
Diretamente da Colômbia, xCRITERIOx atravessa a América do Sul para sua primeira passagem pelo Brasil. No Rio de Janeiro, a banda encontra diferentes territórios do underground em duas apresentações consecutivas, dividindo o palco com Fardo, Switchback e outras forças da cena independente.
Hardcore não é música feita para ficar parada.
Nasce na rua, atravessa bairros, ocupa porões, casas de show e espaços improvisados. Circula por redes independentes, selos, fitas, discos e pela insistência de quem continua organizando shows mesmo quando quase ninguém está olhando. Não precisa de grandes estruturas para existir. Precisa de gente disposta a fazer acontecer.

E, quando uma cena encontra outra, não precisa de tradução.
Em outubro, a xCRITERIOx, diretamente de Bogotá, na Colômbia, atravessa a fronteira para sua primeira passagem pelo Brasil. A turnê passa por São Paulo no dia 17 e chega ao Rio de Janeiro para duas apresentações consecutivas, nos dias 23 e 24 de outubro, em Niterói e Belford Roxo.
São dois dias, dois territórios e diferentes expressões de uma mesma cultura que continua encontrando caminhos para sobreviver longe dos grandes circuitos comerciais.
No centro dessa passagem está o EP CAPITAL, lançado em 2026. A xCRITERIOx constrói sua identidade a partir do hardcore cru, da cultura Straight Edge e de letras que dialogam com a realidade urbana de Bogotá. Uma perspectiva que não tenta transformar a cidade em cenário, mas colocar suas contradições dentro da música.
A cidade está ali. A tensão está ali. O bairro está ali.
É um som direto, sem a preocupação de tornar confortável aquilo que precisa incomodar. Guitarras rápidas, peso e uma linguagem que carrega a experiência de quem vive em uma metrópole latino americana, onde as diferenças sociais e as disputas cotidianas fazem parte da paisagem.
A proposta da xCRITERIOx não depende de importar uma realidade distante para encontrar identificação. Bogotá e as cidades brasileiras compartilham contradições que atravessam fronteiras, e o hardcore encontra justamente nessa experiência um terreno comum.
Agora, essa linguagem chega ao público brasileiro.
E é no Rio que a turnê ganha dois capítulos diferentes.
FARDO. A RAIVA TAMBÉM TEM MEMÓRIA.

De São Gonçalo, a Fardo chega ao encontro com a xCRITERIOx em Niterói trazendo um som que transita entre breakdowns, two steps e panic chords. A combinação constrói uma atmosfera de tensão constante, onde a agressividade divide espaço com a melancolia.
Não é apenas peso pelo peso.
Existe aquilo que acumula. O cotidiano, as relações, as frustrações e as experiências que nem sempre encontram espaço para serem elaboradas fora da música. Na Fardo, esses sentimentos ganham volume, distorção e movimento.
A banda lançou o EP O Peso de Uma Dor Interminável e o álbum São Gonçalo Hardcore, ambos em 2025, trabalhos que ajudam a situar sua identidade dentro da cena independente fluminense.
O próprio nome de um desses lançamentos aponta para uma relação direta com o território. São Gonçalo não aparece apenas como endereço de origem, mas como parte da identidade que a banda leva para o palco.
A Fardo faz parte de uma geração que precisa construir o próprio espaço. Montar banda, ensaiar, gravar, divulgar, organizar apresentações e fazer o som circular são partes de um processo que não termina quando os instrumentos são desligados.
É assim que a cena se renova.
Novas bandas encontram seus públicos, os shows criam conexões e o circuito independente continua funcionando através de pessoas que assumem a responsabilidade de fazê-lo existir.
No palco, a Fardo transforma essa tensão em descarga sonora.
Breakdown. Two step. Mosh. Grito.
O corpo acompanha aquilo que a música coloca para fora. E a roda deixa de ser apenas movimento para se tornar parte da experiência coletiva que mantém o hardcore vivo.
SWITCHBACK. NITERÓI NÃO FICA DE FORA.

