Com realização da Xaninho Discos e da Caveira Velha, turnê passa por sete cidades brasileiras entre janeiro e fevereiro. Porto Alegre recebe o encerramento em 7 de fevereiro, no Alcatraz.

Cartaz da Bréa Extreme Tour 2027 com Ratos de Porão, Hirax e Rattus e datas dos shows no Brasil.

São Paulo, sul da Califórnia e interior da Finlândia. Três lugares distantes que ajudaram a construir diferentes capítulos da música extrema estarão representados na Bréa Extreme Tour 2027, que reúne Ratos de Porão, Hirax e Rattus em uma sequência de sete apresentações pelo Brasil.

Entre 29 de janeiro e 7 de fevereiro, a turnê passará por Rio de Janeiro, Belo Horizonte, São Paulo, Limeira, Curitiba, Florianópolis e Porto Alegre, aproximando a tradição do hardcore punk finlandês, a primeira geração do thrash californiano e uma das trajetórias mais importantes do crossover brasileiro. A realização é da Xaninho Discos e da Caveira Velha.

O encontro tem um significado que vai além da soma dos nomes no cartaz. As três bandas surgiram entre o fim dos anos 1970 e a primeira metade dos anos 1980, período em que diferentes cenas underground ampliavam os limites da velocidade, da agressividade e da contestação na música. Cada uma desenvolveu sua própria linguagem, contribuindo para um cenário no qual punk, hardcore e metal passaram a compartilhar referências e públicos.

A programação permite acompanhar essas conexões a partir de artistas que participaram dessa história e continuam produzindo. Ao lado de discos que marcaram suas respectivas cenas, as três bandas chegam à turnê com trabalhos lançados nesta década: “Necropolítica”, do Ratos de Porão; “Faster Than Death”, do Hirax; e “Rikki”, do Rattus.

Para o público gaúcho, o encontro está marcado para 7 de fevereiro, no Alcatraz, em Porto Alegre, última parada do roteiro nacional.

SETE CIDADES NO CAMINHO DA BRÉA EXTREME TOUR

A abertura da turnê acontece em 29 de janeiro, no Circo Voador, no Rio de Janeiro. No dia seguinte, as três bandas seguem para o Mister Rock, em Belo Horizonte, antes da apresentação de 31 de janeiro, na Vip Station, em São Paulo.

Depois da sequência inicial pelas três capitais, o roteiro chega ao interior paulista. Limeira recebe a Bréa Extreme Tour em 4 de fevereiro, no Mirage, dando início a uma nova série de quatro apresentações consecutivas.

A etapa seguinte será inteiramente dedicada ao Sul do país: Curitiba, em 5 de fevereiro, no Stage Garden; Florianópolis, em 6 de fevereiro, no John Bull; e Porto Alegre, em 7 de fevereiro, no Alcatraz.

O percurso reúne, assim, sete oportunidades para assistir às três bandas na mesma programação, com um repertório de trajetórias que atravessa diferentes momentos da história do underground internacional.

RATOS DE PORÃO: DAS RAÍZES DO PUNK PAULISTANO À CONSOLIDAÇÃO DO CROSSOVER

Fundado em 1981, o Ratos de Porão nasceu na cena punk paulistana que também revelou nomes como Olho Seco, Cólera e Inocentes. A banda construiu sua identidade em um ambiente no qual a música funcionava como expressão direta de insatisfação social, com composições urgentes e uma relação estreita com a realidade das ruas.

Essa primeira fase encontrou um de seus registros mais importantes em “Crucificados pelo Sistema”, lançado em 1984. O disco tornou-se um marco do punk nacional e permanece como uma referência para compreender tanto o início do Ratos quanto a cena da qual a banda fazia parte.

Ao longo da carreira, João Gordo e Jão se tornaram figuras centrais dessa trajetória. A identidade do grupo, porém, nunca ficou restrita a uma única fórmula musical. A aproximação com o metal ampliou as possibilidades de composição e execução, sem eliminar a contundência que vinha do hardcore.

Na segunda metade dos anos 1980, essa transformação ganhou forma em “Cada Dia Mais Sujo e Agressivo” (1987) e avançou com “Brasil” (1989) e “Anarkophobia” (1990). Os três trabalhos constituem uma sequência decisiva para a consolidação do Ratos de Porão como referência do crossover.

A velocidade e o ataque do punk passaram a dividir espaço com riffs e estruturas associados ao thrash metal. O resultado levou a banda a circular entre públicos diferentes, preservando o teor crítico das letras e ampliando sua projeção para além do Brasil.

Lançado pela Roadrunner, com versões em português e inglês, “Brasil” foi particularmente importante nesse processo de reconhecimento internacional. O álbum ajudou a apresentar a um público mais amplo uma banda que incorporava o peso do metal sem abrir mão de sua identidade brasileira.

Nos anos 1990, a relação com o circuito independente internacional também passou pela Alternative Tentacles, selo norte-americano de Jello Biafra. “Carniceria Tropical” representa outro capítulo importante dessa história, recuperando a proximidade com as raízes hardcore.

