Há eventos que não existem apenas para entreter. Eles marcam, organizam e preservam memória. O Vomitando a Ceia, em sua edição de 11 anos, realizada no Infinu, foi exatamente isso: um encontro onde música, política, solidariedade e cena underground caminharam juntas.

Aqui, o underground não é estético, é prática. É compromisso e ação direta. Em sua edição mais recente, o Vomitando a Ceia mostrou mais uma vez por que se tornou um dos encontros mais importantes da cena independente do Distrito Federal.

Caos Lúdico o ritual de abertura

Banda se apresentando no palco com instrumentos musicais, destacando um ambiente vibrante e colorido, decorado com tapestries artísticas ao fundo.

A noite começou com o Caos Lúdico, responsável por instaurar o clima e abrir os caminhos. Misturando ska, punk e crítica social, a banda transformou a abertura em um chamado coletivo.

O set percorreu faixas como Até o Fim, Preço da Saudade, Contra a Chuva e Liberdade, equilibrando dança, memória e posicionamento político. O cover de Message to U, Rudy funcionou como ponte entre gerações, reafirmando raízes e identidade. Mais do que um show, foi um aquecimento ritualístico, preparando corpo e espírito para o que viria.

Dirty Fall  o mergulho no abismo

Banda se apresentando em um palco, com três músicos tocando instrumentos e uma atmosfera underground, adornada por painéis artísticos ao fundo.

A virada de atmosfera veio com a Dirty Fall. O espaço se fechou, o ar ficou denso e o ruído tomou forma. A banda apresentou um set brutal, opressor e absolutamente consciente, transitando entre death, black e noise.

Faixas como Ecos da Loucura, Sete Palmos e Devastação Celestial empurraram o público para dentro de um estado de tensão contínua. O encerramento com In Noise We Trust soou como manifesto: ali, o desconforto não era acidente — era objetivo. Um show que não buscou aplauso, mas impacto.

Terror Revolucionário o eixo político da noite

Banda se apresentando ao vivo em um show, com energia intensa e público envolvido. O ambiente é iluminado em tons vermelhos, com decorações artísticas visíveis ao fundo.

Como anfitriões, o Terror Revolucionário assumiu o centro simbólico do evento. O palco virou trincheira. O set longo e intenso percorreu décadas de resistência punk, mantendo a urgência intacta.

Músicas como Carma da Pobreza, Mais Valia, As Mãos do Poder e Agente Laranja ecoaram como palavras de ordem. O público respondeu com coros, punhos cerrados e entrega total. O Terror Revolucionário não apenas tocou — organizou o discurso da noite, reforçando o Vomitando a Ceia como espaço político e coletivo.

Os Maltrapilhos Ceilândia falando alto

Show da banda Os Maltrapilhos durante o evento Vomitando a Ceia, com o público envolvido e iluminação vibrante ao fundo.

Quando os Os Maltrapilhos subiram ao palco, a periferia ocupou o centro. Punk rock direto, sem metáfora confortável, carregado de vivência real.

O set passou por Tempos de Intolerância, Partido Traidor, Brasil Passa Fome e Hospital de Base, músicas que não narram de fora, mas de dentro. O encerramento com Eu Não Aguento Mais, Os Maltrapilhos reafirmou identidade e trajetória. Foi um dos momentos mais simbólicos da noite: voz periférica sem filtro, sustentando o espírito do evento.

Jão e o Periféricos  estreia histórica e encerramento em confronto

Banda se apresentando em um palco iluminado, com membros tocando instrumentos e público animado na plateia.

O fechamento veio com Jão e o Periféricos, em sua primeira apresentação em Brasília. Liderado por Jão, o projeto carrega a herança direta do lendário Ratos de Porão, mas com olhar totalmente voltado para o agora.

O set foi um ataque contínuo: Guerra Desumana, Agressão/Repressão, Brasil Fascista e o encerramento com Devemos Protestar / Ferver deixaram claro que não havia clima de despedida — apenas de convocação. O público respondeu com rodas, colisões e gritos compartilhados. Um encerramento à altura e sem anestesia.

Underground que age

O Vomitando a Ceia reafirma, ano após ano, que a cena underground não vive apenas de discurso. Vive de ação concreta. A arrecadação de alimentos e brinquedos é parte essencial do evento, provando que cultura independente também é cuidado coletivo, redistribuição e responsabilidade social.

Mais do que uma noite de shows, o Vomitando a Ceia é um lembrete:
resistir também é compartilhar.
E enquanto houver palco, barulho e gente disposta a se organizar, essa tradição seguirá viva na cena, na rua e onde for necessário.

2 respostas a “VOMITANDO A CEIA 2025: UMA NOITE DE RESISTÊNCIA, RUÍDO E SOLIDARIEDADE NO CORAÇÃO DE BRASÍLIA.”

  1. …Muito obrigado pelo espaço, o VOMITANDO a CEIA agradece!!

  2. Obrigado pelas palavras!
    Esse Vomitando a Ceia foi marcante e ficará em nossas memórias.
    Até um próximo!

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