No domingo, 17 de agosto, o Caos recebeu uma das apresentações mais intensas do ano: o show da Diokane, que lotou a casa em uma noite marcada pela união de música, emoção e protesto.

A experiência começou antes mesmo da primeira nota: a exibição do documentário/clipe “O Cheiro da Enchente” trouxe à tona imagens e sentimentos de um trauma coletivo que ainda reverbera em Porto Alegre. Mais que uma introdução, foi um soco no estômago, preparando o público para um espetáculo que seria tanto musical quanto político.

No palco, Billy Valdez (baixo), Gabriel “Kverna” Motta (bateria), Homero Pivotto Jr. (voz) e Rafael Giovanoli (guitarra) entregaram um show que foi além da técnica. Canções como “Cheiro de Enchente”, “Colérico” e “Cães Auberto” foram catarse pura, enquanto faixas como “Lamento” e “Soterrado” mergulharam em densidade e lirismo doloroso.

A letra de “Cheiro de Enchente” ecoou com força no público:

“Sufocando sonhos / jogados ao lixo / choveu sofrimento / pra gente e pra bicho”

Em meio à vibração e às rodas, houve espaço para emoção e para a cobrança direta às autoridades. O show se tornou um manifesto coletivo, lembrando que a música também é trincheira — e que a arte pode e deve ser arma contra o descaso.

A noite terminou com todos exaustos e de alma lavada, depois de um setlist que percorreu a fúria e a esperança, deixando claro que a Diokane não canta apenas músicas, mas feridas abertas.

Assista a entrevista completa:

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