Show da banda Eternos Cascavelletes no Bar Opinião em Porto Alegre, com músicos performando no palco e público assistindo animadamente.

Ao lotar a parte inferior do Bar Opinião na última sexta-feira (21), em Porto Alegre, mais de 500 fãs vindos de diversas cidades do Rio Grande do Sul se aglomeraram para reverenciar a memória dos Cascavelletes e do saudoso fundador e figura central, Flávio Basso, o Júpiter Maçã (1968-2015), por meio da junção de músicos remanescente e outros que estão se firmando no rock gaúcho, que originou a banda intitulada Eternos Cascavelletes.
Formada pelos músicos Frank Jorge (baixo), Alexandre Barea e Humberto Pettinelli, todos ex-integrantes dos Cascavelletes (original), ao lado do vocalista Paulo Dantas e do guitarrista Vince Velvet, nomes ligados à banda Júpiter Day, o show foi um sucesso apesar dos preços salgados dos três lotes. Provou-se, mais uma vez, que o legado dos “Casca” segue influenciando velhos amantes e conquistando novas cenas, que descobrem, ou redescobrem, o espírito livre e provocador de era bem a cara de quem viveu a década 1980, e que é sempre bom lembrar.
Uma surpresa na abertura
Com as portas abertas exatamente 21h, o público ainda escasso foi surpreendido pelo show de abertura, uma banda de baile romântica, que dividiu opiniões, mas que acabou divertindo que nada tinha a perder naquela noite de sexta-feira. Jogo Sujo tocou por cerca de uma hora e animou o público com músicas sobre amor.
Eles protagonizaram o que chamam de Baile do Amor, “uma experiência que mistura música, emoção e memória afetiva. No palco, o grupo interpreta canções eternizadas por nomes como Amado Batista, Odair José, Roberto Carlos, Reginaldo Rossi e tantos outros artistas que marcaram gerações, com arranjos modernos e uma estética pop-brega que é a marca registrada da banda.”

Os Eternos Cascavelletes, finalmente
Criada no fim dos anos 1980 por Flávio Basso, Frank Jorge, Alexandre Barea e Nei Van Soria, a banda rapidamente se destacou pelo humor irreverente, pela mistura única de referências e pela presença marcante em rádio e TV. O EP Vórtex Demo (1987) e o álbum Rock’a’ula (1989) fortaleceram a identidade do grupo, revelando clássicos como Gato Preto, Jessica Rose e Lobo da Estepe, repertório, que, aliás, estava bem servido (mais de 20 músicas no set) inclusive com homenagens à carreira solo de Júpiter, como “Beatle Jorge” e “Miss Lexotan”.


O show começou pontualmente às 23h16min, e de cara a performance de Paulo Dantas já lembrava “Júpiter” quando rebolava bastante em cima dos palcos, esbanjando um estilo que também cairia bem se Dantas fizesse cover de Mick Jagger (o músico entrou sacudindo a bandeira do Rio Grande do Sul). O grupo abriu sem mais delongas com “Gato Preto” foi interagindo aos poucos com o público, dando mais importância à música do que possíveis explicações (como a ausência de Nei Van Soria), por exemplo. Pois nada que abalasse um público que só queria se divertir e cantar as músicas que embalaram sua adolescência.


Muito aplaudidos, o show seguiu firme, com músicos ávidos por dar o seu melhor, e o resultado não decepcionou. Não faltaram sucessos, como “Nega Bom Bom” (que foi trilha sonora da novela global Top Model), e “Dotadão”, dois clássicos bem-humorados que nunca decepcionam. Em “Estou amando uma mulher”, a banda realmente mergulhou numa grande intensidade, realizando uma bela e emocionante apresentação.
Depois de apresentar os músicos (em ordem de importância duvidosa), ocorreu uma homenagem ao Júlio Reny ao tocarem “Lobo de Estepe”. Na ocasião, Frank Jorge agradeceu às doações à Vakinha https://www.vakinha.com.br/vaquinha/ajuda-para-a-recuperacao-de-julio-reny?utm_source=google.com que arrecada dinheiro para recuperar a saúde do músico de 66 anos, um dos maiores ícones do rock gaúcho, que foi agredido e perdeu a visão pelo menos de um dos olhos. O episódio de violência ocorreu após um show no último sábado, 8/11, na cidade de Viamão, no Rio Grande do Sul.

Set list

Gato Preto
Eu quero estudar
Entra Nessa
Nega Bom Bom
Morte por tesão
Cão e cadela
Menstruada
Banana Split
Miss Lexotan
Estou amando uma mulher
Eu quis comer você
Minissaia sem calcinha
Moto
Sob um céu de blues
Banco de trás
Homossexual
Ugagogobabagô
Dotadão
Jessica Rose
Carro roubado
Lobo de estepe
Beatle Jorge
Lugar do Caralho

Texto: Livia Meimes

Fotos: Giovanni Maglia

2 respostas a “Eternos Cascavelletes’ provam que memória da banda está mais viva do que nunca”

  1. Legal!!!

  2. show memorável grandes lembranças e uma atual energia efervescente da banda levando o público num tremendo frenesi, vida longa aos Eternos Cascavelletes vida longa ao rock gaúcho!!!

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