrou sua melhor configuração até agora. E, considerando a qualidade dos músicos envolvidos, a força do novo repertório e a identidade artística que a Neptunn vem construindo, existe muito motivo para acompanhar seus próximos passos.

A Neptunn não apenas lançou um excelente capítulo de sua discografia. Mostrou que está preparada para escrever os próximos com ainda mais força.

SETLIST — NEPTUNN | GRAVADOR PUB — 10/10/2026

  1. Intro – A Bereft Memoir
  2. Invariant Pulse
  3. Neptunn Rises
  4. Odyssey Pt. 1
  5. Odyssey Pt. 2
  6. Fractal Self-Similarity
  7. Transcendence
  8. Parallaxis
  9. Resignify

FORMAÇÃO ATUAL — NEPTUNN

  • Dienifer Vieira — vocais
  • Nathália Ernst — baixo
  • Arthur Tomazelli — bateria
  • Rafael Giovanoli — guitarra
  • Franklin Nunes — guitarra

Evento: lançamento de Parallaxis
Data: 10 de outubro de 2026
Local: Gravador Pub — Porto Alegre/RS
Lançamento audiovisual: videoclipe de “Parallaxis”, no YouTube
Arte da capa: Rafael Giovanoli

Texto, Fotos e cobertura: Giovanni Maglia | Cogumelo em Cena

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