“NECROPOLÍTICA” E A CONTINUIDADE DA CRÍTICA SOCIAL

A trajetória do Ratos de Porão também se sustenta pela continuidade de sua produção. Lançado em 2022, “Necropolítica” foi o primeiro álbum de inéditas desde “Século Sinistro” (2014) e colocou novamente a realidade política brasileira no centro das composições.

O trabalho aborda a ascensão da extrema direita no país, mantendo a crítica social como elemento fundamental da identidade da banda. Musicalmente, recupera a força do crossover desenvolvido no fim dos anos 1980, aproximando o peso dos riffs da urgência do hardcore.

Essa relação entre linguagem musical e posicionamento ajuda a compreender a permanência do Ratos de Porão. Sua história está ligada a discos que atravessaram gerações, mas também a uma disposição de transformar o presente em matéria-prima para novas músicas.

Na Bréa Extreme Tour 2027, essa trajetória encontra duas outras escolas do underground. O diálogo com o Hirax e o Rattus permite observar como diferentes bandas desenvolveram respostas próprias à busca por uma música mais rápida, pesada e incisiva.

HIRAX: UMA VOZ INCONFUNDÍVEL NA PRIMEIRA GERAÇÃO DO THRASH CALIFORNIANO

O Hirax surgiu em 1984, no sul da Califórnia, durante a expansão do thrash metal norte-americano. A banda se desenvolveu no circuito underground que projetou nomes como Metallica, Slayer e Exodus, construindo sua própria combinação de velocidade, agressividade e influência do punk.

Desde o início, o vocalista Katon W. De Pena ocupa uma posição central nessa identidade. Único integrante original, ele se tornou a figura mais reconhecível do Hirax, com uma interpretação vocal que diferencia o grupo dentro de um gênero frequentemente associado a vozes mais graves e ásperas.

A estreia, “Raging Violence” (1985), apresentou essa combinação em composições curtas e diretas. Os vocais agudos de De Pena, somados à intensidade instrumental, ajudaram a estabelecer uma personalidade que aproximava a banda tanto do thrash quanto da energia do hardcore.

Essa conexão torna a presença do Hirax especialmente coerente com a proposta da Bréa Extreme Tour. Sua música dialoga com o território explorado pelo Ratos de Porão, ao mesmo tempo que preserva características próprias da escola californiana.

O encontro entre as bandas coloca lado a lado maneiras diferentes de trabalhar elementos em comum: riffs acelerados, mudanças de ritmo, vocais de forte personalidade e uma execução orientada pelo impacto.

“FASTER THAN DEATH”: UM NOVO CAPÍTULO NA HISTÓRIA DO HIRAX

Em fevereiro de 2025, o Hirax lançou “Faster Than Death”, pela Armageddon Label, encerrando um intervalo de mais de dez anos sem um álbum completo de estúdio. Seu antecessor, “Immortal Legacy”, havia saído em 2014.

O lançamento acrescentou material novo a uma discografia iniciada quatro décadas antes e foi acompanhado por uma agenda internacional de apresentações. Ao longo de 2026, a banda passou pelo 70000 Tons of Metal, realizou shows nos Estados Unidos e no Canadá e voltou à Europa, incluindo uma participação no Rock Hard Festival, na Alemanha. O circuito também incluiu o Milwaukee Metal Fest.

A passagem pelo Brasil em 2027 se insere nessa sequência de atividades. Para quem acompanha a banda desde os primeiros discos, será uma oportunidade de reencontrar um dos nomes da geração que ajudou a consolidar o thrash metal. Para quem chegou depois, o contato será com um grupo que mantém em atividade uma linguagem desenvolvida nos primeiros anos do gênero.

RATTUS: DO INTERIOR DA FINLÂNDIA AOS PALCOS DO MUNDO

A trajetória mais antiga entre as três atrações é a do Rattus, formado em 1978, em Vilppula, no interior da Finlândia. A banda se tornou um dos nomes mais conhecidos do hardcore punk finlandês, levando sua música para muito além do país de origem.

Registros como “WC Räjähtää” (1982), “Uskonto On Vaara” (1984) e “Stolen Life” (1987) ajudaram a construir essa reputação internacional. Sua discografia integra a história de uma cena que desenvolveu uma maneira própria de trabalhar a velocidade e a agressividade do punk.

A presença do Rattus amplia o alcance musical da Bréa Extreme Tour. Enquanto o Hirax representa a tradição do thrash californiano e o Ratos de Porão articula sua trajetória entre hardcore e metal, os finlandeses trazem uma ligação direta com a formação do hardcore europeu.

É justamente essa diferença que dá consistência ao encontro. As três bandas compartilham intensidade e vínculos com o underground, mas cada uma chega ao palco com uma história e uma identidade reconhecíveis.

Ao longo da carreira, o Rattus se apresentou em mais de 25 países. Segundo a própria banda, sua influência alcançou nomes como Sepultura e Municipal Waste, conectando o trabalho desenvolvido na Finlândia a outras gerações e vertentes da música pesada.

