Quatro homens de pé em um espaço urbano com graffiti, um deles com cabelo raspado e tatuagens visíveis, todos vestindo camisetas pretas.

Há bandas que surgem, lançam discos e desaparecem. E há bandas que atravessam o tempo, sobrevivem às mudanças da cena, às crises da indústria, às transformações sociais e seguem de pé, carregando consigo uma ideia, uma ética e um modo de existir.

O Norte Cartel é uma dessas bandas.
Fundado em 2006, no subúrbio do Rio de Janeiro, o Norte Cartel emerge de um ambiente onde a música sempre foi mais do que expressão artística foi ferramenta de sobrevivência. São duas décadas de hardcore, punk e rock and roll, construídas na base do faça-você-mesmo, da lealdade à cena e de uma relação direta com o público, que sempre enxergou a banda como mais do que um grupo musical: uma voz coletiva. Desde o início, o Cartel deixou claro que não estava ali para entretenimento vazio; suas letras e sua postura sempre apontaram para um hardcore social, urbano e combativo.

Formado entre lajes, galpões improvisados, pistas de skate e casas de show autogeridas, o Norte Cartel cresceu em diálogo direto com a rua, com o cotidiano duro e com uma juventude que precisava gritar para existir. A banda nasce desse chão urbano, direto e sem romantização e carrega até hoje essa marca como identidade inegociável.

Discografia, registros e identidade

Criança em uma baliza de futebol, com um pé sobre uma bola amarela, enquanto um grupo de jovens observa ao fundo, posando para a foto.

Ao longo dessa trajetória, a banda lançou dois álbuns cheios: Fiel à Tradição e De Volta ao Jogo , além de um split com a respeitada banda argentina Otra Salida, consolidando também sua ponte com a cena latino-americana. Mais do que lançamentos, esses trabalhos funcionam como documentos de época, refletindo diferentes momentos da banda e da própria cena hardcore brasileira.

Músico pulando e tocando guitarra em um show ao ar livre, com bateria e amplificadores ao fundo.

Still do clipe de Família, 2011

Os registros audiovisuais também sempre foram tratados com seriedade. O clipe “Família”, dirigido pelo cineasta norte-americano Blake Farber, ultrapassou a marca de 80 mil visualizações orgânicas, tornando-se um dos símbolos visuais da banda e da sua mensagem: união, base, lealdade e sobrevivência em meio ao caos urbano.

Não por acaso, o Norte Cartel sempre esteve presente em coletâneas, festivais e registros históricos da cena, participando ativamente da construção do hardcore brasileiro contemporâneo.

Palco, estrada e reconhecimento internacional

Falar de Norte Cartel é falar de palco. A banda construiu sua reputação ao vivo, passando por praticamente todos os estados do Sudeste, além de Paraná, Santa Catarina, Brasília e grandes polos do underground nacional.

Em 2013, organizou e participou de uma turnê histórica pelo Rio e São Paulo ao lado da banda francesa Providence, um dos nomes mais respeitados do hardcore europeu, com shows lotados e forte repercussão.

Cartaz do festival Mosh & Blood II, apresentando bandas de hardcore como Providence e Norte Cartel, com detalhes sobre data, horário e local do evento.

Já em 2019, o Norte Cartel cruzou fronteiras e realizou uma turnê pela América Latina, com apresentações na Argentina (incluindo o lendário Roxy Live), Uruguai e Chile, onde integrou o tradicional Santiago Hardcore Festival.

Em 2022, a banda retornou ao Chile para mais duas apresentações, incluindo o emblemático Arena Recoleta, reafirmando seu vínculo com o público sul-americano

Ao longo do caminho, o Norte Cartel dividiu palco com nomes fundamentais do hardcore, punk e metal, como Ratos de Porão, Cólera, Cro-Mags, Sepultura, DRI, H2O, Dead Fish e Agrotóxico, além da colaboração de Badauí (CPM 22) no single “Agora e Sempre” — um encontro que reforça o respeito conquistado dentro e fora da cena.

2024–2025: nova formação, novos lançamentos, mesma
essência

Em 2024, o Norte Cartel apresentou sua nova formação: Bruno Pavio (Rats) no baixo, somando forças a Felipe Chehuan (vocal), Dudu Braga (bateria) e Daniel Portugal (guitarra). O single “Eu Sou a Guerra” abriu caminho para um novo disco de inéditas, apresentado faixa a faixa ao longo de 2025, reafirmando o discurso direto, pesado e fiel às origens.

Para marcar os 20 anos em 2026, o Norte Cartel prepara uma turnê europeia com cerca de 15 datas, passando por Alemanha, Polônia, Eslováquia, França, Espanha e Portugal. A jornada contará com André Horta (Fatal Blow) como segundo guitarrista.

Além da estrada, as duas décadas de história serão celebradas com:

  • Um EP resgatando faixas históricas do antigo site Trama Virtual.
  • Um EP de “lados B” (músicas que ficaram fora dos álbuns oficiais).
  • Uma música inédita em homenagem ao RDP (Ratos de Porão).
  • Um documentário em fase de gravação que registra essa trajetória intensa.

Mais do que banda: um documento da cena

Em 2023, a importância do grupo foi eternizada no livro-zine No Front Zine, de Zé Aldo, que dedicou um capítulo inteiro à história da banda um reconhecimento que ultrapassa o som e entra no campo da memória cultural brasileira.

“No final das contas, o Norte Cartel não é apenas uma banda de hardcore; é uma prova de sobrevivência. Em um mundo que tenta domesticar gritos e padronizar revoltas, eles escolheram o caminho mais difícil: a independência absoluta. Celebrar esses 20 anos não é olhar para um troféu na estante, mas sim reconhecer que a chama acesa das ruas do subúrbio carioca em 2006 hoje ilumina palcos da Europa. Enquanto houver injustiça, haverá o Norte Cartel. Enquanto houver um amplificador ligado, haverá resistência. A guerra continua, e o Cartel segue na linha de frente.”

Norte Cartel: 20 anos de guerra, família e resistência. Ontem, hoje e sempre.

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