Black Pantera celebra o primeiro aniversário do clipe que acendeu uma revolução em
forma de som, imagem e resistência.

Há exatamente um ano, o trio mineiro Black Pantera lançava o clipe de Candeia, uma das faixas
mais simbólicas do álbum Perpétuo. O vídeo, dirigido por Carol Borges (Quasque Filmes) em
parceria com o curta premiado Cordão de Prata, transformou o que poderia ser apenas mais um
lançamento musical em uma verdadeira obra manifesto. Hoje, ao celebrar esse marco, a banda
revisita não só um clipe, mas um ato de afirmação, identidade e resistência que segue
reverberando dentro e fora do rock.
“Somos vela que incendeia a casa grande.” A frase, que ecoa no refrão da música, resume o
espírito de Candeia: acender a consciência, iluminar a ancestralidade e queimar os pilares de
um sistema que ainda tenta silenciar vozes negras.
Formada por Charles Gama (guitarra e vocal), Chaene da Gama (baixo e vocal) e Rodrigo
“Pancho” Augusto (bateria), a Black Pantera carrega o peso e a urgência de um som que
atravessa o metal, o hardcore e o rap sempre guiado por um discurso direto, político e
pulsante. Com letras que dialogam sobre racismo, resistência e revoluções pretas, a banda se
consolidou como uma das mais importantes vozes do rock brasileiro contemporâneo

O videoclipe de Candeia nasceu de uma parceria intensa entre a banda, a Quasque Filmes e o
curta-metragem Cordão de Prata, dirigido por Getúlio Ribeiro. Gravado em meio a velas e
sombras, o vídeo cria uma atmosfera ritualística e poética, que mistura performance, cinema e
símbolo. As imagens da banda tocando em estúdio se entrelaçam às cenas do curta, criando
um elo entre o presente e a ancestralidade entre o fogo que ilumina e o fogo que transforma.
A fotografia quente e o uso das velas reforçam o conceito de luz e resistência. Não se trata
apenas de um cenário, mas de uma representação do poder da cultura preta que, mesmo
apagada tantas vezes pela história, segue reacendendo agora no palco, nas telas e nas
guitarras.
O lançamento de Candeia coincidiu com o Mês da Consciência Negra, e isso não foi por acaso.
A escolha reforça o compromisso da banda com pautas que ultrapassam a música. A letra fala
sobre pertencimento, memória e revolução, temas que se entrelaçam com a vivência do trio e
com a urgência de repensar o espaço do corpo negro dentro da arte e da sociedade.
Desde seu lançamento, o clipe de Candeia segue conquistando público e crítica. Foi incluído na
trilha do curta Cordão de Prata, elogiado em portais como Wikimetal e Tenho Mais Discos Que
Amigos, e citado em discussões sobre representatividade negra no rock. A faixa consolidou a
Black Pantera como referência de uma nova geração do metal nacional, que une peso e
propósito, arte e ativismo.
Hoje, um ano depois, a chama segue acesa não apenas no YouTube, mas nos palcos e nas
ruas. A banda já anunciou que a música não ficará fora do setlist da gravação de seu DVD ao
vivo, que acontece no dia 19 de novembro, no Circo Voador (RJ) um local histórico e
simbólico para o rock brasileiro.
Ao celebrar o primeiro aniversário do clipe, o que a Black Pantera faz é mais do que relembrar
um lançamento é reafirmar uma mensagem que segue viva. Candeia é verbo. É o ato de
resistir, reacender, existir. É sobre transformar dor em arte, silêncio em grito, e palco em
território.
Ficha Técnica
Música: Candeia
Banda: Black Pantera
Direção: Carol Borges — Quasque Filmes
Parceria: Curta Cordão de Prata, direção de Getúlio Ribeiro
Álbum: Perpétuo (Deckdisc, 2024)
Comemoração: 1 ano de lançamento — Novembro de 2025








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