Formada em Niterói, a Switchback construiu sua identidade no encontro entre hardcore, crossover, punk e thrash metal. Com Vinny Blanc nos vocais, Fabio Lannes na guitarra, Luciano Munhoz no baixo e Mauro Lopes na bateria, a banda trabalha com riffs agressivos, velocidade e letras de posicionamento social.
A trajetória inclui os EPs Sobrevivendo ao Caos e Batendo de Frente, além do álbum O Cão Tá Pra Trás, lançado em outubro de 2025. A banda também segue a lógica independente de circulação, levando seu trabalho a diferentes espaços e mantendo uma relação próxima com o circuito underground.
A Switchback não depende apenas da velocidade para produzir impacto. Sua identidade também passa pela maneira como ocupa o palco e se conecta com quem está do outro lado.
Nas apresentações, a separação entre banda e público praticamente desaparece. A roda se abre, os corpos se movimentam e a intensidade não fica restrita a quem está segurando os instrumentos.
O palco vira extensão da roda.
Existe uma relação direta entre a música e o público, construída na participação, no contato e na energia compartilhada durante o show.
Essa conexão faz parte da própria cultura hardcore. Não se trata de assistir passivamente a uma apresentação, mas de participar de um espaço que ganha sentido através de quem está ali.
No dia 23, a Switchback representa Niterói em uma noite que coloca a cena local em contato direto com uma banda colombiana em sua primeira passagem pelo país.
Não é apenas sobre receber uma atração internacional. É também sobre mostrar a força de uma cena que continua produzindo, organizando e abrindo espaço para novas conexões.
BELFORD ROXO. O UNDERGROUND TAMBÉM SE CONSTRÓI NA BAIXADA.
A passagem da xCRITERIOx pelo Rio não termina em Niterói.
No sábado, 24 de outubro, a banda segue para Belford Roxo, onde participa da 16ª edição do Hardcore Favela, ao lado de Clava, StaySafe, Switchback e Skorno, com discotecagem de DJ Sam.
A programação amplia o alcance dessa passagem e coloca a banda colombiana em contato com outro território da cena fluminense.
A Baixada não precisa ser apresentada como periferia de uma história que acontece em outro lugar. Ela tem seus próprios espaços, públicos, bandas e iniciativas. O Hardcore Favela é parte dessa construção, reunindo diferentes nomes do circuito independente em uma programação que combina estreias, retornos e encontros entre gerações.
Aqui, o underground não é uma estética aplicada à divulgação. É trabalho concreto.
É quem produz o evento, quem monta a estrutura, quem divulga, quem vende ingresso, quem toca, quem comparece e quem volta para o próximo show. Uma rede que depende da participação coletiva para continuar funcionando.
A chegada da xCRITERIOx coloca Bogotá nesse circuito por uma noite. E a presença da banda ao lado de nomes da cena local cria uma oportunidade de aproximação entre trajetórias que, embora tenham origens diferentes, compartilham a necessidade de construir seus próprios caminhos.
Bogotá chega à Baixada. A cena local ocupa o espaço. O hardcore segue em movimento.
TRÊS DATAS. DIFERENTES TERRITÓRIOS. UMA MESMA CULTURA.
A primeira passagem brasileira da xCRITERIOx reúne três apresentações em outubro: São Paulo, no dia 17, Niterói, no dia 23, e Belford Roxo, no dia 24.
No Rio de Janeiro, as duas datas consecutivas merecem atenção especial. Não apenas pela presença de uma banda internacional, mas pelo encontro com diferentes expressões do circuito independente fluminense.
Em Niterói, a xCRITERIOx divide a noite com Fardo e Switchback. Em Belford Roxo, encontra Clava, StaySafe e Skorno, além da discotecagem de DJ Sam.
São formações e trajetórias diferentes, mas existe algo que aproxima essas bandas: a construção de espaços para a própria música, a circulação fora dos grandes circuitos e a continuidade de uma cultura que depende da participação de quem a mantém viva.
O hardcore sempre encontrou maneiras de atravessar fronteiras. Às vezes por meio de turnês, outras vezes através de gravações, contatos entre bandas e pessoas que reconhecem na música uma linguagem compartilhada.
Desta vez, Bogotá encontra São Paulo e o Rio de Janeiro. E, dentro do território fluminense, Niterói e Belford Roxo recebem dois encontros distintos com a mesma passagem.
Não é necessário transformar isso em espetáculo maior do que realmente é. A força está justamente no que acontece quando bandas e públicos se encontram, quando uma apresentação abre caminho para novas conexões e quando o circuito independente consegue colocar diferentes cenas em contato.
Faça você mesmo. Organize. Toque. Divulgue. Volte para o palco.
A lógica continua sendo essa. Não esperar que alguém construa o espaço, mas participar da construção.
No dia 23, Niterói entra na roda.
No dia 24, Belford Roxo recebe a sequência.
E Bogotá chega trazendo seu próprio recorte do hardcore sul americano para encontrar uma cena que também conhece o peso de fazer acontecer.
Sem tradução. Sem distância. Sem espaço para ficar parado.
XCRITERIOX NO BRASIL. AGENDA NO RIO DE JANEIRO.
SEXTA-FEIRA, 23 DE OUTUBRO
xCRITERIOx + Fardo + Switchback
📍 NEU Niterói
Rua Dr. Carlos Halfeld, 230, 5º andar, Icaraí, Niterói, RJ.
🕗 20h.
🎟️ Ingressos antecipados via Sympla. A entrada na porta está sujeita à disponibilidade.
SÁBADO, 24 DE OUTUBRO
Hardcore Favela XVI
xCRITERIOx, Clava, StaySafe, Switchback e Skorno, com DJ Sam.
📍 Taverna do Troll
Rua Renan Souza Silva, 360, Jardim Redentor, Belford Roxo, RJ.
🕕 A partir das 18h.
🎟️ Ingressos antecipados e informações diretamente com a organização do Hardcore Favela.
O underground não precisa de permissão para existir. Precisa de espaços, circulação e gente disposta a manter a roda girando.
Nos dias 23 e 24 de outubro, o Rio recebe Bogotá. O resto acontece no volume máximo.







Deixe um comentário