Banda Doomantra em apresentação ao vivo, com membros tocando guitarra e baixo em um palco iluminado, acompanhado por equipamentos de som e uma tela ao fundo.

Na noite de 22 de outubro, o Gravador Pub foi envolvido por uma onda de graves e distorção quase palpável. Antes da passagem dos ucranianos do Stoned Jesus, quem tomou o palco foi a Doomantra — uma banda ainda jovem, mas que soa como se tivesse décadas de estrada. Era apenas o segundo show do grupo, mas ninguém diria isso ao ouvi-los.

Com “End is Near”, a Doomantra abriu o set como quem acende o primeiro incenso de um ritual. A parede de som se formou lentamente, densa, e o público foi tragado pelo clima meditativo e ameaçador. Na sequência, “Karma Sonic Dealignment” mergulhou todos em um transe coletivo — camadas de fuzz e delay se entrelaçando até formarem uma massa sonora hipnótica.

O centro gravitacional do show veio com “Earth Beneath”, uma das faixas mais impactantes da noite. O riff arrastado, o baixo vibrando no peito e a bateria com pegada precisa criaram uma sensação de terremoto controlado. Em “Tired Waves”, a banda mostrou que também domina o silêncio e o espaço, conduzindo a plateia numa viagem lenta, quase espiritual.

O final com “Temple of Sand” e “Green Crap” foi pura catarse. O primeiro soou como uma oração pesada sob o sol escaldante de algum deserto imaginário; o segundo, uma descarga final de energia bruta, groove e distorção. O público, entre hipnotizado e surpreso, respondeu com respeito — consciente de estar diante de algo que ainda está nascendo, mas já soa gigante.

A Doomantra mostrou que o stoner/doom/sludge gaúcho segue vivo e pulsando forte.

Com uma presença segura, timbres orgânicos e uma entrega visceral, o grupo transformou o Gravador Pub num templo de distorção e meditação sonora.

Nem parecia que era apenas o segundo show.

Parecia o começo de uma era.

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