No dia 6 de julho, o Bar Opinião, em Porto Alegre, respirou metal desde os primeiros minutos. E quem teve a missão — nada fácil — de abrir a noite que ainda teria Paradise In Flames e Crypta foi a Allen Key. Mas a banda paulista não tremeu: pisou no palco como quem já sabe a que veio e transformou o início da noite numa catarse coletiva.

Karina Menascé, a voz e o coração pulsante da banda, entregou uma performance intensa, crua e carregada de verdade. Em faixas como “Granted” e “Get in Line”, Karina equilibrou gritos viscerais com trechos melódicos, como quem sabe a hora certa de gritar a dor e também a hora de deixá-la ecoar em silêncio. A conexão com o público foi imediata — olhar nos olhos, punho cerrado e alma aberta.

Ao lado dela, os guitarristas Pedro Fornari e Victor Anselmo esculpiram uma parede sonora robusta, com riffs que misturam peso moderno e precisão técnica. Não há firula: o som vem direto, limpo e cheio de tensão, criando a base perfeita para letras que falam de dor, superação, conflito e renascimento. A bateria e o baixo sustentam tudo com pegada firme, criando aquela pulsação que faz o peito vibrar.

Mesmo como banda de abertura, a Allen Key mostrou maturidade e intensidade dignas de headliner. É aquele tipo de som que não precisa de fogos ou cenografia — só precisa de espaço pra gritar suas verdades. E foi isso que fizeram: abriram a noite com honestidade, sangue nos olhos e uma energia que ainda ecoava quando as luzes já haviam se apagado. Um começo à altura de uma noite dedicada ao peso, à resistência e à emoção no underground nacional.

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