
O metal brasileiro acordou com uma notícia que soa como um tapa na cara da cena independente: o álbum “Locked Forever”, da lendária banda gaúcha Distraught, foi retirado do catálogo do Spotify. A justificativa? Um combo de acusações frágeis e burocráticas — “uso de robôs”, “playlists falsas” e outras desculpas que escancaram o desprezo da plataforma por artistas que não se encaixam na lógica mercadológica do mainstream
Um ataque direto ao underground
Em novembro de 2025, “Locked Forever” completaria 10 anos. Um disco que não só marcou a trajetória da Distraught, mas também se tornou referência para uma geração inteira que encontrou no thrash/death dos gaúchos uma expressão de resistência e fúria contra o sistema.
E justamente neste marco simbólico, o Spotify opta por apagar esse registro da memória digital — não por questões de direitos autorais, não por problemas técnicos, mas por alegações que soam mais como pretexto do que como fundamento.
É importante frisar: a Distraught nunca usou robôs. E mais — playlists são criadas por ouvintes e consumidores, não pelas bandas. O absurdo fica ainda mais evidente quando vemos o próprio Spotify promovendo “artistas” inexistentes, músicas geradas por inteligência artificial, verdadeiros produtos falsos que ocupam espaço enquanto bandas reais são silenciadas.
O peso da contradição
O caso Distraught revela uma contradição estrutural: a plataforma que lucra com o trabalho de artistas independentes é a mesma que pune esses mesmos artistas com acusações genéricas, sem suporte, sem transparência e ainda cobrando multas em cima de músicos brasileiros.
Ou seja: enquanto o streaming se apresenta como a “democratização da música”, na prática, reproduz mecanismos de exclusão e marginalização — os mesmos que sempre sufocaram a cena underground.
Resistir é necessário
A boa notícia é que a música resiste. “Locked Forever” segue disponível em outras plataformas como Amazon Music, Deezer e YouTube. A banda já se mobiliza para reverter a decisão, mas o episódio levanta uma bandeira vermelha: não estamos lidando apenas com uma falha técnica, mas com um ataque direto ao underground e à arte real.
Esse episódio vai além da Distraught. É um alerta para toda a cena independente. É hora de questionar: até quando vamos aceitar que corporações multimilionárias ditem quais vozes merecem ser ouvidas?
Chamado à cena
Não é exagero dizer que o caso “Locked Forever” é um ato de censura disfarçado de política interna. E toda censura deve ser denunciada. O underground sempre sobreviveu porque se apoiou mutuamente, porque construiu redes de resistência onde o mercado fechava portas.
Agora, mais uma vez, precisamos estar juntos. O recado da banda é claro: não ficarão calados. E nós também não deveríamos.
Apoie a Distraught, ouça “Locked Forever” nas outras plataformas, espalhe essa mensagem e marque outras bandas que também sofrem com essa política injusta.
Porque, no fim, a luta não é só pela memória de um álbum. É pela sobrevivência da música real.








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