Vocalista da banda Ratos de Porão se apresentando no palco, com bateria ao fundo e luzes coloridas iluminando a cena.

O Bar Opinião já estava em chamas antes mesmo do Ratos de Porão subir ao palco. A noite começou com um show avassalador do Cólera, que abriu os trabalhos com a força de quem ajudou a escrever a história do punk brasileiro. Cru, direto e sem concessões, o Cólera deixou a casa quente, suada e pronta para o que viria depois.

Quando o Ratos de Porão entrou em cena, o Opinião simplesmente explodiu. Casa completamente lotada, calor sufocante, roda punk aberta sem trégua e um clima de guerra coletiva. Era impossível ficar parado — o caos já tinha sido instaurado.

No comando, João Gordo estava visivelmente bem, com energia absurda, presença total e fome de palco. Pulando, provocando, sorrindo e berrando contra o sistema, mostrou que segue inteiro, vivo e necessário. Ao lado dele, Jão fritava a guitarra sem descanso, riffs cortantes e sujos mantendo o som sempre no limite.

Na retaguarda, Boka destruiu a bateria, empurrando a banda como um trator, com peso, precisão e violência sonora. E completando a muralha, Juninho não parava um segundo no palco, correndo de um lado pro outro enquanto segurava a base do baixo com firmeza, grave pulsante que fazia o chão tremer.

O setlist foi um desfile de hinos e socos no estômago: “Crucificados pelo Sistema”, “Agressão”, “Juventude Perdida”, “Cérebros Atômicos”, “Condenado”, “Beber até Morrer”, entre outros. Tudo cantado em coro, com rodas insanas, gente voando, caindo e levantando — como tem que ser.

A noite ainda reservou um momento especial com a homenagem ao Clemente, lembrado com respeito e emoção, conectando gerações e reafirmando a força histórica do punk nacional.

O Ratos de Porão segue sendo isso: barulho, verdade, suor e resistência. Depois de um início avassalador com o Cólera, Porto Alegre viveu uma daquelas noites que ficam marcadas no corpo e na memória.

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