“RIKKI” E UMA MUDANÇA DE CICLO NO RATTUS

Lançado em novembro de 2023, pelo selo Finnish Hardcore, “Rikki” chegou dez anos depois de “Turta”. Com 13 faixas, o trabalho também marcou uma mudança importante na história do grupo: a despedida do baixista Tomppa, que se aposentou após 45 anos na banda.

A formação apresentada para esta fase reúne o fundador Veli-Pekka “Vellu” Hyvärinen, na bateria; Jopo Rantanen, responsável por voz e guitarra e integrante desde 2011; e Jeekki, que assumiu o baixo em 2023.

O álbum e a reorganização do trio representam a continuidade de uma trajetória iniciada no fim dos anos 1970. Na programação da Bréa Extreme Tour, o Rattus acrescenta a perspectiva de uma banda que atravessou diferentes períodos do punk e segue levando sua música a outros países.

Para o público brasileiro, sua participação oferece também a oportunidade de acompanhar, no mesmo evento, as relações entre o hardcore finlandês e bandas que desenvolveram caminhos próprios nas Américas.

A HISTÓRIA DA BRÉA EXTREME: TURNÊS, FESTIVAIS E DIFERENTES VERTENTES DO UNDERGROUND

A Bréa Extreme é a marca de turnês e festivais de música extrema da Xaninho Discos, produtora nascida no Norte do Brasil e em atividade desde 2008. Sua trajetória vem reunindo artistas nacionais e internacionais em programações que percorrem diferentes vertentes da música pesada.

A primeira edição, realizada em 2022, levou Belphegor, Krisiun, Crypta e Nervochaos a cidades do Norte ao Sul do país. O formato colocou em circulação um encontro de bandas brasileiras e estrangeiras, estabelecendo a proposta de conectar diferentes públicos por meio de uma turnê conjunta.

Em 2024, a Bréa Extreme ganhou formato de festival em São Paulo, com Napalm Death e Dead Congregation à frente de uma programação que também reuniu dez bandas nacionais. A edição marcou a parceria entre Xaninho Discos e Caveira Velha, retomada no ano seguinte.

Em 2025, o festival voltou com uma proposta dedicada ao grindcore, encabeçada pelo Rotten Sound. A edição de 2027 desloca o foco para o encontro entre punk, hardcore e thrash, mantendo a presença de nomes históricos e a conexão entre o underground brasileiro e o internacional.

A escolha de Ratos de Porão, Hirax e Rattus dá unidade a essa proposta. São três trajetórias distintas, ligadas por décadas de circulação em cenas independentes e pela influência exercida sobre músicos e públicos de diferentes países.

PORTO ALEGRE RECEBE O ENCERRAMENTO DA TURNÊ

Depois de passar por seis cidades, a Bréa Extreme Tour 2027 chega a Porto Alegre em 7 de fevereiro, para sua última apresentação. O encontro acontece no Alcatraz, com informações locais divulgadas pela Nevoeiro Produções e ingressos pela 101 Tickets.

A capital gaúcha receberá uma programação que aproxima três origens importantes da música extrema: o punk paulistano que encontrou o thrash, a escola californiana que ampliou a velocidade do metal e o hardcore finlandês que conquistou espaço no circuito internacional.

Para quem acompanha essas bandas há décadas, o evento reúne diferentes capítulos de uma mesma vivência musical. Para as novas gerações, oferece a oportunidade de conhecer no palco artistas cujos discos ajudaram a formar o repertório de referências do underground.

Ratos de Porão, Hirax e Rattus chegam à Bréa Extreme Tour com suas histórias, suas diferenças e trabalhos recentes — um encontro entre o legado e a continuidade do punk, do hardcore e do thrash metal.

SERVIÇO — BRÉA EXTREME TOUR 2027

Atrações: Ratos de Porão, Hirax (Estados Unidos) e Rattus (Finlândia)
Realização: Xaninho Discos e Caveira Velha
Período: 29 de janeiro a 7 de fevereiro de 2027

29 DE JANEIRO — RIO DE JANEIRO/RJ

Local: Circo Voador
Ingressos: Eventim — vendas em breve, conforme divulgação
Informações: @agranderoubada

30 DE JANEIRO — BELO HORIZONTE/MG

Local: Mister Rock
Ingressos: 101 Tickets — Belo Horizonte
Informações: @metalpunkoverkill

31 DE JANEIRO — SÃO PAULO/SP

Local: Vip Station
Ingressos: 101 Tickets — São Paulo
Ingressos sem taxas: @loja_255
Informações: @101ticketsbr

4 DE FEVEREIRO — LIMEIRA/SP

Local: Mirage
Ingressos: Circle of Infinity Produções
Informações: @coilimeira

5 DE FEVEREIRO — CURITIBA/PR

Local: Stage Garden
Ingressos: Articket — Bréa Extreme Tour 2027
Informações: @articketonline

6 DE FEVEREIRO — FLORIANÓPOLIS/SC

Local: John Bull
Ingressos: 101 Tickets — Florianópolis
Informações: @101ticketsbr

7 DE FEVEREIRO — PORTO ALEGRE/RS

Local: Alcatraz
Ingressos: 101 Tickets — Porto Alegre
Informações: @nevoeiroproducoes

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