
No último dia 8 de fevereiro, no Veganasso, ficou mais do que provado que o underground vive — e vive com muita força, resistência e emoção.
Era um domingo nublado na Zona Leste de São Paulo. Aos poucos, a galera foi chegando e se acomodando no espaço aconchegante da casa. Do lado das bandas, havia muita expectativa — e, com certeza, aquele frio gostoso na barriga — afinal, o Veganasso é palco de resistência e luta popular. Mas com o passar do tempo, todos os presentes já estavam mais do que a vontade no espaço.
A primeira banda a subir ao palco foi a Taekwondo Contemporâneo, do ABC paulista — mais especificamente de Santo André. Bruna, Cauã, Oliver e Gabriel fizeram um ótimo show. Com sons mais cadenciados, a banda mistura peso com letras muito bem interpretadas e melodias agradáveis, daquelas que convidam à reflexão sem perder a intensidade.

Na sequência, foi a vez da Autoexílio mostrar a força do post-punk independente de São Paulo. Si Garcia, Alan Costa, Carlos Vergalin e João Zebral levaram o público direto para os anos 80. Cada som era uma verdadeira viagem sonora, misturando melodia, letras de protesto e resistência, além de uma boa pitada de peso — uma combinação simplesmente sensacional. A banda soube construir uma atmosfera quase hipnótica, que envolveu e prendeu a atenção do início ao fim.

Agora era a vez da Videosonic. Com um baita som instrumental e atmosférico — mas com peso na medida certa — a banda fez todo mundo viajar e balançar a cabeça. Nesse ponto da noite, a experiência parecia levar o público para outro planeta. Tom Trujillo, Pri Sati e Elthon Dias conduziram essa jornada sonora com intensidade e personalidade, criando uma imersão que tomou conta do espaço.

Encerrando as apresentações da tarde, a Errata subiu ao palco despejando gritos de liberdade e fúria em cada som. Ambiguocalor, Gyosafritado, Aronomalia, Rstrauma e Jamaica BT mostraram toda a força da juventude no underground atual, com intensidade, atitude e muita verdade. A energia contagiante da banda inspirou muitos jovens presentes no Veganasso, reforçando a renovação e a vitalidade da cena alternativa da cidade.

O Veganasso já conquistou um lugar especial no coração do underground de São Paulo. É um espaço que acolhe, que resiste e que se mantém firme como um ambiente vegano de luta, solidariedade e zero crueldade animal. Que existam cada vez mais locais assim pela cidade — pontos de encontro fundamentais para quem acredita, luta e segue resistindo todos os dias.
Texto: Marcelo Kiss













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