Photo of a metal band called Blasfemador featuring four members posing in front of a colorful, dark background with an eye-catching logo above them.

Sem condolências e com o claro objetivo de semear o caos, paira sobre nós o espírito soturno do Martelo das Bruxas literalmente Malleus Maleficarum. Este é o novo álbum dos cearenses da Blasfemador. E quando se trata de blasfêmia, temos aqui um representante de peso, capaz de fazer Satanás sorrir; o papai do chão certamente está orgulhoso. O cortejo se dá a galope. É speed metal raiz, temperado com a sujeira característica do thrash metal e envolto pelo obscurantismo do black metal. Um verdadeiro deleite para ouvidos mais afiados, onde cada melodia se apresenta de forma satisfatória e incita aquela vontade incontrolável de socar o ar e chutar o que estiver pela frente. Some-se a isso urros viscerais e blast beats implacáveis, e temos aqui um equilíbrio quase perfeito.

Formada por Augusto Índio no baixo, Fabrício Maleficarum nos vocais, Romário Bruxo na bateria e Igor Shredd na guitarra, a Blasfemador entrega um trabalho extremamente consistente. Na minha opinião, o álbum se destaca em relação ao petardo Cosmofobia (2021) mantém a mesma brutalidade, mas adota uma proposta mais pé no chão, evidenciando maturidade. Os caras sabem exatamente o que estão fazendo e se diferenciam pela seriedade com que encaram o próprio trabalho. Quem já teve a oportunidade de presenciar a banda ao vivo sabe o quanto são técnicos e comprometidos e toda essa atmosfera se materializa neste novo registro.

A começar pela atitude de lançar o álbum de forma totalmente independente, acompanhado de uma capa formidável (ainda quero saber quem é o artista), daquelas que facilmente virariam uma estampa de camiseta. As faixas passeiam por eventos históricos e cenários dignos de filmes de terror, reforçando o clima sombrio que permeia todo o disco.

Soube também que a banda se propôs a lançar o álbum em fita K7, e isso me pegou em cheio. Fiquei imaginando como deve soar a audição de faixas como “A Motosserra” ou “Villa de Vecchi” em modo analógico. Vou atrás disso.

O ponto alto do álbum está, sem dúvida, na guitarra furiosa de Igor Shredd, que se destaca em faixas como “Malleus Maleficarum”, “Lilith” e a incrível “Configuração do Lamento”. Merecem destaque também os vocais soturnos de Fabrício Maleficarum, que rasgam a carne com peso, precisão e convicção.

No geral, é um álbum que cumpre exatamente o que promete. A proposta é entregar destruição e isso é feito com competência. Encaro o disco como uma continuação natural do trabalho anterior não há a intenção de inovar, mas sim de se manter disciplinado e fiel ao que se entende por speed e thrash metal. E isso, longe de ser um problema, é justamente o que lhe garante o status de um bom disco, daqueles que você escuta por muito tempo sem perder o impacto.

A dark, atmospheric illustration featuring a woman in a flowing dress casting a spell over a fire, with a full moon in the background. A kneeling figure in religious attire appears to be praying nearby, while shadowy figures in the background observe the scene.

Malleus Maleficarum não soa como um álbum preocupado em agradar ou dialogar com tendências passageiras. Ele existe como um manifesto de fidelidade ao metal extremo em sua forma mais crua, honesta e combativa. Em tempos em que tudo parece precisar ser polido, explicado ou suavizado, a Blasfemador escolhe o caminho oposto, o caminho da convicção, da identidade e da resistência. Este não é apenas mais um disco na discografia da banda, mas a consolidação de uma postura artística que entende o metal como linguagem, ataque e rito. Um trabalho que apenas se impõe, como deve ser.

Instagram Blasfemador
https://www.instagram.com/blasfemador_oficial

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