
Quem esteve presente no último evento punk de 2025, do Tendal da Lapa, realizado no dia 22 de dezembro, pôde acompanhar alguns dos momentos mais marcantes do ano no cenário punk paulistano. Em um espaço tradicional de resistência cultural, bandas independentes mostraram por que o punk segue vivo: com atitude, discurso direto e uma conexão genuína com um público que não apenas consome o gênero, mas o vive.
Não se tratava apenas de mais uma tarde ensolarada de domingo de verão. O ambiente, desde as 14h, já mostrava que o rolê seria diferenciado. Aos poucos, apaixonados por som — especialmente pelo som e movimento punk — foram chegando para curtir os shows e evento de uma forma geral, que contou com diversos expositores, apresentando e vendendo seus trabalhos.
Falando das bandas, a celebração começou com o Faca Preta, banda formada em 2013, por musicos do cenário underground de São Paulo. Com letras diretas e combativas, o grupo aborda temas sociais, políticos e de resistência, mantendo viva a tradição do punk como forma de protesto e expressão coletiva. O som da banda é marcado por energia crua, guitarras rápidas e uma atitude engajada, refletindo a vivacidade e urgência do movimento punk paulistano. Ao longo dos anos, Faca Preta conquistou espaço em palcos alternativos, festivais e eventos DIY, firmando-se como referência para públicos que buscam autenticidade e mensagem nas canções.
Na sequência, o Agravo subiu ao palco para levar sua mensagem de luta e resistência. O trio formado por Amanda (vocais e guitarra), Nicole (baixo e vocais) e Camila (bateria) mostrou por que a banda segue em constante ascensão no cenário punk. O som é direto e pesado, enquanto as letras funcionam como um grito de libertação e denúncia de diversas formas de violência, especialmente aquelas sofridas pelas mulheres no país.
Houve ainda uma parceria muito especial em algumas músicas com as integrantes do Punho de Mahin, Natália e Camila, tornando o show ainda mais representativo.

Foto: Rush Claymore Tekken
As Ratas Rabiosas vieram na sequência, mantendo o mesmo clima de protesto e denúncia. Angelita (voz e baixo), Ju Malvina (guitarra e voz) e Lary (bateria e voz) arrebentaram, entregando um show repleto de força e mensagens sempre atuais, que reforçam a importância de denunciar injustiças e unir forças na luta pelos direitos femininos.
Ativas desde 2013, a banda segue firme na caminhada, mostrando como conscientizar e lembrar que a luta não termina — ela precisa ser travada todos os dias, em todos os momentos.

Foto: Rush Claymore Tekken
Desde 1993 na estrada, chegou a vez do Agrotóxico subir ao palco, Marcos (guitarra e vocais), Jeff (baixo e vocais) Arthur (guitarra e vocais) e Pedro (bateria) mandaram seu punk hardcore de muita responsa e peso, a banda consolidou-se como uma referência ética e musical do punk nacional, mantendo-se fiel aos princípios do DIY, da crítica social e do engajamento político, o que garantiu seu respeito e relevância contínua dentro do movimento punk hardcore.

Foto: Rush Claymore Tekken
E, para encerrar esse domingo de resistência e celebração, o Cólera subiu ao palco comemorando os 40 anos do álbum Tente Mudar o Amanhã. Com Wendel (vocais), Fábio (guitarra), Val (baixo e vocais) e Pierre (bateria e vocais), a banda mostrou que o legado do saudoso e lendário Redson (1962–2011) segue mais vivo do que nunca — pulsando em cada acorde, em cada verso cantado em coro e em cada pessoa que acredita que o punk é, acima de tudo, atitude, consciência e união.
A primeira parte do show foi dedicada a alguns sons de Tente Mudar o Amanhã, faixas que eu, como fã da banda, nunca havia ouvido ao vivo. “Amnésia” e “Violar Suas Leis” foram o ápice para mim. O set seguiu com outros clássicos, como “Medo” e “Pela Paz em Todo Mundo”, sons que foram cantados do começo ao fim por todos os presentes.
REDSON VIVE!

Foto: Rush Claymore Tekken
Assim se encerrou um dos momentos mais marcantes dos rolês punks que já presenciei em São Paulo.
O público bateu cabeça como se não houvesse amanhã: cantou, dançou, caiu e se levantou. Destaque para a garotada que compareceu em peso para prestigiar o som de todas as bandas — essa juventude é o sangue novo que o movimento precisa.
Que em 2026 venham mais eventos importantes como esse, com muita coletividade, som, resistência, respeito e atitude.
Texto: Marcelo Kiss








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